Início Pecuária Agricultura Aquicultura Horticultura TV Criar e Plantar

Busca no Site

Seções

Avestruz


Doenças dos filhotes

Os filhotes de avestruz são propensos a certas doenças limitadas a essa faixa etária. Elas ocorrem particularmente quando as aves são criadas intensivamente.

Saco Vitelínico

Nos estágios iniciais de desenvolvimento, o embrião de avestruz está fixado na lateral do saco vitelínico. Poucos dias antes da eclosão, todo o saco é puxado para dentro da cavidade abdominal, e o umbigo começa a se fechar bem próximo e sobre ele. Neste momento, o filhote pode perfurar a câmara de ar do ovo e começar a respirar com seus pulmões. Ao nascer, o canal que liga o umbigo e o saco vitelínico ainda está aberto. Normalmente, pode demorar alguns dias para que o umbigo se feche completamente.

Infecção do Saco vitelínico

Esta infecção pode ser causada por contaminações através da casca dos ovos, pela penetração de bactérias pelos poros. Estas bactérias que penetram na casca durante o processo de incubação podem permanecer localizadas sob a membrana cório-alantóica, devido a atividade antibacteriana do albúmen. No momento em que o saco vitelínico é puxado para dentro da cavidade abdominal , antes da eclosão, as bactérias que estão sobre e dentro da membrana atingem e contaminam o umbigo e o ducto do umbigo e penetram no interior do saco.

Uma infecção generalizada pode ocorrer em alguns embriões que sofreram uma contaminação através da casca, morrendo antes do nascimento (morte embrionária). Se tais ovos não eclodidos forem abertos e examinados, e a membrana cório-alantóica for puxada da parte interna da casca, áreas pequenas e escurecidas, representando o crescimento bacteriano, poderão ser facilmente vistas.

Infecção do umbigo ao nascimento

Se, durante ou após o nascimento, o umbigo do recém-nascido entrar em contato com uma superfície contaminada, as bactérias dessa superfície podem penetrar pelo canal do umbigo para o saco vitelínico, causar uma inflamação, penetrar na parede e se disseminar para dentro do vitelo, onde encontram condições ideais de temperatura e também os nutrientes necessários para rápida multiplicação. Daí, elas podem continuar seu trajeto através do ducto para o interior do intestino e causar enterite, ou penetrar na corrente sangüínea através dos vasos mesentéricos e causar hepatite e/ou septicemia, ou permanecer no saco vitelínicos, enquanto suas toxinas são absorvidas pela corrente sangüínea através do tecido semelhante à placenta, cauando toxemia. Em ambos os casos, geralmente encontra-se um abscesso no umbigo e uma parede inflamada no saco vitelínico, durante uma necrópsia.

Retenção do Saco Vitelínico

Um saco vitelínico em funcionamento normal pode ser reabsorvido dentro de 7 a 10 dias ou um pouco mais tarde. Contudo, dependendo das espécies de bactéria envolvidas nessas infecções, e de sua patogenicidade, podem-se testemunhar mortes súbitas no primeiros 7-10 dias de vida, ou encontrar filhotes cronicamente doentes, os quais podem sobreviver por 4 a 6 semanas sem serem capazes de ganhar peso.

Nos filhotes mantidos em baixas temperaturas ou que se deitam em pisos de concreto frio, a reabsorção do saco vitelínico também é retardada. Se estiverem com muito frio, os filhotes não irão beber água e em vez disso, irão satisfazer suas necessidades hídricas através da absorção de água do vitelo, que por sua vez torna-se ressecada e incapaz de ser reabsovida posteriormente. O mesmo pode acontecer aos filhotes superaquecidos com aceso insuficiente à água, e conseqüente desidratação.

Torção do Saco Vitelínico

Esta torção ocorre quando o ducto do umbigo é rompido. Isso ocorre durante os tropeços e quedas do pintinho, mas também durante o manuseio rude. Como consequência de outra queda ou rolamento, o saco vitelínico gira sobre si mesmo no nível do ducto vitelo-intestinal ou da alça intestinal, estrangulando seu suprimento sanguíneo. Essa é uma condição muito dolorosa, raramente diagnosticada clinicamente e que causa a morte rápida do filhote afetado. O posicionamento errado dos comedouros e bebedouros nos piquetes de concreto e o capim alto nas pastagens são os obstáculos mais importantes, sobre os quais pintinhos tropeçam e caem.

Prevenção das doenças do Saco Vitelínico

Ver em Manejo Sanitário

Desordens Gastrintestinais dos recém-nascidos

Os recém-nascidos são particularmente propensos a várias doenças dos estômagos (proventrículo e moela) e do intestino.

Enterite causada por bactérias – Dirréia

Esta enterite, causada por bactérias gram-negativas, é particularmente comum nos recém-nascido criados intensivamente sobre concreto, devido a uma incapacidade de estabelecer uma flora intestinal protetora normal. Um sinal de enterite é a desidratação das pernas. Diarréia também pode se desenvolver, particularmente se o cólon também estiver inflamado. Como os avestruzes não possuem linfonodos para impedir a disseminação de bactéria no intestino para a corrente sangüínea, a septicemia freqüentemente acompanha ou segue a enterite.

Salmonella spp., E. coli e Pseudomonas aeruginosa são os principais agentes infecciosos. Nessas infecções, o fígado pode estar aumentado e mostrar múltiplos pontos de necrose. Sempre que possível, a tipagem de isolados de Salmonella e E. coli deve ser realizada. Devido à incidência aumentada de resistência aos antibióticos, o tratamento depende dos antibiogramas dos isolados, mas raramente é bem sucedido.

Gastrite por Megabactérias

A megabacteriose já foi a mais devastadora de todas as doenças contagiosas afetando os avestruzes. Megabactérias são bactérias muito grandes que ainda não foram classificadas cientificamente, mas acredita-se que estejam relacionadas com os lactobacilos. Clinicamente, as aves afetadas aparentemente comportam-se normalmente e beliscam a comida. Porém, elas não a ingerem, cessando o seu crescimento e perdendo peso. Finalmente, as aves ficam em decúbito devido à fraqueza e morrem. Outros fatores, como estresse comportamental, problemas nutricionais e frio, provavelmente estão envolvidos no desencadeamento de surtos de megabacteriose. Porém, uma vez estabelecida, estas megabactérias parecem ser altamente patogênicas e virulentas. Acredita-se que elas paralisam as contrações da moela e assim, produzam sinais clínicos semelhantes aos da impactação.

Impactação

Os filhotes perturbados, desorientados ou frustrados tendem a ingerir materiais estranhos, os quais bloqueiam a entrada da moela e, conseqüentemente, se acumulam no proventrículo. Com o bloqueio da entrada da moela, nenhum alimento pode passar, a moela interrompe as contrações (paralisia gástrica) e, finalmente, a ave morre de inanição.

Geralmente, o material ingerido consiste em areia, pedras, feno, longos ramos de grama, folhas, gravetos, etc. a areia e as pedras muito pequenas podem passar até o intestino e bloquear o ceco. Os filhotes de avestruz vão mostrar os sintomas de inanição e paralisia gástrica: parada do crescimento, perda de peso e finalmente, morte. A palpação do abdômen permite sentir o proventrículo distendido, com seu formato distorcido pelos objetos estranhos. Os intestinos cheios de areia também podem ser palpados.

A ingestão de objetos estranhos que levam à impactação é causada por comportamento alterado, como abandono, desorientação e mudanças súbitas. Portanto, ela pode ser evitada mantendo-se os filhotes livres de qualquer desse estresses. Adicionalmente, todo material que poderia ser ingerido deve ser mantido fora do alcance dos filhotes, removidos de seu piquetes ou cobertos com sombrite, lonas ou pisos.

Problemas das Pernas de Filhotes

Devido ao seu rápido crescimento, os filhotes de avestruz são muito propensos a problemas nas pernas. A maioria deles é multifatorial e ainda não completamente compreendida.

Rotação Tibotársica

A rotação tibiotársica ocorre em filhotes de duas semanas ou mais e pode afetar somente uma ave ou surgir como um problema de rebanho. O osso tibiotarso, geralmente da perna direita, faz um giro sobre si mesmo acima da articulação do jarrete, como uma barra retorcida, numa rotação entre 40-90º, virando o pé (tarsometatarso e dedos) para fora. Essa rotação ocorre muito rapidamente, freqüentemente dentro de 24 horas. As aves afetadas geralmente não conseguem ficar de pé e lesam a articulação do jarrete ao esfregá-la sobre o piso, nas suas tentativas para levantar. Aquelas aves que ainda podem ficar de pé e andar, têm dificuldades para alcançar o alimento e a água, ficando para trás em termos de crescimento.

A falta de exercícios é vista como um fator causal possível da rotação tibiotársica. A fraqueza dos músculos adutores tem sido mencionada como uma das causas, o que pode ajudar a explicar a rapidez com a qual a rotação acontece. Outro fatores também influenciam esta doença, como o desequilíbrio de cálcio e fósforo, deficiências de selênio e vitamina E, dietas com altos níveis energéticos e/ou protéicos, predisposição genética, piso inadequado nas instalações, entre outros.

Os problemas de entortamento das pernas devem ser prevenidos, cercando-se todas as possíveis causas. Se as aves apresentarem problemas, é conveniente reavaliar o manejo dos animais e os níveis nutricionais, na tentativa de identificar suas origem. Aves saudáveis, de boa qualidade, criadas e, áreas que permitam a pastagem e exercícios, com suplementação de ração balanceada, dificilmente apresentarão problemas nas pernas.

Referências

  • HUCHZERMEYER, F. W. Doenças de avestruzes e outras ratitas. Ed. Funep: Jaboticabal - São Paulo, 2000. 392 p.

  • CARRER, C. C.; KORNFELF, M. E. A criação de avestruzes no brasil. Ed. Ultra Copy: Rio Claro – São Paulo, 1999. 304 p.

  • TULLY JUNIOR, T. N.; SHANE, S. M. Ratite: Management, medicine and surgery. Ed. Krieger Publishing Company: Malabar – Florida, 1996. 188 p.
Email:
Senha:


Esqueci Senha
Cadastre-se
Receba as notícias
© 2001 - 2013 Criar e Plantar - Todos os direitos reservados