Início Pecuária Agricultura Aquicultura Horticultura TV Criar e Plantar

Busca no Site

Seções

Caprino


Manejo alimentar

Nutrição de caprinos leiteiros

Introdução

No Brasil e na maior parte do mundo, a cabra sempre foi subestimada como uma espécie com potencial de produção, capaz de responder a um sistema de criação com nível tecnológico avançado. Segundo Morand-Fettr (1981), as razões que explicam esta capacidade de adaptação são notadamente sua afinidade com a flora arbustiva; sua aptidão em escolher as partes mais nutritivas dos vegetais disponíveis; sua capacidade de ingestão, superior aos outros ruminantes; sua capacidade de melhor digerir a celulose da dieta e sua aptidão leiteira.

Comportamento alimentar do caprino

Seletividade e aceitabilidade dos alimentos

Os caprinos podem utilizar como alimento: folhas, brotos, galhos, ervas. etc., além de se alimentarem também de capins, fenos, silagens, tubérculos e concentrados. Apresentam uma característica peculiar que é a capacidade de aceitar uma ampla variedade de vegetais. Esta habilidade explica em parte, a grande adaptabilidade do caprino às mais diferentes condições ambientais, permitindo que seja encontrado em regiões temperadas, semi-áridas ou superúmidas.

Por outro lado, o caprino é uma espécie extremamente seletiva e caprichosa. Por sinal, SI (1978), destaca que a própria palavra capricho deriva da palavra latina capra, que significa cabra.

A seletividade das cabras leiteiras ocasiona duas conseqüências importantes: de um lado, o valor nutritivo do alimento ingerido é sensivelmente diferente do distribuído, por outro lado, em razão deste comportamento seletivo, a cabra tende a recusar uma porção importante do alimento, que varia conforme a quantidade, a natureza do mesmo e também do tempo que ela dispõe para exercer sua escolha.

O comportamento da cabra a pasto, onde tem possibilidade de selecionar a vontade sua ingestão levando a desperdiçar até 55% da forragem disponível, o que poderá ocasionar um não preenchimento de suas necessidades produtivas. Isto significa, que as cabras mantidas em regime semi-intensivo, devem receber uma suplementação volumosa no cocho.

O aumento da quantidade de forragem distribuída a um nível superior da capacidade de ingestão da cabra, melhora o consumo, sobretudo quando a forragem é de qualidade inferior.

Um aspecto importante a ser analisado, é a aceitabilidade dos alimentos oferecidos à cabra.

Forragens, concentrados e minerais, podem ser recusados por todas as cabras ou parte de um rebanho, podendo ainda, serem ingeridos em quantidade limitada, ou insuficiente para o preenchimento das exigências nutricionais. Mais que a composição do alimento, parece que suas propriedades físicas como textura, consistência, etc, e sua apresentação, exercem um papel importante, sendo que no caso de concentrados a má aceitabilidade possa ser decorrente de um desequilíbrio alimentar (mistura muito rica em amido, nitrogênio fermentável ou celulose) ou uma complementação inadequada da ração básica, por esta mistura.

As informações a serem utilizadas pela cabra em seu comportamento seletivo, lhes são fornecidos pelos seus diferentes sentidos. A visão pouco interfere, no entanto, o olfato e a gustação, desempenham um importante papel.

Trabalhando com diferentes espécies de ruminantes, Goather & Church ( 1970 ) concluíram que a cabra pode distinguir os sabores doce, salgado, ácido e amargo, sendo mais tolerante este último que os bovinos, o que explica o grande número de espécies vegetais por ela aceito.

O estado fisiológico do animal também afeta a aceitabilidade dos alimentos, sendo mínima em torno do parto. A cabra é mais suscetível as recusar um alimento quando seu potencial de reprodução é elevado.

Nível de Consumo Alimentar

O nível de consumo de alimentos é geralmente expressa em quantidade de matéria seca (M.S.) ingerida. Está na dependência das necessidades energéticas do animal para sua manutenção e produção que dependem de fatos individuais, como idade, peso, nível de produção e do estado fisiológico (crescimento, gestação, lactação). A duração das refeições e as características do alimento, também exercem marcantes influências sobre o consumo de matéria seca dos caprinos.

Além do enchimento do rúmen e do retículo, outros fatores podem controlar a ingestão, sendo que, todo aporte alimentar capaz de aumentar a atividade das fermentações ruminais, como fontes de amido ou compostos nitrogenados, pode desencadear uma ingestão suplementar pela cabra. Uma outra causa que altera o consumo é a forma de apresentação da forragem. Não é necessário que a mesma seja picada, sendo que o nível de ingestão é cerca de 15% superior para os animais que recebem forragem inteira, principalmente feno. Todavia, no caso de vegetais com colmo, deve se cortá-los, para que haja diminuição das perdas.

As condições ambientais também afetam sobremaneira o apetite dos caprinos, com maior intensidade que nos outros ruminantes. Assim, o consumo em dias de chuva ou de forte calor, diminui drasticamente, podendo chegar a ser nulo.

O consumo de M.S. oscila entre 2,5% e 4% do P.V. nos caprinos produtores de carne ou mistos e entre 3,0 % e 8,0 % nas raças leiteiras européias (Jardim 1979).

O consumo de alimentos no inicio da lactação está fortemente correlacionado positivamente com o nível de ingestão de forragens antes do parto, e negativamente ao nível de ingestão de concentrados, comprovando que o consumo no inicio da lactação, depende do volume do rúmen e do estado nutricional. Conclui-se com isto, que as cabras em término de gestação devem receber forragem de excelente qualidade, na tentativa de manter um consumo elevado, que redundandará numa maior capacidade no pós-parto.

Outras causas, como enfermidades metabólicas, digestivas, patológicas ou ainda carências nutricionais, podem diminuir a capacidade de consumo. Uma diminuição no consumo de água, seja qual for à razão, também afetará sensivelmente o consumo de matéria seca.

O Aparelho digestivo da Cabra e sua Eficiência

É difícil afirmar, pelos estudos até agora efetuados, que a anatomia do aparelho digestivo do caprino apresente diferenças acentuadas com relação aos outros ruminantes. Quanto ao desenvolvimento, o rúmen cresce muito mais rapidamente que o retículo e o omaso, enquanto que o abomaso, cujo peso atinge 50% do total ao nascer, não apresenta mais que 20% aos 6 meses de idade. O alimento básico do jovem ruminante, no inicio da vida, é apenas líquido, o qual passa por intermédio da goteira esofagiana, indo diretamente ao abomaso. À medida que o cabrito começa a consumir sólidos (forragens ou concentrados), estes vão ao rúmen, desencadeando o desenvolvimento da população microbiana, ao mesmo tempo em que sua ação mecânica sobre as paredes, acelera o desenvolvimento da musculatura ruminal.

A ruminação da cabra parece ter características comparáveis à vaca e a ovelha, sendo o número de períodos um pouco diferente de uma espécie à outra. A cabra rumina de 7 a 8 hs/dia e 75% de sua atividade efetua-se sobretudo à noite.

A população microbiana do rúmen da cabra é constituída principalmente de bactérias e protozoários. Os microorganismos ruminais obtém a energia que necessitam, principalmente das fermentações dos açúcares solúveis, amido e glicídios. No entanto, para que a síntese proteica-bacteriana ocorra, é necessário que a dieta contenha energia suficiente - cerca de 65 - 70% de NDT.

Os minerais são também indispensáveis ao desenvolvimento e eficiência da atividade da fauna e flora ruminal caprina.

Considerando-se que o caprino se caracteriza por sua capacidade de sobrevivência em condições ambientais adversas e sob nível nutricional baixo, é provável que sua eficiência digestiva seja um tanto quanto diferente à dos outros ruminantes.

Em experimentos com níveis qualitativos diferentes de forragens, observou-se que à medida que se passa de uma dieta com nível nutritivo mais elevado para um nível mais baixo (aumento do teor de celulose e diminuição da taxa de proteína), o caprino apresenta tendências em conseguir melhores desempenhos.

As diferenças entre caprinos e outros ruminantes podem ser explicadas por diferenças relacionadas aos fenômenos digestivos. Um maior desaparecimento da celulose e uma maior retenção do nitrogênio da dieta, no rúmen da cabra, poderia ser justificado por uma síntese microbiana superior na cabra.

Com uma mesma quantidade de alimento, a cabra produz mais leite, gasta menos nutrientes para a mantença e mais com a digestão e metabolismo do que a vaca.

Necessidades Nutricionais

Nutrir eficientemente um animal significa fornecer-lhe adequada proporção de proteínas, energia, minerais, vitaminas e água, que se altera de acordo com a espécie e categoria do animal.

Necessidades Energéticas

Os requerimentos energéticos para mantença estão na dependência da relação superfície corporal/peso vivo, que aumenta à medida que diminui o tamanho do animal e do ritmo metabólico. Na prática, o estado fisiológico, as condições do meio e o nível de atividade física aplicado à busca do alimento, modificam sensivelmente o valor do dispêndio energético de mantença em caprinos.

Necessidades Protéicas

A proteína digerida por ruminantes é de origem microbiana, sendo que a natureza do nitrogênio da dieta é menos importante. Quando as proteínas consumidas pelo animal, atingem o rúmen, são hidrolisados pelos microorganismos em peptídeos, aminoácidos e amônia. Este mecanismo permite ao ruminante, transformar alimentos relativamente grosseiros em produtos altamente nutritivos destinados à alimentação humana.

Necessidades Minerais

A nutrição mineral é um assunto bastante complexo, tendo em vista não apenas as diferenças nos requerimentos conforme a espécie e categoria animal, como a inter-relação entre diversos elementos. Assim, o excesso de um elemento pode inibir a absorção de um outro, assim como, ocasionar problemas ao animal. O balanceamento da mistura colocada a disposição dos animais deverá ser efetuado com base nas exigências e de acordo com a composição media dos alimentos fornecidos.

Necessidades Vitamínicas

As vitaminas são divididas em dois grupos: lipossolúveis (A, D E,K) e hidrossolúveis (Complexo B, C, PP). Da mesma forma que os outros ruminantes a cabra precisa ingerir apenas as vitaminas A, D, E pelo fato dos microorganismos do rúmen terem capacidade de sintetizar as hidrossolúveis, assim como a vitamina K. Os jovens cabritos, no entanto, por não ter ainda o rúmen desenvolvido, depende do aporte de vitaminas do Complexo B.

Requerimento de Água

O consumo diário de água varia com o tipo de alimento, sistema de criação, temperatura ambiente e produção individual. Segundo Jardim (1979) afirma que um animal leiteiro de 50 Kgs., consome em média, de 2,5 a 4,0 l. de água por Kg. de MS, o que representa mais de 6,0 l/dia, incluindo água de bebida e a constituinte dos alimentos. O autor acrescenta, que o consumo varia de 0,5 a 3,0 l., quando sua dieta é composta por forragens verdes e tenras, sendo que as cabras em lactação ingerem 50% mais água que outras categorias. Outro aspecto, é a temperatura da água. Os ruminantes em geral a preferem quase morna.

Alimentos para caprinos

Os alimentos são agrupados em dois grandes grupos: concentrados e volumosos. Os concentrados são alimentos com baixo teor de fibras e alto em nutrientes digestíveis totais (mais de 60% NDT), enquanto que os volumosos são ricos em fibras e pobres em NDT (mais de 18% FB na M.S).

Volumosos Verdes Pastos
Capineiras
Culturas Forrageiras
Silagens
Frutos
Raízes e Tubérculos
Volumosos Secos Fenos
Forragens
Palhas e Cascas

Concentrados Protéicos

De origem vegetal: sementes de oleaginosas e seus subprodutos (algodão, soja, amendoim, linho).
De origem animal: farinhas de carne, sangue, pescados, crisálidas, leite em pó.
Concentrados Basais (-20% de PB): Grãos de cerejas e subprodutos (milho, trigo, cevada, centeio e sorgo).
Diversos: Subprodutos industriais (melaço, polpa, etc.), Uréia, Antibióticos e Graxas.
Aditivos: Hormônios, Minerais = macro e microelementos, e Vitaminas.

Obs.: A predominância e proporção dos diversos ingredientes possíveis de comporem a dieta do caprino estão na dependência da disponibilidade e do sistema de criação adotado.

Pastagens

A caprinocultura do centro sul brasileiro se caracteriza em grande parte, pela utilização do sistema intensivo de criação, tendo em vista as condições climáticas, que favorecem sobremaneira a proliferação de helmintos. Todavia, o sistema semi-intensivo não pode ser descartado, quando houver possibilidade de se colocar em prática, rígido método de controle de parasitose internas No sistema semi-intensivo, a pastagem passa a ser parte integrante da dieta, sendo necessário portanto, que a mesma seja formada e manejada de forma racional.

O valor nutritivo do pasto está na dependência de sua composição química, que varia com a espécie forrageira, com a fertilidade do solo, com o clima e estado de maturação. Com relação à escolha da gramínea, deve se dar preferência aquelas de hábito prostado, como pangola, estrela africana, coast-cross, etc.

Quanto à introdução de leguminosa aconselha-se, em virtude do hábito de pastejo do caprino, o plantio em leiras, de plantas arbustivas, corno o guandu e outras. Deve-se evitar a leucena. que quando ingerida em grande quantidade é problemática, por conter o principio tóxico mimosina.

Classificação dos volumosos, conforme sua composição de nutrientes:

Tipo Rico

Pasto verde em crescimento; silagem ou feno muito bons, com grande percentagens de volumosos (teor de PB acima de 14% na M.S.). Com esse tipo de volumoso, apenas cabras em lactação e cabritos em crescimento necessitam suplementação concentrada.

Tipo Médio

Pasto maduro, silagem ou fenos bons, com algumas leguminosas (teor de PB de 10-14% na M S ) Apenas cabras em lactação, final de gestação e cabritos em crescimentos necessitam de suplementação concentrada.

Tipo Pobre

Pasto em inicio de maturação, silagem ou feno de gramíneas (teor de PB de 5 a 10% na M.S.). Esse tipo de volumoso exige suplementação concentrada para todas as categorias.

Tipo Muito Pobre

Pasto maduro, cana picada, silagem ou feno de baixa qualidade (teor de PB inferior a 5% na M.S.). A suplementação é necessária até para manter o peso das cabras. Visando uma melhoria na utilização da pastagem e no manejo sanitário do rebanho, alguns autores recomendam a subdivisão em piquetes e a utilização de um sistema rotativo de pastejo. Para o manejo rotacional, o rebanho deve ser dividido em categorias animais ou seja, em grupos conforme seu estado fisiológico ou idade com prioridade de ocupação para os jovens e os requisitos nutricionais sejam mais altos.

Um rebanho leiteiro pode ser dividido, por exemplo, em cinco categorias animais:
- Fêmeas de 3-6 m. para reposição;
- Fêmeas nos dois últimos meses de gestação e fêmeas em lactação;
- Fêmeas a partir de 7 m. mais fêmeas ad. Secas;
- Reprodutores mais cabritos a partir de 3 m. destinados à reprodução;
- Cabritos de zero a 3 m. em aleitamento.

A última categoria, não deve ter acesso à pastagem, devido à grande susceptibilidade à verminose e outras doenças prevenidas com a criação em confinamento.

Equivalência em U.A (Unidade Animal = 450 Kg de P.V.) por categoria do rebanho:

Categoria U.A
Bode 0,15
Fêmeas Adultas 0,12
Crias até 3m. 0,03
Fêmeas de 3 a 6m. 0,06
Fêmeas de 6 a 12m. 0,09

Tipo de volumoso disponível e mistura de concentrado:

Tipo PB
Rico 12 - 16%
Médio 16 - 18%
Pobre 18 - 22%
Muito Pobre 22 - 24%

Reservas forrageiras

As reservas forrageiras são essenciais para as criações intensivas, não podendo faltar também nos sistemas semi-intensivos, em virtude da escassa produção das gramíneas no período de seca invernal. Estas reservas devem ser compostas preferencialmente por gramíneas e leguminosas, considerando-se o maior aporte protéico propiciado por esta última.

As gramíneas mais recomendadas para capineiras são as variedades de capim elefante (média de 14.050 Kg de M S/ha/ano). Um hectare de capineira de gramíneas é suficiente para 80-100 caprinos, levando-se em conta um fornecimento de 2 Kg. de matéria verde/an/dia num período de 5 meses (inverno).

Quanto à reserva de leguminosas, pode-se utilizar a soja perene, mucuna, guandu, alfafa. Em termos de leguminosas, recomendam-se dois hectares/100 animais considerando-se um consumo de 1 Kg/an/dia. Uma alternativa também viável é o plantio de forragens de inverno, como aveia, azevém, etc, as quais apresentam um elevado valor nutritivo, justamente na época de escassez forrageira. Pode ser pastoreada como oferecida no cocho (aveia) e quanto ao azevém a forma mais utilizada é o pastoreio, podendo ser utilizada até o fim de novembro.

Alimentação dos caprinos

A primeira providência a ser tomada na formulação de rações para caprinos, é calcular as necessidades nutricionais, levando-se em conta a categoria animal e o piso vivo.

O segundo passo é estimar o aporte de nutrientes provenientes do volumoso oferecido para em seguida calcular a quantidade de concentrado necessária para suprir as virtuais deficiências das forragens.

Conforme Simiane (1980) quando se toma por base a evolução das necessidades nutricionais durante o crescimento, pode-se dividir o período compreendido entre o nascimento e o primeiro parto em 3 fases:

- Primeira Fase
Nascimento ao quarto mês de idade, durante a qual a velocidade de crescimento é de suma importância. Compreende o período de aleitamento, desmama e pós-desmama.

- Segunda Fase
Quarto mês de idade até a primeira cobertura.

- Terceira Fase
Período de concepção ao primeiro parto.E nesta fase que se prepara à cabrita para a primeira lactação.

Alimentação segundo a categoria animal

Cabritos em aleitamento

Nas criações tecnologicamente evoluídas, o aleitamento artificial é a maneira mais adequada de se poder controlar a quantidade de alimento ingerida pelo animal, procurando obedecer a seus requerimentos nutricionais, tornar-se possível à substituição do leite materno ou sucedâneo, considerando-se o elevado valor econômico do leite de cabra. Porém, para a obtenção de sucesso no aleitamento artificial, é necessário seguir rígidas normas de higiene e manejo das crias durante o trabalho.

Ao nascer, o primeiro alimento a ser ingerido elo cabrito deverá ser obrigatoriamente o colostro. É essencial ao jovem animal, por ser rico em imunoglobulinas, cuja concentração decresce rapidamente com o passar do tempo. Um Outro aspecto importante é que a permeabilidade da parede intestinal à passagem das moléculas de imunoglobulina, é máxima nas primeiras 6 horas de vida, decaindo paulatinamente a partir daí, até tornar-se nula 34 horas após o nascimento.

Para facilitar a adaptação ao sistema de aleitamento artificial, é interessante que o cabrito seja separado de sua mãe nas primeiras 3 horas após o nascimento, devendo ser ordenhado o colostro e oferecido ao animal na mamadeira ou balde.

Considerando-se que a produção de colostro perdura por 7 dias, o cabrito deverá neste período, ingerir apenas o leite da mãe. Depois disso poderá ser fornecido leite de vaca, ou sucedâneo, após uma fase de adaptação.

Adaptação:

Do sexto ao oitavo dia: 1 parte de leite de vaca e 2 partes de cabra;
Do nono ao décimo primeiro dia: mistura em partes iguais;
Décimo segundo dia: Leite de vaca puro.

Desmama Precoce

Período Oferecido Nº de aleit./dia Qtd. leite/dia
Até o 5º dia Colostro 5 L 0,5 L
 6º - 11º dia Leite de cabra ou mistura com leite de vaca 3 L 1,0 L
12º - 30º dia Leite de cabra ou de vaca 2 L 1,5 L
31º - 33º dia Leite de cabra ou de vaca 2 L 1,0 L
34º - 35º dia Leite de cabra ou de vaca 1 L 0,6 L

Desmama Tardio

Período Oferecido Nº de Aleit./dia Qtd.  leite/dia
Até o 5º dia Colostro 5 L 0,5 L
6º - 11º dia Leite de cabra ou mistura com leite de vaca 3 L 1,0 L
12º - 30º dia Leite de cabra ou de vaca 2 L 1,5 L
31º - 60º dia Do Leite de cabra ou de vaca 2 L 1,5 L
61º - 80º dia Leite de cabra ou de vaca 2 L 1,0 L
81º - 90º dia Leite de cabra ou de vaca 1 L 0,5 L

Obs.: pelo menos no primeiro mês, oferece o leite ou sucedâneo aquecido a 35 a 37ºC, passando-se ambiente no segundo mês.

Tomando-se estas Providencias evitam-se surtos de diarréia. A partir do décimo dia, colocar á disposição do cabrito, feno (preferencialmente de leguminosa) concentrado e água. O concentrado deverá conter cerca de 18% PB e 70% NDT.

Desmama

Poderá ser executada quando o peso vivo atingir o valor do peso ao nascer multiplicado por 2,5. Feita a desmama continuarão a receber concentrado limitando-se o consumo em 0,300 Kg. a 0,400 Kg/d, distribuídos em duas vezes.

Quanto ao feno, sua ingestão deverá se situar ao redor de 0,650 kg a 0,750 Kg. ao final do terceiro mês de vida. Conforme a qualidade do feno, deve-se prever uma perda de 15 a 30%. A suplementação mineral deverá ser efetuada por intermédio do concentrado.

Cabritas do quarto mês de idade à cobertura

Uma cabrita, futura produtora de leite, não deverá acumular excesso de gordura durante o crescimento. Nesta fase, a deposição do tecido adiposo na cavidade mamária, afetará negativamente a formação dos alvéolos, comprometendo a produção de leite definitivamente.

Por outro lado, a dieta fornecida deverá promover um adequado desenvolvimento do rúmen e esqueleto, para que a fêmea possa apresentar bom tamanho (altamente correlacionado com a produção Láctea) aprumos fortes e com boa capacidade torácica e abdominal. Durante o quarto mês até o final do sétimo mês, o consumo de M.S. aumenta para 1,0 a 1,3 Kg.

Nesta fase a ração básica por feno de leguminosa ou gramínea de boa qualidade, devendo-se introduzir também na dieta, forragens verdes. Estas não deverão ser empregadas sem prévia adaptação, sob pena de provocarem problemas digestivos. O fornecimento de concentrados não deverá ultrapassar de 0,250 kg a 0,400 Kg aos 4 meses de idade e 0,150 kg a 0,300 kg do quinto ao sétimo mes. É importante que possuam a disposição mistura mineral.

Cabritas alimentadas dentro do padrão, poderão ser concebidas ao redor de 7 meses de idade, devendo em média atingir o seguinte desenvolvimento ponderal.

6 semanas: 10 a 12Kg.
3 meses: 20 a 22 Kg.
4 meses: 22 a 25Kg.
5 meses: 28 a 30Kg.
6 meses - 7 meses: 33 a 35Kg.

Cabritas da concepção ao primeiro parto

A alimentação empregada nesta fase afetará sobremaneira a futura produção de leite da cabrita.. O ganho de peso durante a gestação, que compreende não apenas o crescimento da fêmea, como também o feto e anexos fetais, gira em torno de 18 Kg. Nas ultimas 8 semanas que antecedem o parto, as cabras reduzem em torno de 20% a ingestão de M S., devido ao aumento de volume de útero, que comprime o rúmen.

O consumo de forragens durante a gestação, se refletirá numa ingestão também elevada no inicio da lactação, fato bastante importante, em virtude da tendência apresentada pela cabra, em não consumir uma quantidade satisfatória de alimento nas primeiras semanas após o parto.

Geralmente de 500 a 600 gr. de concentrado com 20 a 24% PB atendem aos requisitos nutricionais. E importante salientar que as cabritas e também as cabras, estão sujeitas na proximidade do parto, a Toxemia da Gestação. É uma enfermidade Metabólica, que se inicia por uma hiperglicemia, forçando uma rápida mobilização das reservas lipídicas, que por sua vez provocará acumulo exagerado de corpos cetonicos (em nível tóxico) na corrente sanguínea.

A melhor forma de evitar este transtorno, é propiciar à gestante uma dieta equilibrada, evitando situações de "stress" e alterações bruscas na alimentação.

Cabras em lactação

O balanceamento da alimentação da cabra em lactação, se inicia pela avaliação dos volumosos disponíveis , para posteriormente se poder calcular a necessidade de concentrado em termos qualitativos e quantitativos. As cabras apreciam uma dieta com ingredientes variados.

Quando as cabras têm a disposição um volumoso do tipo rico ou médio (pastagem de boa qualidade e .bom feno de leguminosa) é suficiente um concentrado de 16-18% PB para atender aos requisitos. Assim., quando o volumoso for do tipo pobre ou muito pobre, os concentrados terão de 20-22% de PB e NDT de 60-65%.

Os concentrados serão fornecidos nas quantidades de 500 gr para mantença e 200 a 300g /Kg de leite produzido. O consumo de volumosos varia de acordo com a natureza dos mesmos e com a combinação utilizada.

Para calcular as necessidades em termos quantitativos, deve-se basear em:

Volumosos Quantidade (Kg/Cab/D)
Forragem verde 12 - 14
Feno 0,400 - 0,800
Forragem verde 5,0 - 8,0
Feno 2,0 - 3,0
Feno 1,200 - 1,800
Silagem 0,700 - 1,400
Silagem 3,500 - 4,000

Se a cabra recebe concentrados no pré-parto a quantidade deverá ser reduzida para 200 g/d na ultima semana de gestação, passando para 500 g nas duas semanas depois do parto, aumentando-se gradualmente a partir de então, até que atinja o montante a ser especificado pelo nível de produção de leite.

Cabras Secas

Depois de secas, as cabras deverão receber uma alimentação que lhes possibilite recuperar do desgaste da lactação, que se apresenta mais acentuado, em fêmeas com maior capacidade produtiva.

Deverão ter acesso a boas pastagens e/ou receber forragens de qualidade. O concentrado poderá ser misturado na quantidade de 200 a 700 g/d, dependendo do estado animal. Cerca de trinta dias antes da estação de monta e até a concepção, é interessante elevar em 20% o nível alimentar das cabras, com a finalidade de aumentar a taxa de ovulação Essa prática se denomina "flushing" reprodutivo e pode aumentar sobremaneira a incidência de partos múltiplos.

É essencial que o animal chegue ao momento da concepção ganhando peso. As cabras, num sentido geral, deverão receber a mistura de sal mais minerais em cocho específico e a vontade. Aos animais confinados e/ou que não recebem forragens verdes, deverão ter acrescentado ao concentrado, 1% de premix vitamínico contendo as vitaminas A, D, E.. Caprinos que tenham acesso ao sol (síntese de vitamina D) e disponham de verde (Vitamina A e E), terão seus requerimentos perfeitamente atendidos.

As demais vitaminas são sintetizadas pêlos microorganismos do rúmen. Um outro aspecto importante é a maneira de se distribuir os alimentos. Os concentrados deverão ser oferecidos, metade pela manhã e metade no final da tarde, sendo que as cabras em lactação irão consumi-lo também em duas vezes, no momento das ordenhas.

Os alimentos suculentos (forragens verdes, silagem, etc) deverão ser divididos em 3 refeições (manhã, meio do dia e final do dia). O feno poderá ser fornecido ¼ pela manhã, ¼ no meio do dia e metade à tarde.

Alimentação dos Bodes

Devido à alta incidência de cálculos urinários em machos, faz-se necessário o balanceamento da dieta total, para que contenha Ca e P nas proporções de 2:1 ou 1,5:1. Para animais adultos (idade acima de 2 anos), concentrados com 16-18% de PB oferecidos nas quantidades de 500-700 gr./d, juntamente com volumosos de média qualidade, atendem aos requisitos de mantença.

Durante a estação de monta, principalmente se o bode servir a um número excessivo de cabras, estas quantidades podem ser aumentadas. O que não se deve permitir é o desgaste excessivo do reprodutor ou sua engorda, pois ambos prejudicam o desempenho sexual.

Consumo estimado de MS/dia

peso vivo (kg) manteiga (kg) cabras secas nos últimos
dois meses de gestação (kg)
lactação produção de leite (kg/dia)
20 0,65 0,50 1,15 1,50 1,80 2,10 2,40 2,71
30 0,85 0,84 1,20 1,60 1,90 2,20 2,50 2,80
40 1,10 1,12 1,30 1,70 2,15 2,60 3,00 3,20
50 1,25 1,20 1,50 1,90 2,35 2,80 3,20 3,40
60 1,40 1,32 1,60 2,00 2,40 2,85 3,25 3,50
70 1,60 1,54 1,65 2,20 2,50 2,90 3,30 3,55

Fonte: Calculada a partir dos trabalhos de Sengar (1980) e Morand-Fehr et Alii (1981)

Requisitos diários para mantença de cabras adultas confinadas:

peso vivo (kg) MS (kg) PB (g) PD (g) ED (g) NDT (g) Ca (g) P (g)
20 0,63 54 36 1542 350 2,0 1,0
30 0,86 73 49 2090 474 2,0 1,5
40 1,06 91 61 2593 588 3,0 2,0
50 1,25 107 72 3064 695 3,5 2,5
60 1,45 123 83 3514 803 4,0 3,0
70 1,61 138 93 3945 895 5,0 3,5
80 1,78 151 103 4360 989 5,0 3,5
Fonte: Calculada a partir dos trabalhos de Sengar (1980) e
Morand-Fehr et Alii (1981)

Requisitos diários para mantença e crescimento de cabritos:

idade
(meses)
peso vivo
(kg)
ganho diário
(g)
MS (g) PD (g) NDT (g) PD/g ganho (g) NDT/g ganho (g) Ca (g) P (g)
1 6,5 100 200 50 265 0,50 2,65 2,0 1,3
2 10,3 126 200 50 200 0,40 1,60 2,7 1,7
3 10,7 130 400 50 250 0,38 1,90 2,8 1,8
4 16,7 100 525 65 320 0,65 3,20 2,9 1,9
5 19,4 90 650 75 375 0,83 4,20 3,2 2,0
6 21,6 73 775 80 405 1,10 5,60 3,2 2,0
8 24,2 34 1000 100 550 2,98 6,17 3,2 2,0
Fonte: Haenlein, G.F.W -1978 (adaptado)

 

Requisitos diários para cabras nos dois últimos meses de gestação

peso vivo (kg) MS (g) PB (g) PD (g) ED (kcal) NDT (g) Ca (g) P (g)
20 0,56 114 53 2098 475 7,0 4,0
30 0,84 133 71 2852 647 7,0 4,5
40 1,00 151 88 3528 800 8,0 5,0
50 1,15 167 105 4170 945 8,5 5,5
60 1,38 183 120 4781 1084 9,0 6,0
70 1,54 198 134 5367 1217 10,0 6,5
80 1,76 212 148 5933 1346 10,0 6,5
Fonte: Calculada a partir dos trabalhos de Brown (1980),
Segar (1980) e Morand-Fehri (1981)

 

Requisitos diários para mantença de cabras em lactação

peso vivo (kg) PB (g) PB (g) ED (kcal) NDT (g) Ca (g) P (g)
20 78 47 1873 425 2,0 1,0
30 106 63 2538 576 2,0 1,5
40 126 79 3150 715 3,0 2,0
50 149 93 3723 844 3,5 2,5
60 178 107 4270 968 4,0 3,0
70 200 120 4792 1087 5,0 3,5
80 221 132 5297 1201 5,0 3,5
Fonte: Calculada a partir dos trabalhos de Brown (1980),
Segar (1980) e Morand-Fehri (1981)

 

Requisitos diários para a produção de leite (corrigido para 4% de gordura)

leite produzido (kg) PB (g) PB (g) ED (kcal) NDT (g) Ca (g) P (g)
0,5 39 23 760 122 1,4 1,0
1,0 78 47 1520 345 2,7 2,0
1,5 177 70 2280 517 4,0 3,0
2,0 156 93 3000 680 5,4 4,0
2,5 195 116 3720 844 6,7 5,0
3,0 234 139 4400 998 8,1 6,0
3,5 273 162 5160 1171 9,4 7,0
4,0 312 185 5880 1334 10,8 8,0
4,5 351 208 6600 1407 12,1 9,0
5,0 390 231 7320 1660 13,5 10,0
5,5 429 254 8040 1824 14,8 11,0
6,0 468 277 8760 1987 16,1 12,0
Fonte: Calculada a partir dos trabalhos de Brown (1980),
Segar (1980) e Morand-Fehri (1981)

.

Consumo diário de matéria seca por cabras em lactação (kg)

Peso vivo x= MS /kg de leite (kg)
(kg) 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0 5,5 6,0
20 0,9 1,1 1,3 1,5 1,6 1,8 1,9 2,1 2,3 2,4 2,6 2,6
30 1,1 1,2 1,4 1,6 1,7 1,9 2,0 2,2 2,4 2,5 2,7 2,8
40 1,2 1,3 1,5 1,7 1,8 2,0 2,1 2,3 2,5 2,6 2,8 2,9
50 1,3 1,5 1,6 1,8 1,9 2,1 2,2 2,4 2,6 2,7 2,9 3,0
60 1,4 1,6 1,7 1,9 2,0 2,2 2,3 2,5 2,7 2,8 3,0 3,1
70 1,5 1,7 1,8 2,0 2,1 2,3 2,4 2,6 2,8 2,9 3,1 3,2
80 1,6 1,8 1,9 2,1 2,2 2,4 2,5 2,7 2,9 3,0 3,2 3,3
Fonte: Calculada a partir dos trabalhos de Brown (1980), Segar (1980) e Morand-Fehri (1981)

Requisitos de minerais e vitaminas para cabras

Minerais
Macroelementos Microelementos Vitaminas
Cálcio 2,7g/kg leite Cobre 10 mg/kg MS A 5000 UI/kg/kg MS
Fósforo 2,0g/kg leite Cobalto 0,2mg/kg MS D 1400
Sódio 2,0g/kg MS Zinco 75mg/kg MS E 100
Magenésio 2,0g/kg MS Manganês 50mg/kg MS
Enxofre 2,0g/kg MS Iodo 0,2-0,8mg/kg MS
Selênio 0,1mg/kg MS
Fonte: Morand-Fehri et Alii (1981)

 

Composição química do leite

Elementos Quantidade
Estrato seco 12,4%
Gordura 3,7%
Proteína 3,3%
Lactose 4,7%
Cin 0,7%

Composição química da carne caprina

Elmento Quantidade
Água 73,0%
Proteína 20,0%
Gordura 6,0%
Calorias 134 kcal/100g
Ca 11 mg/100g
P 220 mg/100g

Composição química esterco: 1t. de MS

Elemento Kg
Nitrogênio 27 - 28
Acido Fosfórico 23 - 25
Potássio 25 - 35

Email:
Senha:


Esqueci Senha
Cadastre-se
Receba as notícias
© 2001 - 2013 Criar e Plantar - Todos os direitos reservados