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Avestruz


Manejo alimentar

Segundo Groebbels, 1932, as ratitas são consideradas animais onívoros. Os avestruzes selvagens são consumidores oportunistas de alimentos, comendo uma grande variedade de plantas, sementes. frutas, flores, brotos novos e insetos. Sendo nômades, percorrem grandes distâncias a procura de alimento, freqüentemente agrupando-se próximos a uma fonte de água ou comida. Praticam o coprofagismo (ingestão de fezes) em todas as idades, tendo a sua importância, pois contribui para a formação da flora microbiana intestinal dos animais.

Com a exploração comercial do avestruz, teve início em meados do século passado, uma série de estudos e propostas de regimes alimentares para esta ave, conforme literatura sul-africana. Entretanto, enquanto para outras espécies de aves para carne, tais como os frangos e perus, as exigências nutricionais estão bem definidas, as informações sobre a alimentação de avestruzes em cativeiro são muito limitadas. Na tabela que segue, são apresentados os níveis de nutrientes das rações comerciais para avestruzes disponíveis no mercado norte-americano.

Tabela: níveis de nutrientes típicos de rações para avestruzes (segundo Muirhead,1995):

inicial crescim/manut reprodução
Proteínas (%) 18-24 16-20 14-20
Fibras (%) 5-10 10-12 9-12
Gordura (%) 3-8 3-6 3-5
Em Kcal/Kg 2300-2600 2000-2400 2000-2300
Cálcio (%) 1,2-2,0 1,2-1,8 2,0-3,5
Fósforo (%) 0,9-1,2 0,85-1,2 1,0-1,2

Para filhotes

A alimentação vai depender do tipo de manejo e qualidade do pasto nos piquetes. Como recomendação geral, pode ser utilizado o esquema apresentado a seguir:

- 0 a 3 semanas: ração balanceada com 19% de proteína, oferecida por 12 horas, estando o filhote com calor e iluminação artificiais. Iniciar a alimentação somente 5 dias depois de eclodidos, pois primeiro precisam terminar de reabsorver o saco vitelínico;
- 3 semanas a 3 meses: ração balanceada oferecida três vezes ao dia, por períodos de 15 a 20 minutos e suplementada com 50g de verde picado/dia/ave (alfafa, beldroega, soja perene, ou similares);
- após 3 meses: mesmo procedimento anterior suplementado com feno de leguminosas, capim picado e pasto.

O acesso à pastagem dos piquetes, ajuda a treinar os filhotes a pastar e ainda promover uma função intestinal sadia. O limite sugerido de 50g/filhote/dia de alimentos ricos em fibras longas é para que não venha a desequilibrar seriamente a absorção de cálcio e fósforo. A alfafa, por exemplo, tem relação cálcio/fósforo = 6:1. A redução nos níveis de proteína é necessária para evitar excessivo ganho de peso nesta fase, que contribui para o aparecimento da síndrome do entortamento das pernas.

Deverá ser oferecida, em todas as faixas etárias, granito ou pedrinhas (variando a granulação de acordo com o tamanho da ave) para auxiliar na digestão. Não deve ser utilizado farinha de ostras para não desequilibrar a relação Ca/P.

Uma maneira prática de se determinar a granulometria das pedrinhas para cada faixa de idade, basta calcular pela metade do tamanho da unha do dedo da ave.

A recusa dos filhotes ao alimento ou à água pode ser superada através de uma das seguintes técnicas:

- introduzir filhotes mais velhos (duas a três semanas de idade) junto aos recém-nascidos; acrescentar alimento verde picado, como por exemplo, grama, espinafre, beldroega, couve ou alfafa ao alimento;
- espalhar um punhado de ração no piso e ao redor do comedouro. Os avestruzinhos preferem a cor verde e não sabem comer nos comedouros. Aos poucos, reduzir a área com alimento no chão para mais próximo do comedouro.

Aves com mais de três meses

O consumo de alimento é de 0,5Kg/dia até seis semanas de idade, aumentando gradativamente até os 2Kg/dia, com ganhos em peso variando de 100 a 400g/dia. Aproximadamente, dos 14 aos 18 meses de idade, o avestruz deve atingir o pleno desenvolvimento de seu corpo, sendo que, a partir daí, será necessário alimento apenas para manutenção. Na tabela que segue, são apresentados os valores médios de ingestão de alimentos e ganho em peso de avestruzes de 6 a 50 semanas de idade.

Tabela: valores médios de ganho de peso e ingestão de alimentos:

Idade (sem.) 6 8 10 14 18 22 26 30 34 38 42 46 50
Peso (kg) 5,9 11,3 16,1 28,6 40,4 51,5 61,2 71,2 79,4 86,2 91,9 96,6 99
Ingestão (kg/d) 0,5 0,7 0,8 1,1 1,5 1,8 2,0 1,9 2,0 1,9 1,9 2,0 2,0
Ganho peso(kg/d) 0,27 0,34 0,45 0,41 0,38 0,34 0,34 0,30 0,25 0,18 0,16 0,11 0,10

Tabela: média de altura do avestruz por idade:

Idade (meses) 1 2 3 4 5 6
Altura (m) 0,5 a 0,7 0,65 a 1,2 0,9 a 1,65 1,0 a 1,8 1,4 a 2,0 1,75

Após atingir a maturidade sexual em aproximadamente dois anos, as aves reprodutoras devem receber uma ração especial. As taxas alimentares exigidas dependerão das condições de pastagem mas, como uma orientação, os machos e as fêmeas que não estão acasalando podem consumir aproximadamente 1 a 1,5 Kg de ração peletizada ao dia, e as poedeiras até 2 a 3 Kg e livre acesso a um volumoso de qualidade. A ração deve conter no máximo 16% de proteína. Recomendam-se pesagens periódicas para controle do peso dos reprodutores, pois aves com excesso de gordura não se reproduzem e podem vir a morrer.

Atenção: O controle da taxa de crescimento é essencial; o ganho excessivo de peso corporal é um dos fatores para surgimento de problemas de entortamento das pernas nas avestruzes jovens.

Algumas restrições alimentares podem ser adotadas a partir de três semanas de idade para reduzir o ganho de peso Portanto, é necessário a pesagem periódica dos filhotes com registro destas e de outras informações em fichas zootécnicas para auxiliar no controle da alimentação e de todo o sistema de criação. O criador deve sempre:

- Fornecer água em quantidade e qualidade (um avestruz adulto chega a beber até 10 litros de água por dia);
- Manter o alimento fresco e os cochos limpos;
- Diminuir os desperdícios;
- Manter a suplementação da ração com fibras e pedriscos, a fim de assegurar função digestiva sadia e apetite.

Em alguns casos, os filhotes não começam a comer. Para estimulá-los, é recomendável colocar filhotes mais velhos juntamente com os filhotinhos e esparramar uns punhados de ração em volta do comedouro.

Impactação

A impactação proveniente de areia, pedregulho, cascalho ou vegetais, pode ser um problema para os filhotinhos. Ela está relacionada a tendência do avestruz em ingerir matéria estranha de seu ambiente. Há uma alta incidência de impactação em filhotes com menos de duas semanas de idade, provocada pelo capim. Os filhotes com menos de 5 meses de idade, inclusive, não devem ficar em piquetes com árvores, pois eles apanham galhos. Para evitar a impactação, o material usado no piso dos piquetes de criação deve ser relativamente leve e fino.

No avestruz adulto, a impactação com areia e pedregulho (cascalho) é relativamente comum. Para impactações com areia, sujeira ou alimento, o tratamento é feito, utilizando-se eletrólitos orais e suplementação de energia. Para prevenir impactação por corpos estranhos nas aves adultas, deve-se remover materiais estranhos dos piquetes, como pedaços de arames.

Excluindo a ingestão de materiais brilhantes, pregos, etc., está provado que o maior fator para a impactação por capins, areia e outros produtos normais nas instalações, ou seja, o consumo excessivo destes produtos seria um distúrbio na alimentação provocado por situações de stress.

Para estimulação do desenvolvimento normal dos filhotes, é fundamental que eles tenham um espaço adequado no qual possam se exercitar. Nas savanas, os filhotes com menos de três meses de idade viajam 8 a 30 quilômetros por dia seguindo seus pais.

Empregar pais adotivos para motivar o exercício dos filhotes causa menos stress do que quando estes são forçados pelos proprietários das aves a se exercitarem. Na África do Sul, pais adotivos são usados para ajudar a criar os filhotes e assegurar exercício apropriado. Geralmente, as aves escolhidas como pais adotivos são mais velhas, dóceis, de fácil manejo e não ficam estressadas facilmente. Os filhotes mais velhos também tendem a ajudar os filhotes mais jovens introduzidos no rebanho.

Ração

Segue um exemplo de composição de ração comercial americana para ratitas (avestruz, emu e ema) de O a 6 meses, onde o fabricante recomenda iniciar a administração da mesma 3 a 4 vezes ao dia, em quantidade que os filhotes comam em 30 minutos. O mesmo cita a importância dos filhotinhos estarem em condições de instalação que proporcione exercitarem-se plenamente. Se os animais estiverem alcançando ganho de peso superior ao desejado, recomenda substituir por uma formulação similar, mas com apenas 18% de proteína (a referida contém 22% de proteína) para evitar o entortamento das pernas:

- Proteína bruta, não menos que 22%;
- Gorduras, mínimo de 4%;
- Fibra bruta, no máximo 8,9%;
- Cinzas, no máximo 12,9%;
- Cálcio, no máximo 1,8%;
- Cálcio, no mínimo 1,3%;
- Fósforo, no mínimo 1,0%;
- Cloreto de Sódio, no máximo 0,6%;
- Cloreto de Sódio, no mínimo 0,1%;
- Magnésio, no mínimo 0.15%;
- Zinco, no mínimo 220ppm;
- Manganês, no mínimo 250ppm;
- Cobre, no mínimo 60ppm;
- Selênio, no mínimo 0,5ppm;
- Vitamina A, no mínimo 13.200 Ul/Kg;
- Vitamina D3, no mínimo 5.200 Ul/Kg;
- Vitamina E, no mínimo 220 Ul/Kg;
- Menadiona (Vit. K3), no mínimo 6,6mg/Kg;
- Colina, no mínimo 2.640mg/Kg;
- Ácido d-Pantotenico, mm. 35,2mg/Kg;
- Niacina, mínimo 132mg/Kg;
- Tiamina, mínimo 26,4mg/Kg;
- Riboflavina (vit. B2), no mínimo 26,4mg/Kg;
- Vitamina B6, no mínimo 24,2mg/Kg;
- Ácido fólico, no mínimo 6,6mg/Kg;
- Biotina, no mínimo O,66mg/Kg;
- Vitamina B12, no mínimo 55mcg/Kg;
- Ácido Linoleico, não menos que 1,2%.

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