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Reprodução

Reprodução de gado de corte

Segundo Coulter et al. (1991) a reprodução é 10 vezes mais importante que o melhoramento e cinco vezes mais importante que a melhoria de carcaça. Assim comprovamos que a reprodução animal (sistema de cria) é sem dúvida nenhuma uma das atividades de maior importância para o sucesso da bovinocultura de corte, assim o manejo reprodutivo dos bovinos tem como objetivo utilizar técnicas que visam a otimização do desempenho produtivo e reprodutivo do rebanho de cria, de forma racional e econômica. Dessa forma devemos atentar para cuidados essenciais como a sanidade do rebanho, as exigências nutricionais e o potencial genético dos animais, além do manejo reprodutivo do rebanho.

Esses cuidados devem ser realizados para que o produtor obtenha de seu rebanho a plena eficiência reprodutiva, ou seja, quanto maior for a eficiência das vacas menores serão os custos por bezerro nascido sendo assim maiores os lucros para o produtor.

Existem muitas formas para medir a eficiência reprodutiva, dentre elas podemos citar as seguintes:

  • Produção de bezerros nascidos vivos;
  • Produção de bezerros desmamados;
  • Intervalo entre partos ;
  • Período de serviços;
  • Número de serviços por concepção.

Para que essa maior eficiência reprodutiva seja alcançada devem ser adotadas algumas técnicas de manejo, como por exemplo:

  • Identificação dos animais e organização dos registros (nascimentos, abortos, mortes etc.);
  • Definição da estação de monta;
  • Escolha do sistema de acasalamentos;
  • Detecção de cio;
  • Diagnostico de gestação e descartes;
  • Determinação da idade à desmama;
  • Controle sanitário do rebanho.

Identificação e registro de ocorrências

Para que o manejo do rebanho de cria seja conduzido de forma eficiente é necessário que todos os animais (vacas e crias) tenham sido identificadas. Assim a identificação dos animais e o registro das ocorrências e manejo do rebanho (datas e pesos ao nascimento e à desmama, mortes e abortos, diagnóstico de gestação, vacinações etc) contribuíram para avaliar o desempenho reprodutivo de cada animal. Possibilitando a identificação dos animais que devem ser descartados, ou seja, aqueles que com baixa produtividade, além de ajudar a estudar mudanças no manejo para melhorar a eficiência do sistema de produção.

Estação de monta

O sistema de monta mais primitivo é aquele onde o touro permanece no rebanho durante todo o ano. Porém esse sistema não é o mais adequado, pois os nascimentos se distribuem por vários meses do ano, dificultando o manejo (controles zootécnico e sanitário, manejo nutricional etc). Com a ocorrência de nascimentos em épocas inadequadas, o desenvolvimento dos bezerros é prejudicado e a fertilidade das matrizes pode ser reduzida, devido a restrição alimentar.

As variações na fertilidade do rebanho estão ligadas principalmente às condições climáticas. Portanto, o estabelecimento de uma estação de monta de curta duração é uma das decisões mais importantes do manejo reprodutivo e de maior impacto na fertilidade do rebanho. Além de sincronizar as demais atividades de manejo, sua implantação permite que o período de maior exigência nutricional coincida com o de maior disponibilidade de forrageiras de melhor qualidade, de modo a eliminar ou a reduzir a necessidade de alguma forma de suplementação alimentar.

Com a redução da duração da estação de monta notamos também uma melhoria na fertilidade e produtividade do rebanho, pois fica mais fácil de se identificar as matrizes de melhor desempenho produtivo. No entanto, para alcançar essas metas, diversos fatores devem ser considerados:

Época   

A época é determinada em função da melhor época de nascimento para os bezerros e do período de maior exigência nutricional das vacas.

No Brasil, a melhor época para o nascimento coincide com o período da seca. Assim, para atender a esse requisito, o período recomendado para a monta deve ser de novembro a janeiro. Neste caso, as parições ocorrerão de agosto a outubro e o terço inicial da lactação, que apresenta as maiores exigências nutricionais, irá coincidir com o de maior oferta de alimentos de melhor qualidade (estação das chuvas).

Duração

A meta ideal para a duração da estação de monta de vacas adultas deve ser de 60 a 90 dias. Para novilhas esse período não deve ultrapassar a 45 dias, e tanto seu início como seu final devem ser antecipados em pelo menos 30 dias em relação ao das vacas. Visando proporcionar às novilhas , por estarem ainda em crescimento e lactação, tempo suficiente para a recuperação do seu estado fisiológico e iniciar o segundo período de monta, junto com as demais categorias de fêmeas.

No primeiro ano de implantação da estação esse período pode se estender de outubro a março (seis meses) e nos anos seguintes ela deve ser ajustada gradativamente, até a obtenção do período ideal. Deve-se tentar obter índices elevados de concepção no primeiro mês de monta,para que as vacas tenham tempo suficiente para recuperar seu estado fisiológico, após a parição, antes da próxima estação de monta.

Fertilidade de touros

O impacto da fertilidade do touro no desempenho reprodutivo do rebanho é diversas vezes mais importante do que o da vaca, pois a expectativa é de que cada touro cubra pelo menos 25 vacas. Touros de baixa fertilidade podem causar grandes prejuízos para o produtor, além disso deve-se lembra que eles contribuem com a metade do material genético de todas as crias, enquanto é esperada de cada vaca a desmama anual de um bezerro.

Quanto a relação touro:vaca: as recomendações gerais são de 25 a 30 vacas para cada touro, no entanto, os resultados mais recentes indicam que essa relação pode ser alterada para mais de 40 vacas por touro. Os principais fatores que podem influir nessa relação são a idade, a capacidade de monta, o libido, o estado sanitário e nutricional dos touros, o tamanho e topografia das pastagens.

Condição corporal das vacas

Tabela (serão inseridas em breve)

A avaliação da condição corporal das vacas, apesar de subjetiva, é uma ferramenta muito útil no manejo reprodutivo, pois nos permite avaliar o estado nutricional do rebanho em determinado período. Dessa forma é possível corrigir o manejo nutricional a tempo, para que os animais tenham condições mínimas no momento desejado. Além disso existe alta correlação entre a condição corporal ao parto e o desempenho reprodutivo pó-parto, ou seja, as fêmeas que tiverem melhor condição corporal no terço final da gestação irão apresentar cio mais cedo.

Esta avaliação deve ser realizada na época da desmama (abril/maio), início do período da seca, assim as fêmeas prenhes que estiverem muito magras (escore abaixo de 4) devem receber uma suplementação para que atinjam escore 5 a 6 ao parto.

Essa suplementação é importante, pois no terço final da gestação são altas as exigências de proteína e energia para o desenvolvimento do feto. A restrição alimentar nesse período irá causar além de perda de peso uma diminuição nos índices de prenhez, devido ao prolongamento do retorno a atividade reprodutiva pós-parto.

Fotos (serão inseridas em breve)

Sistemas de acasalamento

Os principais sistemas de acasalamento são a monta controlada, a monta a campo e a inseminação artificial.

Na monta controlada o touro é mantido separado das vacas, quando uma fêmea é detectada em cio é levada para junto do touro onde permanece até a cobertura. Esse método é bastante utilizado quando se deseja conhecer a paternidade, ele também causa menor desgaste aos touros, porém podem ocorrer erros na detecção dos animais em cio e também demanda mais mão-de-obra e trabalho para separar os animais.

A monta a campo é o sistema mais utilizado na pecuária de corte, nesse caso os touros permanecem junto ao rebanho durante toda a estação de monta diminuindo assim o trabalho com detecção de cio e condução dos animais ao curral, porém impossibilita a identificação da paternidade das crias, a análise do desempenho reprodutivo e aumenta o desgaste dos touros devido ao número repetido de cobertura que uma mesma vaca recebe. No entanto essas desvantagens são compensadas pela economia de mão-de-obra e a certeza de que a maioria das vacas irá conceber durante uma determinada estação de monta.

Mesmo com alguns inconvenientes como os custos de implantação do processo e capacitação de mão-de-obra especializada e dificuldade de detecção correta dos cios, a inseminação artificial é uma técnicas bastante difundida hoje no país.

Essa tecnologia proporciona ao produtor a oportunidade de melhorar o desempenho produtivo do rebanho, mediante a utilização de sêmen de reprodutores com alto potencial.

Detecção de cio

O cio pode durar 24 ou 36 horas, porém o período em que a vaca aceita o touro geralmente não ultrapassa 12 horas. As vacas geralmente modificam seu comportamento quando estão em cio, tornam-se mais excitadas, montam nas outras vacas e também se deixam montar, os lábios da vulva ficam umedecidos e ocorre uma ligeira descarga de muco vaginal.

A detecção do cio é um dos principais problemas para o processo reprodutivo, tanto pela monto controlada como pela inseminação artificial, principalmente devido ao curto período de duração do cio.

Assim para que ocorra o mínimo de erros possível o campeiro  que irá realizar o trabalho de detecção do cio deve estar habituado com os sinais de cio e deve realizar essa observação durante o maior número de horas possível, no período da manhã e da tarde, para que nenhuma vaca escape à observação e deixe de ser inseminada.

Diagnóstico de gestação e descartes

O diagnostico de gestação é de grande importância para a melhoria da eficiência reprodutiva do rebanho, devido a identificação precoce das matrizes que não estão prenhes no rebanho. O método que se utiliza nesse caso é o de apalpação retal, normalmente realizado a partir dos 45 a 60 dias ou na desmama (facilitando o manejo).

Identificadas as fêmeas vazias, estas devem ser descartadas antes do inverno, pois ainda não perderam peso e esse descarte aumenta a disponibilidade de forrageiras para as fêmeas prenhes. No entanto esse plano de descartes deve ser analisado com muitos cuidado, pois o baixo índice de prenhez pode estar relacionado com alguma restrição alimentar, com a fertilidade dos touros ou mesmo com a incidência de algumas doenças e não apenas com a fertilidade das vacas.

O produtor também pode levar a desmama em consideração na hora do descarte, descartando assim as vacas com pouca habilidade materna, que abandonam suas crias ou desmamam bezerros com baixo peso.

Idade à desmama

A desmama pode ser definida como a separação definitiva do bezerro de sua mãe interrompendo assim a amamentação e o estresse da lactação nas fêmeas. Em geral quando as exigências nutricionais do rebanho são bem atendidas, a desmama é feita quando os bezerros atingem de 6 a 8 meses de idade. Assim as vacas prenhes agora com menores exigências nutricionais, poderão suportar melhor o período seco e chegar ao parto com boas condições corporais.

Portanto, o uso estratégico da desmama  tem como meta principal o fornecimento das condições nutricionais necessárias para a recuperação do estado corporal das vacas prenhez, sem prejudicar o desenvolvimento dos bezerros desmamados.

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