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Doenças

Veja a seguir as doenças mais comuns nos gatos e suas principais características

Doenças Virais 

Panleucopenia

Doença viral, muito parecido com a parvovirose canina.Consiste na infecção do intestino por vírus. Inibe a produção de glóbulos brancos. Há maior risco para animais de até um ano e gatas gestantes.

Sintomas

Vômito, diarréia (às vezes com sangue), falta de apetite, muita sede, abatimento e eventual anemia.Palpada da cavidade abdominal pode ser sentida uma formação de tamanho variável representada pelos intestinos do animal enfermo, de consistência dura e elástica e também muito dolorosa. Na língua e mucosa da faringe dos animais enfermos poderão ser vistas lesões inflamatórias que levam em geral a ulceração, principalmente nos bordos da língua. As mucosas do animal, como conjuntiva e mesmo da boca irão se apresentar anêmicas (pálidas). Após essas etapas, sucede-se a desidratação.

Conseqüências

Se devidamente tratada, não há conseqüências. Caso contrário, pode levar à morte.

Contágio

Apresenta alto contágio pelo ar e por contato com outros animais infectados.Não é transmissível ao homem.

Como diagnosticar?

O diagnóstico dessa doença é feito mediante exame de sangue do animal, principalmente pela contagem diferencial (Hemograma) dos diversos tipos de glóbulos sangüíneos.

Tratamento

O sistema imunológico deve ser reforçado (pois glóbulos brancos são afetados) e os sintomas devem ser tratados (antibióticos, vitaminas, soro, etc)

Profilaxia

Através de vacinação. Deve ser aplicada a partir da idade de 3 meses nos animais suscetíveis (felinos em geral), e repetida anualmente e principalmente quando for o animal levado para exposições de animais. Devem ser evitadas oscilações bruscas de temperatura e situações de estresse, pois debilitam o sistema imunológico do animal.

Rinotraqueíte

Doença viral, que ataca o sistema respiratório e os olhos. O risco é maior no primeiro ano de vida.

Sintomas

Espirros,tosse, conjuntivite, dificuldade respiratória, corrimento nasal catarral, febre, prostração.

Conseqüências

Debilita o organismo e favorece a pneumonia e a bronquite.Eventualmente, pode ficar latente e reaparecer mais vezes durante a vida.

Contágio

É altamente transmissível pelo ar e contato direto. Não é transmissível ao homem.

Tratamento

O sistema imunológico deve ser fortalecido. O animal deve ser estimulado a comer. Os sintomas devem ser tratados através de antibióticos, colírio oftálmico,etc.

Profilaxia

Evitar situações de estresse, juntamente com a vacinação são os meios mais eficazes de se evitar a doença.

Calicivirose

Doença viral, muito semelhante a rinotraqueíte. Esta doença é conhecida como gripe dos felinos.

Raiva

É doença infecciosa de evolução aguda, causada por um vírus, quase sempre mortal, que se manifesta entre os animais por transtornos do conhecimento, aumento da excitabilidade nervosa e sintomas paralíticos. Transmite-se  quase sempre através da mordedura ou contaminação de ferimentos por saliva de animais doentes . O vírus está contido em alta concentração na saliva, e demais excreções e secreções dos animais acometidos da doença, além de também no sangue.

São suscetíveis de contraí-la  mamíferos em geral, porém mais de 80% dos casos assinalados pela literatura médica são carnívoros, e em especial o cão doméstico. Interessante assinalar-se que o sintoma da fobia à água somente ocorre no homem quando acometido da moléstia, portanto o termo hidrofobia deve ser reservado exclusivamente ao homo sapiens.

A doença pode também acometer os animais herbívoros, como o boi, o cavalo, a ovelha, a cabra, sendo que nos ruminantes como os bovinos, os sintomas são predominantemente paralíticos, e o transmissor para esses animais quase sempre é o morcego hematófago, da espécie Desmodus rotundus, no Brasil.

O morcego (hematófago) sugador de sangue funciona também como reservatório do vírus, ou seja, contamina-se com o vírus porém sobrevive ao mal, passando então a funcionar como transmissor para outros animais que venha a sugar, devido ao fato de contaminar o ferimento que produz para aspirar sangue com sua saliva, que como já relatado tem alta concentração do vírus.

Com hábito de viverem em cavernas, sempre em bandos, para comunicarem-se entre si e para orientarem-se (pois são sabidamente quase cegos), emitem verdadeiros guinchos, e nesse ato  cospem no ar: se estiverem contaminados pelo vírus rábico, impregnam o ar das cavernas onde vivem, com verdadeiro aerossol do vírus. Têm eles, também, o hábito de lamberem-se entre si, e com base nessa particularidade biológica, idealizou-se método para seu combate e extermínio.

A raiva quando detectada em um animal, assim como no homem não tem cura, culminando sempre com a morte, após período breve de evolução e sintomatologia que impressiona sobremaneira. Tem um período de incubação de 10 a 90 dias.

Como diagnosticar?

O diagnóstico da doença é inicialmente feito pelos sintomas manifestados pelos animais que adoecem quando contaminados pelo vírus: inicialmente apresentam esses animais alteração de seu comportamento, procurando locais escuros para se abrigarem ( já que existe a chamada fotofobia) ; deixam de se alimentar e beber água e mesmo de atenderem ao chamado dos donos.

Com o evoluir da doença, que é extremamente rápido, quando se trata de animais das espécies carnívoras, quase sempre ocorre em seguida a chamada fase prodrômica, em que esses animais fogem de casa passando a vagar pelas ruas, quando então são perseguidos por outros cães vadios, que são mordidos pelo animal com raiva,  e através dessa mordida contaminam novos cães de rua, dando continuidade a doença. Em seguida evolui a doença para a chamada fase paralítica, em que não podendo mais se locomover, podem tanto morrer atropelados por automóveis nas ruas, quanto sucumbirem em decúbito pelo próprio evoluir da doença. Ocorrendo a chamada paralisia do maxilar, sintoma quase sempre presente, não conseguindo fechar a boca, passam a babar copiosamente, o que chama a atenção do observador atento, sendo esse o sintoma da raiva guardado na memória popular. O latido do cão com raiva torna-se característico, sendo emitido num duplo tom, e por isso chamados de bi-tonais, o que permite o diagnóstico da doença pelo simples ouvir desse latido. Quem teve oportunidade de ouvi-lo uma única vez não o esquecerá jamais. Como já mencionado, é a saliva o principal veículo de transmissão da doença, já que nela o vírus encontra-se concentrado, porém outras secreções como a urina, fezes e até o sangue são também contagiantes para outros animais ou pessoas.

Existem vacinas anti-rábicas apropriadas para cada espécie animal, e das mais variadas técnicas de fabricação, desde a antiga vacina Pasteuriana, preparada pela dessecação de medulas de animais inoculados com o vírus, até as mais modernas obtidas por técnicas especiais, quando o vírus é cultivado em meios vivos, como ovos embrionados de galinha, neste caso denominadas vacinas avinizadas, e até em cultivos de células de rim de porco ou de hamster.

Profilaxia

A profilaxia é vacinar os animais de estimação a partir de 3 meses de idade e depois anualmente; capturar cães de rua; controlar os transmissores (morcegos), evitando, porém, contato direto com o mesmo. Caso seja detectada a presença de morcegos em alguma região deve-se procurar iluminar áreas externas nas residências, colocar telas nos vãos, janelas e buracos e fechar ou vedar porões, pisos falsos e cômodos pouco utilizados que permitam o alojamento de colônias. Fique atento aos locais mais freqüentes onde os morcegos se alojam: Sótãos, forros, porões, pisos falsos, garagens, vãos de dilatação de prédios, casas de maquinas (elevadores), caixas de persianas, estábulos, copas das árvores, troncos ocos de árvores, cavernas e edifícios abandonados.

Atenção: Quando se deparar com um desses animais, procure não provocá-lo, nem tente capturá-lo. Afaste as pessoas e animais do ambiente onde o morcego se instalou e isole o local, se possível. Evite sempre o contato direto com qualquer tipo de morcego vivo ou morto. Caso tenha problemas procure o Centro de Zoonoses de sua cidade ou a orientação de Veterinário.

Suspeita - procedimento

O animal com suspeita de raiva deve ser isolado e ficar em observação ou sofrer eutanásia, para ser realizado um exame do cérebro e tronco cerebral em busca do vírus. Se houve exposição humana ou animal de um outro animal com sintomas clínicos sugestivos de raiva, deverá ocorrer inoculação em camundongos para verificar a presença do vírus, isto quando o exame cerebral der negativo.

Esses animais (cães e gatos) que morderam seres humanos e apresentaram sintomatologia nervosa devem sofrer eutanásia e ter seus cérebros examinados para verificar a presença do vírus da raiva. Já cães e gatos sadios, de donos conhecidos, devem ser confinados por dez dias de observação após a mordida, em busca de sintomas de raiva (para verificar se a pessoa foi exposta à raiva). Caso o resultado dê positivo, com a presença do vírus da raiva, deverá ser iniciada a imunização o mais rápido possível, pois não há período de espera seguro.

Caso este cão e gato estejam atualmente imunizados (tomaram vacina contra a raiva) e foram mordidos por um animal comprovadamente raivoso ou mordidos por animais silvestres numa área onde há casos de raiva, devem ser revacinados e observados durante 90 dias. Entretanto, os animais não vacinados devem sofrer eutanásia ou, se o dono não quiser, devem ficar confinados a um estrito isolamento durante 10 dias. Após este período (e se estiver sadio) poderá voltar ao seu dono.

Leucemia Felina Viral (Felv)

Quando um gato é exposto ao vírus da leucemia felina, as reações podem ser de quatro tipos diferentes: em 30% dos casos, o vírus é eliminado pelo sistema imunológico. Em 40% , o vírus infecta o gato, que passa a transmiti-lo pela saliva, podendo desenvolver doenças fatais cancerosas e não cancerosas. Outros 30% não se infectam imediatamente, ficando o vírus alojado na medula óssea, podendo infectar o gato depois, desaparecer sem deixar seqüelas em até 30 meses, ou alojar-se definitivamente na medula (5% a 10%) sem causar a doença.

Afeta cerca de 3% dos gatos que vivem em casas sem a companhia de outros gatos; 30% dos que vivem com outros gatos ; 70% em grandes abrigos e cerca de 11% dos gatos de rua.

Sintomas

O animal apresenta anemia, depressão, perda de peso e de apetite, diarréia, aumento de volume dos gânglios linfáticos, tumores, reabsorção fetal, abortos, dificuldade respiratória e baixa do sistema imunológico.

Como diagnosticar?

Através de exames de sangue (teste de Elisa ou Ifa)

Tratamento

Apesar de não ter cura, quimioterápicos podem produzir uma melhora na sobrevida do animal. Esta sobrevida pode ser de poucos meses ou muitos anos (cerca de 85% dos gatos morrem até três anos após a contaminação).

Profilaxia

Através de vacinação, que não funciona apenas em uma pequena porcentagem dos animais. Não é recomendável que os gatos não portadores da doença , mesmo vacinados, entrem em contato com positivos. Os gatos de um local só são considerados livres da leucemia felina quando todos apresentarem resultado negativo a dois testes com três meses de intervalo. Gatos introduzidos no ambiente a partir de então deverão provar sua imunidade de imediato e após uma quarentena de dois meses. Se negativos, poderão juntar-se aos outros.

Clamidiose

Menos grave que a leucemia, causa principalmente problemas no trato gastro-intestinal, semelhante a parvovirose canina e a panleucopenia nos gatos, mas pode eventualmente causar abortos e pneumonias. Pode se apresentar na forma subclínica, e é facilmente encontrada, também, em bovinos, ovinos e suínos.

Imunodeficiência Felina Viral (FIV)

Também conhecida como AIDS felina, é uma infecção viral. Aparece em cerca de 1,5% a 3,0 % dos gatos aparentemente saudáveis ,em 15% dos portadores de outras doenças e em 2% a 4% dos gatos de rua.

Após a infecção, o vírus migra para os gânglios linfáticos e se multiplica dentro de glóbulos brancos, chamados linfócitos T. O vírus se espalha pelo corpo, causando um aumento dos gânglios .Dias, semanas, ou meses após a infecção, o gato apresenta febre e queda no número de glóbulos brancos ( responsáveis pela defesa imunológica). Devido a essa queda, microorganismos que não prejudicam gatos saudáveis podem causar problemas graves naqueles com FIV. Essas doenças são responsáveis pelos sintomas e morte dos soropositivos.Os infectados adoecem, melhoram , e voltam a adoecer. A piora é progressiva, pois as células de defesa diminuem a cada episódio da doença..

Sintomas

Pelagem em más condições, febre persistente, perda de apetite, gengivite e estomatite em cerca de 50% dos casos. Infecções crônicas da bexiga, pele e sistema respiratório , diarréia e conjuntivite são freqüentes. O animal apresenta maior disposição para apresentar tumores. Alguns têm distúrbios neurológicos, como convulsões.

Como diagnosticar?

O veterinário deve basear-se no histórico, sinais clínicos e teste de anticorpos.Porém, é inútil testar filhotes com menos de 5 meses – podem apresentar falso positivo devido aos anticorpos passados pela mãe.

Contágio

A principal forma de transmissão é por mordida, quando a saliva do gato infectado, contendo o vírus, entra em contato com o sangue do gato saudável. Contatos casuais não agressivos e contatos sexuais não são vias comuns de transmissão. Raramente filhotes são contaminados pela mãe.

Tratamento

O gato deve ser isolado , para protegê-lo e evitar a transmissão para outros. Antimicrobianos podem ser utilizados contra infecções bacterianas e fúngicas. Freqüentemente é necessário tratamento com soro intravenoso, suplementos energéticos e vitamínicos, e transfusões de sangue. Corticosteróides e antiinflamatórios podem ser utilizados nas gengivites e estomatites. Anabolizantes ajudam a combater a perda acentuada de peso e fraqueza. Drogas anti-aids dão resultados, porém causam mais efeitos colaterais que em humanos, e apenas atenuam os sintomas causados pelo vírus, não eliminando-o

Com boa alimentação, proteção contra variações de temperatura e isolamento de outros gatos o soropositivo pode sobreviver durante anos após a infecção inicial. Se já houve doenças severas resultantes da infecção da Aids Felina, é de se esperar uma sobrevivência mais curta.

Profilaxia

Não há vacina. Deve-se evitar o contato com gatos contaminados. Gatos mantidos em casa, sem contato com gatos de rua, tem pouca probabilidade de contrair a doença. Em locais com muitos gatos, os animais devem ser testados periodicamente, e os infectados removidos. Estabelecido o status negativo, um novo gato só será introduzido no local após teste, e somente se o for resultado negativo. Uma quarentena de dois meses e repetição do teste são recomendados.

Doenças Ósseas

Os animais domésticos criados em regime de confinamento, ou seja, fechados em áreas menores que as usuais de que quando criados soltos, e alimentados artificialmente, estão mais sujeitos a deficiências alimentares que aqueles criados extensivamente.

Na natureza, os animais silvestres possuem uma aptidão chamada de fome específica, tal seja, seus próprios organismos reclamam e os orientam quando algum nutriente está em falta na alimentação, e os leva a procurar na própria natureza em que vivem as fontes naturais que possam lhes fornecer tais elementos em carência. Referida aptidão, com a domesticação é em parte perdida, porém ainda podem ser notadas de forma velada, em determinados casos e em determinadas espécies animais.

Com essa carência alimentar, inúmeros órgãos podem ser afetados, inclusive os ossos. Algumas das doenças causadas por essa deficiência são apresentadas a seguir:

Raquitismo

É a doença antigamente chamada de Enfermidade Inglesa, que se traduz por fragilidade dos ossos do esqueleto na fase do crescimento, ou seja, na primeira fase da vida animal (Infância), e hoje sabemos ser causada por carência de Cálcio, Fósforo e Vitamina D.

Os ossos se apresentam frágeis, com possibilidades de ocorrer fraturas espontâneas, além de terem seu crescimento alterado, principalmente observável nos ossos longos como o fêmur, tíbia, úmero e costelas, e mesmo nos ossos do crânio. Os ossos longos das extremidades, como aqueles das pernas, tendem a se arquear, ocasionando defeitos de aprumo (postura) desses animais. Por ser de ocorrência na fase do crescimento na infância, tais defeitos de aprumo são praticamente insanáveis na vida adulta.

Os dentes desses animais também ficam comprometidos em sua resistência, sofrendo maior desgaste e mesmo com duração de vida mais curta. Cáries também se tornam mais freqüentes e de maior gravidade determinando suas quedas precoces.

Portanto, para o tratamento profilático dos animais em geral, basta que lhes sejam supridos alimentos com suficiente quantidade dessas substâncias, além da própria Vitamina D. Muitas vezes, a doença é secundária, ocorrendo por concomitante e simples verminose, ou então, alguma dificuldade na absorção digestiva, devendo nesses casos, a doença primária ser tratada em primeiro lugar, ou simultaneamente.

Um sintoma que chama a atenção quando estão os animais com a doença, é a ocorrência das chamadas aberrações do apetite, tal seja, o animal com raquitismo apresenta fome por substâncias que não lhe são próprias da alimentação, como terra, reboco de parede, tijolos e mesmo as próprias fezes (coprofagia).

Osteomalácia

Caracteriza-se esta doença, também como o Raquitismo, por fragilidade óssea, porém ocorrendo no organismo já adulto, com sua ossatura previamente formada na devida época da juventude sem ocorrência da doença nutricional.

Como o próprio nome significa, é a Osteomalácia doença dos ossos moles.

Ocorre tal doença pela falta dos mesmos elementos químicos: Cálcio, Fósforo e Vitamina D, na alimentação, em doses suficientes para manutenção das necessidades normais desses próprios organismos vivos.

Constatada a fragilidade óssea em animais adultos, quer associada ou não distúrbios tireodianos, o tratamento deve incluir suprimento de sais de cálcio, fósforo e vitamina D, quer na alimentação, quer suprido por outras vias.

Osteoporose

É doença observável na fase da vida chamada velhice. Os ossos vão gradativamente se tornando porosos (daí o nome da doença), com pouca substância constitutiva, daí serem possíveis e freqüentes fraturas até espontâneas.

Efetuadas radiografias do esqueleto desses animais, vão ser observados os ossos com pouca deposição cálcica e conseqüente aumento de sua transparência aos Raios X .

O tratamento resume-se na administração, como das doenças anteriores do mesmo gênero, de compostos cálcicos e fosfóricos, além da Vitamina D.

A alimentação desses animais deve também ser convenientemente orientada, para perfeito suprimento desses elementos químicos necessários.

Parasitoses externas

Bernes

São tanto os bernes quanto as miíases, causadas por larvas de algumas espécies de moscas, que pelo fato de serem carnívoras necessitam penetrar na pele de algum animal, para se nutrirem da sua carne, e assim cumprirem seu ciclo biológico, transformando-se em seguida em insetos adultos.

A Dermatóbia põe em geral somente 15 a 20 ovos por vez em cada inseto , porém pode chegar sua postura até a 400 ovos. Estes outros insetos são os veículos pelos quais a mesma se serve para levar seus ovos, e com eles, as larvas que vão em seguida, tendo contato com outros animais, e mesmo o homem, penetrar na sua pele, constituindo o que é denominado Berne. Após a penetração na pele, as larvas se desenvolvem alimentando-se da própria carne do hospedeiro. Ao cabo de 40 dias completam seu desenvolvimento (o que em alguns casos pode chegar a 70 dias), deixam o local em que estavam alojadas, e caem no solo, transformam-se em pupas, que após alguns dias dão nascimento ao inseto adulto, para novamente repetirem um novo e idêntico ciclo.

A larva desta mosca é facilmente identificável pelo seu tamanho, por ser das maiores que se conhece, em torno de até 10 mm e outras características só visíveis ao exame com lupa ou microscópio entomológico.

Sarna

Consiste em uma inflamação da pele causada por ácaros. Gatos de todas as idades são afetados.

Sintomas

O animal apresenta a pele espessa e com crostas. Há perda de pêlos e coceira intensa. O gato pode se ferir ao coçar, originando feridas com pus.

Conseqüências

Enquanto não for feito o tratamento, há debilitação do sistema imunológico. Depois de curada, não há seqüelas.

Contágio

É uma doença altamente contagiosa por contato direto tanto de gato para gato quanto para o homem.

Profilaxia

Essencialmente higiene. Devem ser evitados animais de rua ou com a doença. Dar banhos periódicos contra ácaros, se recomendado por veterinário.

Tratamento

Banhos com solução acaricida (indicada por veterinário).

Micoses

Inflamações na pele causadas por fungos. A micose mais comum nos gatos é a dermatofitose (fungos dermatófitos).

Sintomas

O animal apresenta pêlos quebrados, trechos de pele escamosa, lesões na pele e falhas na pelagem.

Conseqüências

Assim como a sarna, se for bem tratada, não há. Caso contrário, o gato poderá portá-la sem sintomas, transmiti-la e reapresentá-la.

Contágio

Altamente contagiosa, tanto para gatos quanto para o homem ( contato direto com o animal, utensílios e ambiente)

Profilaxia

Não exponha o gato a animais de rua ou com problemas de pele. Evite baixas imunológicas (oscilações bruscas de temperatura, estresse).

Tratamento

Aplicar antifungicida por via oral e por creme (no local).Desinfetar utensílios e ambiente com água sanitária

Pulga

Todo mundo conhece a pulga. Ela vive com o homem em todos os lugares, sobretudo onde a higiene não é adequada. É um saltador impressionante. De fato, pode ser considerada a maior campeã olímpica de saltos de todos os tempos. Pode saltar 75 vezes a sua própria altura e 25 vezes seu comprimento. Há pulgas treinadas para fazer toda espécie de acrobacias e algumas delas chegam a mover pequenas carruagens de papel.

Nem todas, porém, são amestradas. A maior parte vive nos mamíferos, nutrindo-se do seu sangue. Estas são perigosas. Quando passam de um hospedeiro para outro, podem levar germes de doenças graves. Aquelas que vivem nos ratos podem transmitir às pessoas a mortal peste bubônica. A pulga põe os ovos entre as tábuas do assoalho e outras frestas de casa. Em poucos dias saem as pequenas larvas brancas que se encasulam em lugares úmidos e escuros para transformar-se primeiro em ninfa (forma intermediária entre a larva e o inseto adulto) e depois em pulga adulta. Então saem para procurar um hospedeiro.

Infestação e sintomas

As pulgas são pequenos insetos marrons e sem asas. Elas dependem do hospedeiro, que neste caso são o cão e o gato, para se alimentarem e se protegerem, permanecendo toda a sua vida nestes e em outros animais contactantes. Além de provocarem incômodo pelas picadas, transmitem vermes, parasitas sangüíneos e podem induzir a processos alérgicos, diminuindo a qualidade de vida de nossos animais. Visto que são capazes de pular até 30 cm, não havendo, portanto a necessidade de contato íntimo, o cão ou o gato pode adquiri-las passeando na rua ou no próprio quintal, prédio ou carro onde possam ter acesso outros animais. Daí a importância de oferecer mecanismos de combate e proteção contra as pulgas. Caso o animal já as possua, ou apenas se queira evitar, há um verdadeiro arsenal disponível. Para cada caso há uma solução mais adequada, dependendo do grau de infestação, do tipo dos ambientes em que vive e freqüenta, do número e condições dos animais com quem tem contato e se é alérgico ou não. Tais fatores vão orientar o esquema de erradicação das pulgas quanto aos medicamentos e período necessários para tal.

Há mais de 2000 espécies em todo o mundo, porém, a Ctenocephalides felis felis é a mais comum. A pulga causa um prurido intenso devido as suas picadas. Existem animais que desenvolvem uma dermatite pruriginosa e pápulo-crostosa na região lombar, dorsal, coxal, caudal, abdominal e pescoço com áreas de rarefação pilosa. Ainda se encontram nos pêlos fezes das pulgas (pontos pretos que quando apertados observa-se uma coloração avermelhada).

Quando ingeridas pelos cães e gatos no ato de se lamberem ou se mordiscarem, ou pelo homem acidentalmente, levam, para o intestino, a forma infectante do Dipylidium caninum, verme cestóide, semelhante a Tênia, "solitária" do homem. Constitui-se, portanto, numa zoonose e pode, nos animais, levar a emagrecimento, diarréia, perda de pêlos e até à morte se não tratada. O animal apresenta coceira na região anal, arrastando a região no chão, e ,às vezes, podem ser vistas as proglotes do verme, pequenos reservatórios de ovos, em volta do ânus ou nas fezes, semelhantes a grãos de arroz.

Os gatos, por sua vez, são vítimas de um parasita sanguíneo, chamado Hemobartonella felis, transmitido naturalmente pela picada da pulga, causando a doença denominada de Hemobartolenose. Os sintomas são perda de peso, fraqueza, depressão e falta de apetite, devido a uma anemia que pode se tornar crônica. Se, não tratados, mais de 30% dos gatos podem vir a óbito.

Parasitoses internas

Bicho geográfico

É encontrada por toda parte onde se encontrem cães e gatos infectados com ancilostomídeos, sobretudo A. braziliense e A. ceylanicum. O problema é mais freqüente em praias e em terrenos arenosos, onde esses animais poluem e meio com suas fezes. Em muitos lugares, são os gatos as principais fontes de infecção. O hábito de enterrar os excrementos, tão característico desses animais, e a preferência por fazê-lo em lugares com areia, favorecem a eclosão dos ovos e o desenvolvimento das larvas. As crianças contaminam-se ao brincar em depósitos de areia para construção, ou nos tanques de areia dos locais destinados à sua recreação. Todos os animais domésticos devem ser tratados sistematicamente e com regularidade para prevenir as reinfecções.

Dipilidiose

A infestação por cestódios é extremamente comum em cães e, em menor extensão, em gatos. Os seres humanos podem tornar-se infestados com a forma adulta do cestódio (vermes chatos na sua forma) dipylidium caninum, em seguida à ingestão do hospedeiro intermediário, a pulga. Normalmente a infestação nos seres humanos exibe sintomas clínicos, ocorrendo com maior freqüência em crianças jovens.

Dirofilariose

Ataca, principalmente, o cão doméstico, o gato e várias espécies de animais silvestres. Referidos vermes são classificados na Ordem Spirurida, superfamília Filaroidea, família Filariidae. Nesse gênero (Dirofilaria), foram já descritas várias espécies, entre as quais: Dirofilaria immitis (Leidy,1856), e a Dirofilaria repens (Railliet y Henry, 1911). Ambas em sua fase adulta localizam-se no coração, especialmente em sua porção direita, na artéria pulmonar, e raramente outros vasos hemáticos e órgãos. A dirofilariose humana é raramente reconhecida, sendo causada por êmbolos de larvas mortas do parasita nos pulmões. Os êmbolos larvais são revelados radiograficamente como nódulos e, embora a moléstia seja freqüentemente assintomática, requer biópsia cirúrgica e avaliação histológica, para a confirmação do diagnóstico e eliminação de condições mais sérias.

Coccidioses

Com a denominação acima são nomeadas as doenças parasitárias causadas por protozoários da ordem Coccidia. Nessa ordem zoológica destacam-se aqueles pertencentes ao gênero Eiméria ou Isóspora, por serem parasitas tanto de animais domésticos como selvagens, causando-lhes enfermidades persistentes e tenazes principalmente quando criados em confinamento como é o caso de granjas ou parques zoológicos.

A enfermidade causada afeta principalmente a parede intestinal, além do fígado e rins em alguns casos, em cujos epitélios e endotélios esses parasitas exercem ação destruidora. Não há especificidade absoluta para esses parasitas, ou seja, determinadas espécies de coccidias podem infestar e causar a doença indistintamente em diferentes animais afins, como a lebre ou o coelho, o cavalo ou o burro, assim como espécies distantes na cadeia filogenética como o cão e o gato, assim como a ovelha e o veado.

Localizam-se esses parasitas no interior das células das paredes epiteliais ou endoteliais dos órgãos parasitados de seus hospedeiros. Tem o parasita a forma esférica ou oviforme e suas dimensões são diminutas, da ordem de algumas micra (milésimos de um milímetro), portanto só visíveis a través do microscópio, e em alguns casos com auxílio de técnicas especiais de coloração ou campo escuro (Ultramicroscopia ou Cardioide).

Somente são encontrados fora das células de seu hospedeiro, em forma chamada livre, de forma passageira e em seus estágios jovens denominados esporozoitos ou merozoitos. Já o chamado zigoto (ovo), de sua forma sexuada, maduram em liberdade.

Contágio e patogenia

Um determinado animal doente e infestado pela coccidia, ao defecar eliminará juntamente com suas fezes no terreno em que esteja alojado, os chamados oocistos que são as formas de resistência do parasita, estes por suja vez determinando contaminação tanto do solo quanto da água de bebida, esta em geral disposta no mesmo local. Quanto menor a higiene do local, tanto maior o perigo de contágio para outros animais que vivem no mesmo local, tanto através da água de bebida quando do própria ração, ou mesmo o próprio pasto servido e a disposição dos animais no local da criação. Aves silvestres contaminadas por coccidias, defecando nesses mesmos locais em que estejam alojados animais sendo criados, desempenham importante papel na disseminação da doença. Outro fator importante nesse contágio, é a superpopulação de uma determinada área criatória, que exerce simultaneamente maior probabilidade de contágio entre esses mesmos animais nesse local alojados.

Os próprios filhotes de uma determinada fêmea, no ato de mamarem em sua própria mãe podem se contaminar com o parasita, pelo ato de ao sugar as mamas também as lambem, e caso as mesmas contaminadas por oocistos serão os mesmos ingeridos vindo a lhes causar também infestação e no caso, por serem ainda jovens, a doença se revestirá de maior gravidade. Dessa forma, os oocistos que tiverem penetrado junto com alimentos irão se estabelecer nos intestinos desse novo hospedeiro, e ali ao penetrarem nas células da parede chamada epitelial ou endotelial desses novos hospedeiros, determinarem novo parasitismo. Associadas condições adversas tanto alimentares como climáticas ou de manejo, assim como carências nutritivas vitamínicas ou de sais minerais, revestirá a doença de maior ou menor gravidade.

Aqueles parasitas que tiverem penetrado nas células da parede intestinal de seus novos hóspedes, inicialmente destruirão essas células, para em seguida lesarem novas células vizinhas, dando origem então ao aparecimento de uma lesão na parede intestinal (úlcera), que passa também a sangrar, agravando o quadro parasitário com a perda de sangue decorrente e também com uma infecção causada por germes de associação existentes no próprio local. Com reiteradas infecções, o quadro de parasitismo evolui pelo aparecimento de inflamações catarrais de início dos órgãos digestivos, para em seguida com o aparecimento de sangue e pus nas fezes para uma enterite mais grave (hemorrágica). A própria ulceração da parede intestinal pode evoluir para camadas mais profundas dos intestinos, e ao atingirem a chamada muscularis mucosae ou mesmo a serosa, determinarem a perfuração dos intestinos e daí uma peritonite generalizada.

O diagnóstico da doença é feito por exame de fezes dos animais suspeitos, mediante técnica especial para pesquisa de protozoários. Porém, o exame clínico efetuado por profissional veterinário competente, é que avaliará ao mesmo tempo o estado geral dos animais da criação, seu estado geral e condições alimentares e de manejo, além da eliminação de outras possíveis moléstias que possam estar presentes concomitantemente, é o meio confirmatório do parasitismo na criação.

Tratamento

Existem a disposição no comércio especializado para animais, diferentes produtos fabricados por diferentes laboratórios, chamados por Coccidiostaticos, que são produtos que incorporados na alimentação dos animais, em diferentes proporção conforme a marca do Laboratório fabricante, que determinam controle para o parasitismo. Tais produtos farmacêuticos são patenteados por seus fabricantes, e quando ministrados na ração regularmente, estabelecem um equilíbrio entre o parasita e seu hospedeiro. Não que os animais fiquem livres desse parasitismo, ocorrendo apenas um equilíbrio que impede que a doença venha a causar maior dano ao rebanho. Poder-se-ia dizer que na realidade ocorre uma coexistência pacífica entre o parasita e seu hospedeiro, sem maiores conseqüências para o rebanho.

Oto-Micoses

Estas se constituem em manifestações relativamente freqüentes, tanto em animais, como no homem, e nada mais sendo que uma inflamação do conduto externo do ouvido causado por fungos.

A sintomatologia é a mais diversa, dependendo da região do ouvido atacada; Começa quase sempre por simples prurido na região externa do canal auricular, e quando não tratada, evoluindo até o tímpano, acompanha-se então por perda de audição, devido o acúmulo de secreção que acarreta, e sinais dolorosos; Pode progredir até o ouvido médio, e então as conseqüências podem ser graves, e dessa região do ouvido continuar mesmo ao ouvido interno, com sintomas que podem simular sintomas neurológicos, devido a proximidade do cérebro.

Patogenia

A localização dos vermes adultos e sua intensidade, ou seja: número relativo dos mesmos no interior do coração, é que determinará a maior ou menor gravidade desse parasitismo. No interior do coração desenvolver-se-há uma endocardite crônica, podendo haver formação de trombos e embolias, com suas conseqüências gerais. Quando localizados nas artérias pulmonares provocam sua dilatação. Em casos de infestação leve são encontrados até 50 vermes adultos no interior do coração do animal parasitado. Em casos mais graves tal número poderá a chegar a várias centenas desses vermes.

Sintomas

Tosse seca, respiração entrecortada, emagrecimento e perda do apetite, edemas e até ascite. Durante o progredir da enfermidade ocorre febre, hematúria (sangue na urina), hiperhemia pulmonar, hipertrofia hepática (aumento do fígado) e esplenomegalia (aumento de volume do baço), prurido, aparecimento de nódulos cutâneos, e até convulsões do tipo epileptiformes e mesmo paralisia do trem posterior.

Tratamento

A Fuadina, aplicada via intra-cardíaca tem dado bons resultados. O Hetrazam, durante 14 dias, aplicado via intramuscular também se revela eficiente contra o verme.Porém, estes procedimentos devem ser efetuados somente por veterinários.

Profilaxia

Existem no mercado alguns produtos comerciais que se dizem ativos contra a fase larval do parasita, ou seja sobre as microfilárias. Produtos esses que vem sendo utilizados por proprietários de cães, na eventualidade de exposição de seus animais em regiões onde a doença é enzoótica, principalmente regiões litorâneas de veraneio. Tais produtos devem ser aceitos sob reservas, por não haver ainda comprovação científica
cabal de suas eficácias.

Vermifugação

Quanto às especificações sobre vermífugos a serem dados a gatos que deles necessitem, recomendo que primeiro seja efetuado Exame de Fezes do animal em questão. Sendo os vermes intestinais que parasitam os intestinos pertencentes a vários grupos (Protozoários, Nematelmintos, Platelmintos, etc.), e mesmo dentro de um desses grupos existirem vermes, como por exemplo, o Ancylostoma caninum , que por ser hematófago (se alimentar de sangue), e não sendo eliminado pelos vermífugos administrados via oral, tornam a necessidade de prévio exame de fezes indispensável. Devido esses fatos, somente sendo efetuado prévio exame parasitológico de fezes, poderá uma prescrição vermífuga ser eficiente.

Não é aconselhável simplesmente administrar ao animal, um ou vários vermífugos numa determinada freqüência no tempo. Os medicamentos de ação vermífuga, como todos medicamentos são necessários apenas quando indicados (no caso do animal encontrar-se parasitado), caso contrário além de ser desnecessário poder também ser nocivo, pelo fato de todo medicamento, indistintamente, também ter alguma ação nociva, poderá quando administrado sem ser necessário ao invés de fazer bem ao animal poderá fazer mal, podendo levar o animal que dele não tinha necessidade por não se encontrar parasitado, até a uma intoxicação causada pelo próprio medicamento vermífugo.

Os vermífugos são medicamentos indicados para combater vermes intestinais quando eles existem parasitando um determinado animal. Ministrar um vermífugo, embora alguns deles tenham o que se chama amplo espectro de ação, sem saber se o animal está parasitado e se estando parasitado, qual ou quais os vermes que se encontram parasitando o animal, parece irracional.

Em caso de parasitismo, a medicação para ser eficiente, necessita ser administrada sob a forma de injeção parenteral, porque o medicamento sendo levado juntamente com o sangue pela circulação é ingerido o remédio pelo verme ao se alimentar de sangue (hematófago), e com ele também ingerindo o medicamento, e assim vir a morrer e ser eliminado. Em casos do parasitismo errático nos próprios gatos que os albergam nos intestinos, constituindo então um duplo parasitismo (intestinal e cutâneo), os cães apresentarão além de enterite hemorrágica (evacuam sangue), também forte coceira da pele causada pelas larvas que penetraram na pele e ali se instalaram de forma errática, principalmente nas regiões do ventre e das patas. Observando a pele com uma simples lupa, desses animais com o parasita erraticamente situado, verificar-se-há o trajeto do mesmo sob a epiderme, o que é denominado de Bicho dermográfico, dermatose serpinginosa ou Larva Migrans, o que explica o prurido manifestado pelos mesmos quando nessa forma parasitados.

É essa a principal razão da Legislação existente proibindo acesso de cães às praias, pelo fato de poderem ser os cães disseminadores desse parasitismo errático em banhistas, que venha a deitar-se nas areias que tenham sido contaminadas por fezes de animais portadores desse verme em seus intestinos, e com suas fezes juntamente depositados nas áreas de praias. Na região do Rio de Janeiro é esse parasitismo humano denominado de "Já-Começa" , em São Paulo simplesmente "Coceira das Praias". Além da larva do Ancylostoma, também outras larvas de moscas, formigas ou nematóides, também podem determinar idêntica doença errática.

Zoonoses

As Zoonoses são infecções e doenças que podem ser adquiridas em contato com animais de estimação como cachorro, gato e passarinho, ou ainda, pela ingestão de carne contaminada de animais como o gado ou o porco. Outras doenças podem ser contraídas através do contato não desejado com ratos, moscas e baratas, principalmente através da ingestão de água ou alimentos contaminados.

Leptospirose

Os roedores, principalmente o Rattus norvegicus (ratazana de esgoto) é o principal vetor e disseminador dessas doenças, além de outros roedores pertencentes ao gênero Mus (camundongo): Mus musculus; e mesmo o Rattus rattus (rato doméstico) que habita comumentemente residências rurais e vive no telhado dessas habitações. Estes todos também se contagiam com as Leptospiras e adoecem, porém sendo mais resistentes passam a elimina-las por longo período principalmente pela urina, e tendo esses roedores o infeliz hábito de urinarem na própria água de que se abastecem, passa a ser a água assim poluída por urina o meio de contágio para outros animais e ao homem.

É, portanto, essa doença uma zoonose, pelo fato de ser comum tanto ao homem quanto aos animais que com aquele habitam ou convivem. É doença freqüente entre pessoas ligadas pelo seu trabalho, com animais, tais como trabalhadores em abatedouros de animais (Matadouros), empregados de fazendas ou de curtumes de couros, além dos próprios veterinários. Pessoas que exercem trabalhos em limpeza pública (garis), departamentos de águas e esgotos, laboratoristas e mesmo professores e estudantes em contato direto com animais são também prevalentemente suscetíveis a contraírem essas doenças, quando não se precaviam convenientemente.

Em cães, a leptospirose assume caráter agudo, sendo os principais sorovares envolvidos o CANICOLA e o ICTEROHAEMORRHAGIAE. Nestes a doença tem início com febre alta, icterícia, insuficiência renal, vasculite generalizada grave além de lesões entéricas (intestinais). São os próprios cães já infectados ou ratos de esgotos, os principais responsáveis pela transmissão entre os canídeos. O hábito dos cães de se mutuamente cheirarem (principalmente seus órgãos sexuais externos), facilita a transmissão da doença, pelo fato de ser a urina o principal meio de contágio e que contem os agentes causais durante tempo longo, e mesmo após a cura do mal entre os animais que se salvaram.

Diagnóstico

Os sintomas apresentados pelos animais, tais como febre, icterícia, abortos, etc., sugerem ao veterinário a possibilidade da doença, que deve ser confirmada por exames laboratoriais.

Profilaxia

Envolve várias técnicas, que vão deste a inoculação de vacinas nas espécies domésticas sensíveis ao mal, assim como o próprio homem, e combate e captura de ratos de esgotos. Especial cuidado devem ser tomados quando por ocasião de cheias ou enchentes, pelo fato destas determinarem a saída das galerias pluviais e esgotos das ratazanas que nesses locais se alojam e vivem.

Combate aos ratos de esgotos: Simples captura a través de armadilhas (ratoeiras), e mesmo com colocação de iscas envenenadas para combate desses indesejáveis roedores. Produtos químicos especiais, chamados de raticidas, podem ser empregados para esse fim, porém com especial cuidado para que não sejam tais produtos, assim como iscas envenenadas, ingeridas acidentalmente por outros animais domésticos.

Vacinação

Existem no mercado de produtos veterinários, vacinas específicas contra esse mal, preparadas para cada espécie de animal doméstico a ser inoculado preventivamente. Devem ser repetidas periodicamente conforme indicação de cada laboratório fabricante dessas vacinas.

Isolamento das pessoas ou animais infectados, como meio de evitar-se o alastramento do mal para outros organismos suscetíveis. Especial cuidado deve ser tomado com os excretas desse animais, principalmente da urina.

Campilobacteriose e salmonelose

Cães e gatos podem abrigar campylobacter jejuni e uma série de espécies não-tifóides de salmonella. Infecções com estas bactérias em cães e gatos nem sempre causam moléstias clínica, e têm sido isoladas das fezes de animais sadios. A maior parte dos casos de enteropatia (problema intestinais) humana causada por estas bactérias não está associada à exposição a animais de companhia. os profissionais devem aconselhar os donos de animais que todas as fezes, e em especial as associadas com diarréia, devem ser manipuladas com cuidado, e eliminadas de modo a impedir a potencial exposição humana.

Dermatomicose

A transmissão direta de microsporum canis de cães e gatos de fato ocorre. Até 30% dos casos de "tinha" humana em áreas urbanas foram associados a contato direto com animais. Os proprietários dos animais devem ser aconselhados a lavar bem as suas mãos, após a manipulação de cão ou gato infectado, e a não permitir que seus filhos brinquem com os animais, até que o tratamento tenha resolvido a moléstia.

Esporotricose

É uma moléstia fúngica cutânea ou linfocutânea crônica causada por sporothrix schenckii, cães, gatos, e seres humanos são suscetíveis à moléstia, que geralmente está associada a feridas traumáticas, penetrantes. Relatos recentes indicam que os cães infectados podem transmitir diretamente a infecção para os seres humanos. Devido a estes achados, gatos com esporotricose devem ser manipulados com luvas, até à resolução do processo.

Toxoplasmose

A toxoplasmose é uma zoonose parasitária causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, responsável por causar lesões clínicas polissistêmicas. Este parasita possui distribuição em todas as áreas do mundo onde há gatos, pois estes são hospedeiros definitivos do parasita, isto é, são os únicos que completam a fase sexuada do parasita, a qual leva à excreção de oocistos nas fezes. Este padrão de multiplicação denomina-se ciclo enteroepitelial.

Os hospedeiros intermediários, que podem ser a maioria das aves, anfíbios, peixes, répteis e mamíferos (incluindo os seres humanos), se infectam pela ingestão de oocistos esporulados oriundos das fezes dos gatos infectados, fechando assim, o ciclo evolutivo parasitário.

Os gatos tornam-se infectados pela ingestão de oocistos esporulados, ou pela ingestão de cistos extra-intestinais nos tecidos dos hospedeiros intermediários (ex: caça, carne crua).

Sintomas

Os sinais e sintomas clínicos geralmente não estão associados ao ciclo enteroepitelial nos gatos. Após a infecção, excretam oocistos em suas fezes durante três semanas, aproximadamente e tornam-se infectantes (esporulados) em dois ou três dias. Os sinais e sintomas clínicos da toxoplasmose podem ocorrer em hospedeiros intermediários, inclusive os gatos, durante a fase aguda da infecção extra-intestinal. As síndromes clínicas mais comuns são : deficiências neurológicas, retinocoroidite, polimiosite, linfadenopatia, hepatite, pancreatite, granuloma intestinal, abortamento e moléstia neonatal.

Diagnóstico

O diagnóstico da toxoplasmose se faz pela combinação dos sinais clínicos com os testes sorológicos.

Tratamento

Para sinais clínicos no ciclo extra-intestinal em gatos, polimiosite e retinocoroidite : é utilizado cloridrato de clindamicina na dose de 25mg/Kg V.O. TID por 21 dias. Casos de uveíte anterior: administração tópica de acetato de prednisona a 1%, duas gotas nos olhos acometidos 4 vezes ao dia.

Para diminuir possíveis efeitos colaterais por uso prolongado de medicamentos utiliza-se ácido fólico 50mg V.O., levedura de cerveja 100mg/Kg/dia, ácido folínico 1mg/Kg V.O.
Acometimento ocular e do sistema nervoso central utiliza-se trimetoprim - sulfadiazina, 15mg/Kg BID, 14 a 21 dias.

Infecção humana-prevenção

Infecções extra-intestinais ocorrem em seres humanos, e os sintomas são similares aos ocorrentes nos cães e gatos.

A infecção humana ocorre com a ingestão de trofozoítos na carne crua ou mal cozida, ingestão de oocistos proveniente das fezes de gato e pela via transplacentária.

As infecções humanas em sua maioria são assintomáticas, mas a infecção congênita do feto humano, através da transmissão placentária representa a maior ameaça aos seres humanos. Podem resultar em morte fetal e em abortamento no primeiro trimestre de gravidez, ou em deficiências neurológicas e visuais no último trimestre de gravidez.

Visto que a infecção humana pode ocorrer em decorrência da exposição aos oocistos nas fezes do gato, mulheres grávidas não devem limpar as caixas de necessidades. Estas caixas devem ser higienizadas diariamente para que se impeça que os oocistos se tornem infectantes.

Os gatos não devem receber carne crua e nem devem caçar (passarinhos, ratos, etc.), quando houver uma gestação.Deve-se lembrar também que, a infecção humana pode ser contraída pela ingestão de carne crua ou mal cozida, e não apenas a partir das fezes de gato.

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