Início Pecuária Agricultura Aquicultura Horticultura TV Criar e Plantar

Busca no Site

Seções

Eqüino


Manejo alimentar

Pastagens

Divisão das pastagens e cercas

Num planejamento racional da criação, as divisões das pastagens dever ser previamente determinadas, por diversos fatores entre os quais podemos citar:

- facilitar o manejo dos animais e das pastagens;

- evitar a utilização demasiada das pastagens, ou ao contrário, a subutilização                          

-  melhor aproveitamento das aguadas;

 - separar as várias classes de eqüinos: potros desmamados das mães; éguas prenhez dos garanhões ou rufiões; potrancas jovens dos potros, etc..

Estas cercas não devem ser de arame farpado. Os ferimentos provocados pelo atrito com as farpas do arame constituem elemento de acidentes e preocupações indesejáveis, além de ser fator de depreciação do valor animal.

O material mais utilizado atualmente é o arame liso grosso, ou de aço ovalado e galvanizado que pode ser mais fino. Os postes ou mourões devem ser de madeiras duráveis ou então submetidos a tratamentos de conservação. Podendo ser utilizados também, postes de cimento armado, os quais são feitos com furos para passagem do arame. Outro tipo de cerba também bastante utilizado, é a cerca de madeira. Apesar de ter seu pe´riodo de vida mais curto, necessitando de constantes reparos, confere as instalações um aspeto mais agradável em comparação às cercas de arame.

Qualidade do pasto

Desde o tempo da colonização no Brasil, nas propriedades rurais, os piores terrenos, tanto em relevo como em produtividade, foram legados aos eqüinos. Exemplo disto é a expressão "Pasto das Éguas", utilizada para discriminar determinando o local da propriedade onde nenhuma atividade seja ela pecuária ou agrícola, teria sucesso.

Felizmente esta prática está deixando de existir, pois os criadores atuais mais esclarecidos, dão maior importância às pastagens, pois as consideram como cultura e não mais como uma atividade predatória. Muito se tem falado, ao longo tempo, que de nada adianta adaptarmos gramíneas desenvolvidas para bovinos em eqüinos. Os bovinos têm hábitos de pastejo, bem como fisiologia, diferente dos eqüinos. Enquanto nos bovinos (ruminantes) a assimilação de toda a energia dos compostos vegetais fibrosos se dá no complexo “rúmen”; nos eqüinos (não ruminantes) é no intestino grosso (ceco funcional), local de abrigo dos microorganismos, destinados a realizar a digestão desses alimentos (volumosos). Por este motivo, toma-se importante a ingestão da fração fibra, responsável pelo equilíbrio e bom funcionamento do sistema digestivo. Não devendo, portanto, em hipótese alguma ser desprezada em qualquer  programa alimentar.

Quanto ao hábito de pastejo, a apreensão dos alimentos nos cavalos se dá pelo lábio superior, usando os dentes para o corte de gramíneas, auxiliado pelos movimentos da cabeça; já nos bovinos, esta apreensão é feita pela língua que enrola a vegetação prensando-a no palato superior (céu da boca arrancando-a com um pequeno movimento da cabeça). Surge então a necessidade da escolha da gramínea adequada ao hábito de pastejo dos eqüinos. Neste caso, as gramíneas de crescimento estolonífero ou semidecubente de desenvolvimento rasteiro, pois o pastejo baixo promovido pelos eqüinos não causará grandes danos ao meristema apical, responsável pelo crescimento das plantas. Por este motivo, não é uma prática adequada, a utilização de capineiras para eqüinos em pastoreio direto.

A oferta de pastagens de qualidade para os animais têm seus benefícios comprovados. Garante a perfeita  e saudável condição física do animal,  possibilita através da exposição ao sol, a síntese da vitamina. Além de propiciar exercício o ar livre, fator de fundamental importância para a saúde mental do animal.

Atualmente é constatação dos especialistas, não exigir para a formação de pastos, o capim ideal,e sim o capim adaptável a  qualquer tipo de solo, clima, e que ao mesmo tempo atenda a diversas necessidades de alimentação de eqüinos. Através dos trabalhos de pesquisa, diversas espécies de capins ganharam novas variedades adaptadas a determinadas características que limitavam sua produção, ou desenvolvidas para regiões específicas,ou que ganharam através de aperfeiçoamento genético melhor padrão de qualidade. Por outro lado, devemos considerar que o sistema solo-planta-animal é dinâmico; o solo, junto com a espécie forrageira escolhida, é fundamental para a produção da boa pastagem.

Principais características das espécies forrageiras ideais a produção de volumoso

- Plantas de crescimento agressivo, cobrindo rapidamente o solo, evitando a esterilidade do terreno causada por chuvas, ventos e exposição solar do solo nu; resistente ao pisoteio, pragas, doenças, geadas e secas; Boa quantidade de massa filiar (verde);
- Facilidade na prática da fenação, isto é, pequena perda filiar no processo de desidratação de planta (ver processo de fenação);
- Adaptáveis as nossas condições climáticas e de solo;
- Bom valor nutritivo;
- Pouco exigente quanto a fertilidade do solo.

Principais gramíneas para eqüinos

Capim Rhodes (Chloris Gayana)

Excelente para pastagens de pouca duração, pois exige renovação a cada três anos ou para fenação. Apesar de ser um capim de touceira ele também dá em estalões como a grama; apresenta hábito de crescimento misto de prostrado e cespitoso. Cresce a uma altura média de 1,5 m., devendo ser utilizado como pastagem só depois do primeiro corte. É mais recomendado para a produção de feno. E exigente em adubos de curral para produzir abundantemente.

Capim Pangols (Digitaria decubens)

Existem diversas variedades, prefere-se a Pangolina. E pouco exigente em relação ao solo, propaga-se rapidamente, proporcionando boa pastagem e bom feno. Recupera-se rapidamente após a ocorrência da geada. Recomenda-se fazer o rodízio das pastagens, pois ela é estragada pelo pisoteio mais que as outras espécies.

Capim Kykuiu (Pennisetum clandestinuun)

É mais exigente que as anteriores, sua palatabilidade é bastante inferior, quando não é tenro, entretanto oferece excelente valor nutritivo e apresenta boa recuperação após a seca ou geada. Requer solo fértil ou grande adubação de esterco e umidade suficiente; nestas condições, apresenta crescimento agressivo e fornece também feno de boa qualidade.

Grama de Bermuda (Cynodom dactylon)

É uma das forrageiras mais importantes nos climas tropicais, de hábito de crescimento prostrado, vegeta durante todo ano, sendo pouco exigente quanto a fertilidade do solo, respondendo bem a adubação nitrogenada.

Capim agulha (Brachiaria humidícola)

Das brachiarias, talvez a mais consumida pelos eqüinos é o capim agulha, pois este possui maior palatabilidade para os eqüinos, Tem hábito de crescimento prostrado; é uma planta rizomatosa, que cobre totalmente o solo quando adulta, protegendo-o da erosão com bastante sucesso. E resistente ao pisoteio e aparentemente pouco atacada pelas "cigarrinhas das pastagens". O desenvolvimento da B. Humidícola, inicialmente lento, em aproximadamente um ano, dará cobertura total ao terreno.

Estrela Africana (Cynodon Plectostachyus)

Espécie de crescimento prostrado prefere solos de textura argilo-arenosa. Extremamente resistente ao pisoteio e apresenta valor nutritivo bom e notável capacidade de cobrir terreno. Entretanto é menos resistente à geada comparando se com a grama de Bermuda. Regra geral não recomendada para fenação, dando-se a preferência para o capim Rhodes.

Coast Cross (Cynodon Dactylon)

O coast-cross é uma forrageira perene, subtropical, híbrida, desenvolvida na Geórgia, EUA, pelo cruzamento entre espécies de Cynodon (grama-bermuda). É resistente ao frio, tolerando bem geadas. Apresenta bom valor nutritivo (teor protéico: 12 a 13%), alta produção (20 a 30 t/ha/ano de matéria-seca) e alto nível de digestibilidade (60 a 70%). Por apresentar alta relação folha/haste e responder vigorosamente à adubação, constitui-se em excelente opção para fenação. Comparado com o capim-de-rhodes, o coast-cross apresenta vantagens, pois, além de ser mais macio, produzindo bom feno, o seu hábito prostrado e estolonífero lhe assegura maior persistência, podendo ser utilizado em pastejo por bovinos e eqüinos.

Principais leguminosas para eqüinos

Soja Perene Comum: - planta que exige melhores solos, isto é, livre alumínio, com bom teor de Ca e Mg (Cálcio e Magnésio). Vai bem em clima ameno e de altitude. Tem florescimento tardio, produzindo boa alimentação até a entrada do inverno. Suporta melhor o frio que a centrozema.

Lablab Purpureos: - destaca-se das demais leguminosas pela alta produção e pela adaptação as diversas condições de solo e de clima. E de fácil cultivo, pois é pouco exigente de solo; porém, não tolera os maus drenados e os excessivamente ácidos, se mantem verde durante a seca, tolera o frio embora seja afetada pela geada. Tem hábito decumbente e trepador, apresentando desenvolvimento vigoroso após 40-60 dias depois do plantio.

Centrocerna Pubesceus: - caracteriza-se por vegetação espontânea nas zonas costeiras do Vale do Paraíba, no Pantanal e na Amazônia. Portando é pouco agente de solo. Adapta-se bem em clima quente úmido e livre de geada. Tem crescimento rasteiro e emite estalões que ao encontro de algum obstáculo, sobem. Nas condições climáticas citadas, ela desenvolve-se melhor que a soja perene.

Galactia striata: - é encontrada nativa em certas áreas do Estado de São Paulo, apresentando crescimento vigoroso, produzindo semente abundante e mantendo-se verde durante a seca. Resultados obtidos até o memento, indicam que sua produção de matéria seca (M.S.) e de proteína bruta (P.B.) é superiora de outras leguminosas conhecidas, prestando-se, portanto, para a produção de feno.

Para estarmos devidamente preparados, seguros, quanto a esta fonte de alimentação há necessidade de se usar ou plantar pelo menos três variedades de forrageiras, pois não existe nenhuma planta que reúna todas essas características. Devemos, portanto, instalar diversas gramíneas em diferentes piquetes, nunca dois ou mais tipos num mesmo pasto, pois estas têm comportamentos de crescimentos distintos. Não se admite pastos chamados "saladas". Há necessidade algumas vezes de uma consorciação, neste caso, esta deverá ser sempre uma gramínea e uma leguminosa, porque os animais pastam seletivamente.

Alfafa (Mendicago Sativa)

A imagem de fardos de alfafa está associada indissoluvelmente à presença de cavalos. De origem asiática, a alfafa é uma planta forraginosa da família das leguminosas, subfamília papilonácea, sendo muito rica em proteínas, vitaminas e sais minerais. No Brasil, seu uso é restrito à forragem de cavalos de esporte, principalmente devido aos altos custos de produção, sendo raramente utilizada na alimentação de outros animais ou em rações industrializadas.


A alfafa é usualmente consumida na forma de feno, o que facilita o transporte e a estocagem. O processo de fenação retira 75% do líquido sem prejuízo do valor nutritivo original e das propriedades fibrosas. Um cavalo consome, em média, 5 quilos de feno por dia, que pode ser de alfafa ou de capim da espécie Cynodon Dactylon, comumente chamada de Bermuda (coast cross, tifton 85, florakirk, jiggs etc). Especialistas da área são contrários à ingestão da alfafa
pura pelos cavalos estabulados, principalmente pelo excesso de proteína bruta em quantidade acima da necessária para os cavalos de competição.

Três razões foram, citadas como importantes: a alfafa pura aumenta a necessidade de água pelo aumento da ingestão de proteína; os níveis de uréia aumentam no sangue e podem causar distúrbios intestinais como enterotoxemia; e por fim, aumento da amônia no sangue causa problemas como irritação nervosa e distúrbios no metabolismo dos carboidratos.

Fenação

Analisando o gráfico da produção do verde, nas diferentes épocas do ano observamos os períodos de fartura, equilíbrio e escassez, percebendo daí, a necessidade de armazenamento alimentos para os meses de escassez, com as sobras do período de fartura.

Ao processo de conservação de forragens através da desidratação, damos o nome de fenação. Neste processo, reduz-se o teor de umidade de 70 a 80 % da massa verde para 12 a 15 % na massa fenada, através da exposição solar, bastando apenas dois dias em média para se levar a cabo o processo de fenação.Escolhemos para isso os dias de menor grau de umidade do ar.

O melhor período para a colheita da massa verde destinada a produção de feno é de novembro a fevereiro (águas), no qual a planta atinge o seu crescimento máximo.

Ao contrário nos meses que vão de maio a setembro, as plantas não se desenvolvem por ausência ou carência de quatro fatores: água, temperatura baixa, luminosidade e radiação solar insuficiente (dias curtos). Por isso, a prática da irrigação para a produção de feno não é utilizada, pois forneceria apenas um fator (água).

As plantas mais adequadas à fenação são as gramíneas as quais produzem quatro vezes mais matéria seca que as leguminosas, pois nestas ocorre grande perda de folhas no processo, além de apresentar dificuldade no corte devido a presença de cipós.

O fator determinante da qualidade da massa fenada é a velocidade do processo de desidratação; neste período deve-se proceder a ceifa após o período de evaporação do orvalho matinal (das 9 às lO hs.). Para aumentar a desidratação da massa verde, deve-se proceder viragens sucessivas, sendo que quanto maior op período de viragens, maior será a velocidade de desidratação e melhor será a qualidade da massa.

Existem diversas maneiras para reconhecer-se o "ponto-de-feno", sendo mais prática, colher faixas de capim ceifado, torce-los entre as mãos e observar: o capim não deverá apresentar escorrimento de seiva, nem quebrar por estar seco. O capim estará no ponto-de-feno quando apresentar maleabilidade (maciez), cor esverdeada (cáqui) e estrutura de palha: flexível e não quebradiço.

O armazenamento do feno deverá ser feito em local protegido de umidade e ventilado.

Produção das forrageiras

Leguminosas Taxa de semeação Produção massa seca Ha/ano
Soja perene comum 3 a 5kg/ha -
Lab lab 10 a 20 kg/ha 40 ton
Centrocerna 3 a 5 kg/ha -
Galactia 4 a 6 kg/ha -

 

Gramíneas Taxa de semeação Produção Massa-Seca
Capim rhodes 4 kg/ha 20 ton
Capim pangola muda 10 a 16 ton
Capim kikuiu muda -
Capim kikuiu semente 2 a 4 kg/ha -
Estrela africana muda -
Grama bermuda 12 kg/ha 20 ton
Brachiaria humidícula 5 a 10 kg/ha -

Concentrado

Até algum tempo, raramente os eqüinos recebiam alimentos concentrados, fenos de gramíneas ou leguminosas. A pastagem sempre constituiu a alimentação natural do cavalo e, para tanto, seu aparelho digestivo está anatômo  e fisiologicamente preparado para a digestão. Normalmente, pastagens de boa qualidade são suficientes para manter as condições físicas dos cavalos em bom estado.

Os eqüinos adultos em descanso podem receber apenas alimentos volumosos (de boa qualidade) para suprir todas as suas necessidades. Todavia, os animais adultos em trabalho, os potros em crescimento, as éguas em gestação ou lactação e os garanhões, não conseguem atender a todas as suas necessidades nutricionais quando recebem apenas alimentos volumosos.Nessas condições, pelo menos 50% das exigências diárias de energia devem ser fornecidas pelos alimentos concentrados.

Na manutenção de grande número de animais em espaço pequeno ou áreas de solo de baixa qualidade, existe a necessidade de se alimentar os animais com o emprego parcial de alimentos concentrados, ricos em nutrientes como; proteína, energia, minerais e vitaminas

O correto arraçoamento consiste em definir o melhor local e o melhor horário para fornecer as rações nas quantidades necessárias. É preciso ter sempre em mente que a ração fornecida aos eqüinos deverá apenas cobrir o que volumoso não esteja fornecendo, ou quando na atividade imposta ao cavalo como: crescimento, gestação, lactação ou intenso trabalho, ele não consegue retirar dos alimentos volumosos todos os nutrientes que precisa. Portanto, as recomendações que serão feitas, para as diversas categorias, serão sempre no sentido de quantidades variáveis.

Email:
Senha:


Esqueci Senha
Cadastre-se
Receba as notícias
© 2001 - 2013 Criar e Plantar - Todos os direitos reservados