É muito importante avaliar a distribuição e uniformidade de gordura sobre a carcaça de bovinos durante o abate. Assim é possivel classificar e tipificar carcaças de bovinos visando um maior aproveitamento do lote abatido em relação a homogeneidade e padronização das carcaças no que se refere a quantidade e distribuição de gordura subcutânea.
Basicamente há dois tipos de gordura mais conhecidos e discutidos:
A gordura intramuscular (marmorizada), é encontrada com maior freqüência em animais, das raças britânicas como: Angus, Hereford entre outras, também encontramos em animais que foram submetidos a uma dieta rica em energia por um prolongado tempo e atingiram um elevado peso vivo e consequêntemente um alto grau de gordura de cobertura.
A gordura subcutânea (gordura de cobertura) fica entre o couro e os músculos sendo esta um ótimo indicador de qualidade. Esta gordura indica o tipo de manejo alimentar recebido pelo animal segundo alguns estudos esta alimentação pode influenciar também na solubilidade do colágeno da carne, tornando a carne mais macia. A principal função da gordura de cobertura é a proteção contra o frio, evitando o "Cold Shortening" (encurtamento do sarcômero pelo frio) , que provoca o encolhimento das fibras musculares, tornando rígidas as carnes mais superficiais.
Outro fator igualmente importante é o valor comercial de alguns cortes, como a picanha e o contrafilé, que são valorizados pela gordura de acabamento.
A falta de acabamento pode ser causada ou influenciada pela:
A raça pode influenciar o acabamento de carcaça devido ao tamanho à idade adulta e ao grau de musculatura. Raças de origem continental ( Limousin, Simental, Charolês) são consideradas raças grandes e de musculatura grossa, contribuindo para uma menor deposição de gordura na carcaça. Já as raças de origem britânica (Angus, Red Angus, Hereford) são consideradas médias de musculatura mediana, e contribuindo para uma maior deposição de gordura na carcaça. Os Zebuínos, em particular, o Nelore são considerados raças médias, com boa precocidade de acabamento.
O cruzamento do Europeu x Zebuíno visando animais mais precoces em ganho de peso, crescimento e com maior rendimento de carcaça em menos tempo, é uma boa alternativa para a produção do Novilho Precoce. Na escolha da raça a ser cruzada com o Nelore, esta deve oferecer o máximo de complementaridade ao cruzamento.
Um bom desenvolvimento muscular proporciona uma boa produção de carne. Os novilhos e novilhas devem apresentar um bom volume e desenvolvimento muscular juntamente com um bom acabamento de gordura.
Devemos lembrar que os tipos biológicos dos bovinos podem ser classificados quanto ao tamanho à idade adulta, podendo ser classificado em grandes, médios e pequenos e quanto ao grau de musculatura em grossa, moderada e Fina.
Os três tecidos da carcaça são os músculos, os ossos e a gordura, que são depositados na carcaça com taxas de crescimento diferentes, de acordo com o peso e a idade do animal.
Os bovinos crescem em composição corporal até os sete anos de idade ou mais, mas grande parte do desenvolvimento muscular estará completo aos dois anos de idade, dependendo do seu tipo biológico.
Machos castrados e novilhas depositam gordura na carcaça com mais facilidade, do que machos inteiros. Comparando novilhos castrados e novilhos inteiros abatidos com pesos iguais ou semelhantes, com certeza o novilho castrado apresentará um melhor acabamento.
Em relação a precocidade de acabamento, os novilhos inteiros são mais tardios do que os novilhos castrados, e estes mais tardios do que as novilhas, pois estas atingem a maturidade sexual mais cedo, e a partir daí deixa de crescer e começa a depositar gordura na carcaça.
O fator idade aqui, considerará animais de até 4 dentes incisivos (até 36 meses) que dependendo do manejo nutricional e da raça a ser explorada, estarão no ponto ideal de abate (peso com acabamento).
Animais mais velhos, apresentam gordura mais amarela, devido a concentração de mioglobina nos músculos e a deposição de carotenóides provenientes das forragens. Portanto animais mais velhos irão dar acabamento de carcaça mas perderam na maciez da carne.
Este é um dos fatores mais importantes na atividade, pois através de uma boa alimentação conseguimos reduzir significativamente a idade de abate e produzir carcaças de qualidade com bom acabamento. Devemos lembrar que os animais a serem tratados com uma boa alimentação, devem corresponder a esse trato, ou seja, devem apresentar uma boa conversão alimentar, um bom ganho de peso e uma boa conformação de carcaça.
Animais confinados ou suplementados à pasto tendem a apresentar melhor acabamento de gordura em menos tempo devido a uma alimentação mais rica em energia.
FIGURA 1 - Animal de perfil
Pontos
12ª / 13ª Costela: deve apresentar uma cobertura de gordura, havendo um aparente aumento na circunferência das vértebras
Vértebras curtas do lombo: o ideal é ter uma cobertura de gordura que faça com que as vértebras não sejam mais percebidas visualmente.
Anca ou Garupa (região do P8 ou Picanha) e Soldra (região da coxa): deve conter uma boa cobertura de gordura, sem apresentar excessos.
Virilha: apresenta a pele aparentemente mais pesada devido ao acúmulo de gordura nesta região.
Antebraço: é uma região que não acumula muita gordura
Maçã do peito: deve apresentar uma boa cobertura de gordura, mas não excessivamente.
Ponta do Ombro: deve apresentar uma boa cobertura de gordura mas não excessivamente.
Paleta e Primeiras Costelas: deve estar bem preenchida por gordura sem aparecer a "região seca" entre a paleta e as primeiras costelas.
FIGURA 2 – Animal visto por trás
Análise visual
Pontos
Base da cauda e Osso do Ílio: deve apresentar uma boa cobertura de gordura, o ideal é que o osso do sacro não possa ser visualizado, mas sem apresentar excessos de gordura.
Soldra (região do patinho) e Culote (nádegas): devem apresentar um acabamento, podendo ser visualizado através de pequenos maneios de gordura que ao movimento do animal se “penduram” no corpo e estremecem com a ação e enrijecimento do músculo.