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Bovino de corte


Santa Gertrudis

Generalidades

A raça santa gertrudis surgiu em 1929, no Texas (EUA), a partir da proposta de se obter uma raça de gado de corte que conciliasse alta produtividade e rusticidade, adaptando-se, assim, às duras condições climáticas do sul dos Estados Unidos.

Reconhecida oficialmente como a primeira raça sintética formada no Hemisfério Ocidental, a santa gertrudis é fruto de um trabalho de cruzamento entre animais de origem zebuína e européia. Foi introduzido no Brasil em 1953 por King Ranch do Brasil S.A., graças a sua adaptabilidade às mais diversas condições de clima, solo e pasto.

Características

Por ser uma raça sintética, reúne a rusticidade das raças zebuínas e a produtividade das raças européias. Adapta-se muito bem às mais diversas condições ambientais, o que contribui para que esteja presente em todo o território nacional, sempre mantendo sua performance produtiva e reprodutiva.

As taxas médias de prenhez obtidas variam entre 80 a 85%, em monta natural, podendo alcançar o índice de 93%, usando-se a prática da desmama precoce.

Sua boa resistência a ectoparasitos é um fator importante na criação extensiva. Na produção leite (embora seja uma raça aptidão para corte), suas matrizes apresentam ótima produção, desmamando bezerros pesados e bem preparados para o desenvolvimento pós-desmame.

Outras características da raça:

- precocidade sexual: as fêmeas podem ser cobertas já aos 14 meses, dando sua primeira cria mesmo antes de completar dois anos de idade;
- habilidade materna: pode ser verificada pelo peso médio obtido ao desmame dos bezerros, de 230 kg;
- excelente libido dos touros: pela sua rusticidade, o touro apresenta ótimos resultados na monta natural, inclusive em regiões de altas temperaturas, como Goiás e Mato Grosso, onde tem sido utilizado;
- alta capacidade de engorda e conversão alimentar: os animais estão prontos para o abate por volta dos dois anos, com cerca de 16 arrobas, em regime de pasto. Quando confinados, podem atingir 480 kg aos 18 meses de vida;
- cobertura muscular e acabamento de carcaça: estes têm sido um dos fatores determinantes para a crescente utilização do santa gertrudis no cruzamento industrial.

Padrão da raça

São os seguintes:

- temperamento: dócil, calmo;
- úbere e tetas: bem colocarias e inseridas, equilibradas, com tamanho grande em relação à idade;
- pêlo: liso, curte e sedoso;
- pele: solta, grossa;
- membros: bem aprumados e cascos com pigmentos;
- focinho: largo e amplo;
- peito: largo e dorso cheio;
- pelagem: vermelho santa gertrudis uniforme, vermelho cereja;
- pele: com pigmentação vermelha;
- orelhas: de tamanho mediano ou grande;
- cabeça: mostrando masculinidade ou feminilidade;
- quartos traseiros: são largos, musculados e amplos;
- garupa: é comprida e larga, inclinada para trás.

Cruzamento industrial

O santa gertrudis tem sido cada vez mais procurado por criadores que fazem cruzamento industrial por imprimir no produto cruzado alto ganho de peso e homogeneidade na carcaça, mantendo a característica de rusticidade. Isto significa terminar o animal num menor espaço de tempo, aumentando o retomo econômico e viabilizando a atividade.

Utilizando o santa gertrudis sobre fêmeas cruzadas red angus x tabanel (cruzamento de tabapuã x nelore), o criador consegue, além de melhorar o acabamento de carcaça, incrementar o peso a desmama dos produtos nascidos, obtendo uma média de peso ajustado aos 7 meses, para um lote de machos, de 268 kg (tendo animais de 8 meses ultrapassando os 300 kg).

Por isso os criadores têm optado pela raça para a produção do bovino composto, utilizando touros santa gertrudis sobre matrizes F1 nelores cruzadas com gado europeu, obtendo grandes resultados na pecuária de corte.

Os touros tem sido muito utilizados para o cruzamento industrial nos estados de Mato Grosso e Goiás, em regiões que chegam a registrar temperaturas de até 44ºC.

O cruzamento de touros sobre matrizes de rebanhos leiteiros e mestiços, principalmente da raça girolanda, é muito praticado no sul de Minas Gerais e no Vale do Paraíba; este cruzamento oferece ótimos resultados no produto cruzado, com os machos apresentando melhor capacidade de engorda e acabamento de carcaça e, as fêmeas, melhor cobertura muscular sem, contudo, perder a característica leiteira.

Ganho de peso

Testes observados em propriedades do estado de Goiás, quando utilizado a composição do tricross sobre fêmeas angus-nelore ou simental-nelore, mostraram que o touro santa gertrudis incrementa o ganho de peso, possibilitando desmamar produtos acima de 247 kg, chegando alguns bezerros a 272 kg aos 210 dias.

A raça vem participando da Prova de Ganho de Peso do Instituto de Zootecnia de Sertãozinho (SP) desde 1970, sempre ocupando lugar de destaque. Desde 1988 participa, também, do Teste de Avaliação de Bovinos de Corte a Campo, da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (FEPAGRO).

Melhoramento genético

A Associação Brasileira de Santa Gertrudis vem desenvolvendo cm parceria com a Fundação de Pesquisas Científicas de Ribeirão Preto (FUNPEC-RP), sob orientação do Prof' Dr. Raysildo B. Lôbo, o Programa Nacional de Melhoramento Genético da raça.

A metodologia utilizada considera um controle trimestral de peso para os animais até 21 meses e de perímetro escrotal para os machos de 9 a 21 meses. Dentre as variáveis estudadas estão os pesos padronizados às idades de 120, 205, 365 e 550 dias e o perímetro escrotal padronizado às idades de 365 e 550 dias.

Recentemente, iniciou-se a coleta de dados para as características umbigo e casco. Embora a seleção genética já venha sendo feita ao longo dos anos com resultados extremamente satisfatórios espera-se, com isso, ganhar um respaldo científico para o trabalho de melhoramento genético destas características a partir de resultados do rebanho nacional, ainda hoje desconhecido.

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