Fruticultura / Caju
Caju
A cajucultura é uma atividade de extrema importância socioeconômica, especialmente para o Nordeste brasileiro, que concentra mais de 95% da produção nacional
O Brasil, como centro de origem da planta (Anacardium occidentale), ocupa uma posição de destaque, embora a produção mundial seja hoje dominada por países africanos e asiáticos.
Panorama Mundial e Nacional
Mundo: A África é o principal produtor de castanha, responsável por 56% da produção global, com destaque para a Costa do Marfim. Vietnã e Índia dominam o processamento e a exportação de amêndoas. O comércio mundial cresceu, passando de quase 2 milhões de toneladas em 2011 para cerca de 3,6 milhões em 2020.
Brasil: O Brasil situa-se entre os maiores produtores mundiais, mas ocupa uma posição mais baixa em volume total, com o Ceará liderando a produção nacional (mais de 60%), seguido por Piauí e Rio Grande do Norte. A área plantada no Brasil supera 650 mil hectares.
Principais Regiões Produtoras no Brasil
Ceará: Maior produtor e exportador, com foco em municípios como Cascavel, Beberibe, Aracati e Ocara.
Piauí: Segundo maior em área plantada, com produção crescente, especialmente em áreas de sequeiro.
Rio Grande do Norte: Destaca-se pelo polo de Serra do Mel e pela produção artesanal e industrial.
- Bahia:Região nordeste do estado apresenta potencial de expansão.
Como plantar caju
Genética e Cultivares
A Embrapa Agroindústria Tropical tem focado no lançamento de clones de cajueiro-anão precoce, que permitem colheita mais rápida (a partir do 3º ano) e manejo facilitado.
BRS 805: Lançado recentemente (2025/2026), apresenta porte intermediário e copa compacta (taça), ideal para mecanização e com promessa de dobrar a produtividade.
BRS 85: Novo clone focado em produtividade e resistência para o Ceará.
EMBRAPA 51: Recomendado para sequeiro e castanha.
BRS 189: Recomendado para cultivo irrigado e mercado de mesa.
BRS 274 (Jacaju): Clone de cajueiro comum para sequeiro
Sistemas de Plantio e Tecnologias Aplicadas
Sistemas: Predominam o plantio de sequeiro (dependente de chuvas) e áreas irrigadas. O uso de clones enxertados é padrão para garantir alta produtividade.
Tecnologias:
Mecanização: Utilização de tratores e equipamentos na poda e manejo de plantas com porte reduzido (clone 805).
Manejo Integrado: Vistorias técnicas (vitrines tecnológicas) em áreas de referência (URTs) para capacitar produtores em poda de formação, limpeza e controle de pragas (como a broca-do-tronco).
Indicação Geográfica (IG): O Rio Grande do Norte conquistou a primeira IG para castanhas em 2025, valorizando a qualidade do produto regional.
Bioinsumos: Aumento no uso de alternativas biológicas para adubação e controle de pragas, promovendo uma cajucultura mais orgânica.
Sustentabilidade e Meio Ambiente
Sistemas Agroflorestais: Combinação do caju com outras culturas para aumentar a biodiversidade e gerar renda.
Aproveitamento Integral: Processamento da castanha e uso do pedúnculo para cajuína, sucos e polpa. O bagaço do pedúnculo é utilizado para ração animal (ruminantes) ou como substrato agrícola.
Uso de Resíduos: A casca da castanha é vendida para indústrias para queima em fornalhas, reduzindo a necessidade de cortes de lenha nativa.
Processamento e Cadeia Comercial
Cadeia: A maior parte do valor está na amêndoa da castanha de caju (ACC). A safra 2025 demonstrou a importância da modernização do processamento para melhorar a rastreabilidade e qualidade.
Comercialização: O Brasil exporta principalmente amêndoas. Existe uma forte tendência mundial para o encurtamento da cadeia, buscando processar a castanha mais próximo da área de colheita.
Desafios: O mercado de caju in natura ainda enfrenta desafios de “fruta exótica” no Sudeste brasileiro, com alto potencial de crescimento para o consumo do pedúnculo fresco.
A cajucultura em 2026 está focada na modernização via mecanização, uso de clones de alta produtividade (BRS 805) e sustentabilidade, garantindo que o Nordeste mantenha sua relevância no cenário global.
