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Doença da Reprodução

As doenças da reprodução são as doenças dos ovos, dos órgãos reprodutivos feminino e masculino, e do esperma.

Doenças que afetam os ovos

Os agentes infecciosos podem penetrar no ovo através do ovário, do oviduto ou através da casca, durante a estocagem e a incubação. O ovo também é afetado pelo estado nutricional da fêmea, particularmente vitaminas e minerais, e pelas condições ambientais (temperatura, umidade relativa, níveis de O2 e CO2) que prevalecem durante a incubação e a estocagem.

O comportamento da cópula dos reprodutores deve ser rotineiramente observado. A libido das aves pode ser estimulada pela presença da pessoa preferida, geralmente o tratador. Para evitar os problemas de infertilidade, as aves destinadas à reprodução não devem ser criadas com humanos, mas sim com "pais adotivos".

Baixa eclodibilidade

A baixa eclodibilidade é uma condição dos ovos férteis e não deve ser confundida com infertilidade. Ela pode ser afetada pelas condições de estocagem e incubação, mas pode ser uma característica genética de uma fêmea, família ou linhagem reprodutiva. Em outras palavras, a eclodibilidade é uma característica selecionável.

A desnutrição dos pais, quanto aos níveis de vitaminas e minerais, deprime a eclodibilidade. Isso parece ser claro em vista dos piores resultados obtidos à medida que se aproxima o fim da estação reprodutiva. O efeito genético da eclodibilidade torna-se evidente quando os ovos férteis de fêmeas diferentes são comparados. É nesse nível que a seleção deve ocorrer, e isso só é possível se ambos os pais de cada ovo forem conhecidos e se os registros adequados forem feitos.

Muito em breve, a pressão competitiva na indústria de avestruzes será tão grande que os criadores que não melhorarem constantemente o seu rebanho, através de seleção, terminarão maginalizados.

Contaminações através da casca do ovo

A contaminação fúngica ou bacteriana através da casca do ovo pode ocorrer no ninho, durante o manuseio, na lavagem do ovo e na incubação. Numa fazenda de avestruzes, aproximadamente 50% da contaminação foi causada por fungos. O embrião pode morrer em qualquer momento durante a incubação, mas geralmente, a morte acontece nos estágio finais. Quando um ovo que morreu nos estágios iniciais é aberto, pode-se sentir um odor forte de putrefação.

Às vezes, placas escuras podem ser detectadas abaixo da casca, durante a ovoscopia de ovos contaminados. Essas placas são causadas pelo crescimento bacteriano ou fúngico. Se tais ovos permanecerem na incubadora, o acúmulo de gases no seu interior pode provocar a sua explosão e contaminar todos os outros ovos da incubadora.

Morte embrionária precoce

Na ovoscopia, as mortes embrionária precoces geralmente não podem ser diferenciadas dos ovos inférteis. Contudo, quando estes ovos são abertos, pode-se encontrar um embrião muito pequeno, embora, ocasionalmente no momento em que o ovo for examinado, ele já tenha se dissolvido. Estas mortes são geralmente causadas por condições precárias de estocagem ou por superaquecimento na incubadora. A contaminação através da casca também pode causar morte precoce do embrião, assim como deficiências de vitaminas A e E.

Mal posicionamento

É causado pela incapacidade do embrião se virar para a posição de nascimento. Isso dificulta o alcance da câmara de ar pela cabeça do filhote, para iniciar a sua perfuração. Esse embrião vai morrer de asfixia. As causas primárias do mal posicionamento ainda não são bem conhecidas, porém, duas causas postuladas são a incubação com a câmara de ar para baixo, quando o correto é para cima, e a viragem excessiva dos ovos.

Perda de água insuficiente ou excessiva

Durante a incubação, o ovo pode perder cerca de 13% de seu peso através da evaporação pela casca. Se uma quantidade insuficiente de água for perdida, a câmara de ar será muito pequena, que não permitirá que o embrião a perfure. Caso ocorra evaporação excessiva, o embrião não terá espaço para se movimentar, girar e perfurar a câmara. A viscosidade do albúmen aumenta, tornando mais pegajoso e aumentando a dificuldade do embrião em se virar. O embrião pode até morrer de desidratação um pouco antes do nascimento.

Anormalidade da casca

Ocasionalmente, as cascas dos ovos de avestruzes podem não apresentar a típica aparência vítrea, tornando-se opacas. Esse ovos sofrem evaporação mais rápida e, consequentemente, ressecam durante a incubação. Outro ovos podem possuir entalhes longitudinais causados por contrações excessivas do útero, enquanto a casca estava sendo depositada sobre o ovo.

Doenças dos órgãos reprodutivos femininos

Retenção de ovo

A retenção de ovo ou "ovo virado" significa a incapacidade da fêmea em expelir o ovo após a casca estar formada. Ela pode ser causada por baixos níveis de cálcio, em uma síndrome semelhante à febre do leite. Outras causas podem ser distúrbios neurológicos, sustos, tamanho excessivo do ovo, tumores, infecções do oviduto, ovos com casca macia ou fratura da sífise pubiana. Se a fêmea continuar a ovular, mais ovos podem se acumular atrás do bloqueio, fazendo com que o oviduto se expanda ou mesmo rompa. Os ovos assim liberados na cavidade peritonial irão causar uma infecção (peritonite do ovo).

Sinais clínicos de ovo virado são: incapacidade de pôr ovos, anorexia, letargia e esforço para ovipor. A palpação e exploração manual da cloaca, assim como o exame ultrassonográfico e o raio X ajudam a estabelecer o diagnóstico. Contudo, os parâmetros sangüíneos não são afetados e algumas fêmeas permanecem sem sintomas, exceto pelo fato de não reproduzirem.

Como nos avestruzes os ovos não podem ser palpados, uma laparotomia exploratória pode ser necessária para localizar o ovo, fazendo a remoção cirúrgica do mesmo. Lembrando que estes procedimentos devem ser feitos, exclusivamente, por um veterinário capacitado.

Peritonite do ovo

Se o oviduto e o infundíbulo não estiverem funcionando adequadamente devido a alteração neurológica ou infecção, o óvulo é liberado na cavidade peritoneal, onde é tratado como um corpo estranho, causando um processo inflamatório. Semelhantemente, os ovos podem ser liberados na mesma cavidade através da ruptura do oviduto ou do útero. Pode-se realizar alguns tratamentos, porém é improvável que a fêmea afetada venha a restaurar a sua capacidade reprodutiva.

Prolapso da cloaca

Nas fêmeas adultas, ele é causado pelo esforço associado da tentativa de expelir um ovo retido, com uma lesão ou inflamação da cloaca ou com uma massa tumoral, causando uma obstrução. O prolapso da cloaca também pode ser causado pelo estresse do clima frio.

Ausência de postura

A ausência de postura pode ser devida a um estado nutricional obeso, a processos patológicos no ovário e oviduto, assim como à ausência de estímulos para a ovulação nas aves acostumadas com alguma pessoa. Avestruzes sujeitos a grave hipotermia podem falhar em reproduzir na estação seguinte. Uma camada de gordura subcutânea de 2 cm, no dorso da fêmea e entre as asas, é vista como uma indicação de um estado nuticional ótimo para a produção de ovos. A ênfase exagerada dada à obesidade como principal causa de baixa produção, freqüentemente leva á subnutrição das fêmeas reprodutoras, e isso leva à sua incapacidade de botar ovos

Doenças dos órgão reprodutivos masculinos

Prolapso do falo

Durante a estação de reprodução, o falo (órgão copulador) dos machos adultos poder ficar evertido constantemente e, assim, tornar-se susceptível a lesões. A remoção do macho do piquete de reprodução pode levar à resolução espontânea. O prolapso do falo também é observado nas aves debilitadas e no final da estação reprodutiva, assim como durante as flutuações climáticas extremas e no clima muito frio, que pose ser resolvido com o aquecimento da ave afetada.

Lesões do falo

As lesões do falo evertido ocorrem principalmente durante a cópula ou a micção. Elas também ocorrem no falo prolapsado. O manuseio brusco durante o exame também pode provocar danos. O macho com o falo lesado deve ser removido do piquete de reprodução e mantido sozinho até que esteja totalmente recuperado.

Anormalidades do esperma

Os avestruzes machos que estão acasalando normalmente, mas cujos acasalamentos produzem ovos inférteis ou com baixas taxas de fertilidade, são candidatos à avaliação do sêmen. Isso deve ser realizado durante a estação reprodutiva, uma vez que fora dela, a produção de esperma pode ser totalmente interrompida. O padrão sugerido para a morfologia espermática é de no mínimo 60% de espermatozóides normais.

Desinteresse sexual

Enquanto o desinteresse sexual pode, em alguns casos, ser devido à incompatibilidade entre casais, a causa predominante é a presença humana (pessoa que a ave está acostumada e reconhece como "mãe"). Os machos com esse distúrbio aproxima-se da cerca e se exibem para o visitante. Se for suficientemente estimulada pela presença humana, a ave pode finalmente montar numa fêmea e copular. Nas fazendas que possuem esse problema, esse estímulo pode ser provocado ativamente através da presença da pessoa preferida no início da manhã, que é o momento do dia em que ocorre o acasalamento. O mesmo problema também pode ocorrer nas fêmeas.

Referências

HUCHZERMEYER, F. W. Doenças de avestruzes e outras ratitas. Ed. Funep: Jaboticabal - São Paulo, 2000. 392 p.

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