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Avestruz


Manejo animal

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Os avestruzes comportam-se de forma imprevisível em diferentes situações de manejo. Os machos, em particular, durante a estação de reprodução podem ter comportamento muito agressivo, o mesmo podendo ocorrer com algumas fêmeas adultas, tornando-se tão agressivas quanto os machos. Lembrando sempre da imprevisibilidade do comportamento do animal, deve-se tomar os devidos cuidados: as pessoas não podem entrar nos piquetes sem uma vara que pode ser bifurcada, com 2,5 m de comprimento e com um plástico preto fixado na extremidade para conter, caso se faça necessário, as aves agressivas. Os filhotes e a maioria das aves adultas são facilmente controladas por uma ou duas pessoas.

Para o manejo dos adultos é importante a utilização de um capuz colocado sobre a cabeça do avestruz porque, de olhos vedados, tornam-se mais dóceis. No entanto, o capuz deve permitir a entrada suficiente de ar para que a ave possa respirar livremente. O uso do capuz todas as vezes que for segurar as aves, desde filhotes, faz com que elas se habituem, reduzindo o stress.

As aves podem ser presas, usando um brete ou capturadas com uma vara curva, semelhante a um cajado de pastor, com 4 cm de diâmetro e 3,0 m de comprimento. O gancho deve ter cerca de 6,25 cm de largura, de modo a se adaptar frouxamente em torno do pescoço da ave mas de forma que a cabeça não escape Na hora de capturar, leve um grupo de aves para dentro do pátio de manejo, mesmo que apenas algumas delas devam ser capturadas. Elas devem ser tocadas e cercadas num canto do pátio. Então, a pessoa que vai fazer a captura deve se aproximar calmamente, com a vara curva pronta, com a ajuda de dois ou três auxiliares.

A aproximação deve ser feita pela lateral ou por trás, para evitar os chutes defensivos do avestruz. Então, o pescoço é preso pelo gancho da vara, na junção da cabeça, puxando, sem torcer, pois o pescoço quebra facilmente. Os auxiliares ajudam a segurar o animal, um na cauda e um em cada asa, enquanto é colocado o capuz na cabeça. Deve-se ter cuidado para que a ave não caia com o gancho em volta do pescoço. Faz-se então o manejo desejado ou o animal é conduzido ao transporte.

Alguns criadores colocam a ave em um saco grande para evitar agitação nos casos de transporte para locais próximos. A contenção manual de ratitas é potencialmente perigosa, tanto para o tratador como para o animal.

As aves ratitas reagem rapidamente quando se sentem ameaçadas e freqüentemente pulam e esperneiam, dando coices violentos para a frente. As unhas e os dedos tornam-se então armas formidáveis, portanto o pessoal deve ser orientado a reagir apropriadamente.

Os avestruzes jovens podem ser apanhados segurando as pernas firmemente e elevando a ave acima do chão. No caso de animais adultos, a cabeça é apanhada e imediatamente encapuzada, para que a visão do animal seja bloqueada. O capuz pode ser feito com um pano escuro ou uma meia grossa, com elástico na extremidade mais larga e um orifício na extremidade oposta para o bico. Um aro metálico na ponta de um bastão pode auxiliar a colocação do capuz e a condução da ave. Uma vez tendo a sua visão bloqueada, a ave sentir-se-á completamente dominada, podendo ser conduzida, agarrando-se suas asas e fazendo-se alguma pressão para baixo, para impedir que ela pule, especialmente quando passar de um tipo de piso para outro tipo com textura diferente.

Uma pressão maior e contínua fará com que a ave assente-se gradualmente. Deve-se lembrar que o avestruz não consegue chutar para os lados ou para trás. A dificuldade só existe quando se permite que a ave pule ou caia sobre um dos lados. Em todas as situações de contenção manual, deve-se instruir todos os auxiliares para que ajam de maneira coordenada, rápida e tranqüila. Deve-se ter todo empenho em não estressar os animais.

Nunca se deve amarrar um avestruz para o transporte. O esforço violento da ave para se libertar acaba provocando lesões graves. A solução ideal consiste utilizar caixotes individuais de madeira ou chapa de compensado, no tamanho da ave, com furos para a ventilação. O fundo destes caixotes pode ser revestido com capim seco. Os caixotes podem ser acondicionados em engradados, na carroceria de um caminhão ou caminhonete, jamais em caminhões-baú, em que a temperatura sobe demasiadamente e a ventilação é insatisfatória. O transporte deve ser feito na parte mais fresca do dia ou à noite.

A utilização de drogas tranqüilizantes como os benzodiazepínicos (Diazepam, Valium, etc., na dose de 5 a 1Omg/Kg de peso corporal) podem ser de grande valia para diminuir o stress dos animais durante o transporte.

A administração intramuscular de hidrocloreto de ketamina, 25 a 5Omg/Kg de peso corpóreo, e uma combinação de hidrocloreto de tiletamina e hidrocloreto de zolazepam, 2 a 5 mg/Kg de peso corporal, têm sido utilizados em ratitas, principalmente para captura, algumas vezes utilizando-se dardos e pistolas. As aves geralmente se acalmam com doses menores e desmontam com doses maiores. O uso de ketamina isoladamente pode provocar efeito paradoxal com doses baixas, ou seja, a ave pode ficar excitada. Mendes, 1990, comenta que em geral, a contenção química pode facilitar a movimentação de ratitas para dentro de gaiolas ou caixas de transporte, mas produz muitos problemas quando usada em dosagens maiores para imobilização total.

Anestesia

O halotano é um agente satisfatório para produzir anestesia geral em ratitas. A dificuldade primária ocorre durante a indução ou recuperação, quando as aves precisam ser contidas para prevenir danos. O processo de indução por respiração na máscara precisa ser cuidadosamente observado porque o padrão de respiração rápida da ave estressada poderá resultar em rápida depressão.

Uma vez que a ave tiver atravessado o período de indução, um tubo endotraqueal poderá ser facilmente passado e a anestesia mantida indefinidamente. Todas as espécies de aves irão experimentar quedas bruscas de temperatura corpórea, especialmente durante procedimentos prolongados. E recomendável que se isole o animal ou se providencie alguma fonte externa de calor para ajudar a manter a temperatura. Em algumas poucas situações, leituras cloacais de 34,5 a 35ºC, foram observadas durante procedimentos de uma a duas horas, sem que as aves desenvolvessem complicações pós-operatórias.

Em aves previamente imobilizadas com hidrocloreto de ketamina a 25mg/Kg, via intramuscular, a ketamina dada via venosa pode produzir anestesia adequada em doses de 5 a 1Omg/Kg. Doses adicionais de 5mg/Kg são requeridas a intervalos de 10 a 15 minutos para manter uma profundidade adequada de anestesia.

Transporte

Para aves jovens: recomenda-se uma área de 1,2m x 0,90m, e altura suficiente para permitir que as aves fiquem de pé sem desconforto. Este recinto de transporte deve ser delimitado por grades, ou tabiques de madeira no formato de uma gaiola, sem saliências ou fendas que possam ferir as aves e com piso que não seja escorregadio, podendo ser forrado com uma boa camada de feno.

Cobrir a "gaiola" com lona durante todo o transporte para que seu interior fique o mais escuro possível e, ao mesmo tempo, permita uma ampla ventilação. Se for por poucas horas, não fornecer ração durante o transporte, apenas água para refrescar as aves que ficarem quentes e estressadas

De preferência, o transporte das aves deve ser efetuado no período da noite, quando é mais fresco e as aves ficam mais calmas e descansam. Áreas intensamente iluminadas devem ser evitadas, pois a luz estimula as aves a pular subitamente, o que pode causar ferimentos.

Ao chegar ao destino, retira-se a lona para que os animais se acostumem com a luz, estimulando-os também a ficarem em pé durante 15 a 20 minutos antes do desembarque. Evitar introduzir as aves em piquetes estranhos durante a noite pois, após serem soltas, elas podem correr em qualquer direção e ir ao encontro de objetos ou cercas.

Após o transporte, alimento e água devem estar disponíveis.

O transporte de ovos também requer alguns cuidados. Eles devem ser limpos e embrulhados individualmente em panos ou em papel macio, colocados numa caixa ou outro recipiente, com o lado da câmara de ar voltada para cima e transportado sob temperatura de aproximadamente 15 a 1 8ºC. O transporte descuidado dos ovos podem quebrá-los, ou causar deslocamento do embrião, levando a perdas por baixa eclodibilidade.

Marcação dos animais

Os avestruzes podem ser marcados por métodos provisórios e definitivos. Um método de marcação revolucionário é através da microchipagem, que consiste na implantação de um microchip no músculo da cabeça da ave, padronizando do lado esquerdo, o qual é reconhecido por um leitor, que informa a numeração do chip daquele animal. Este número, que nunca se repete, é a identidade da ave, onde através de planilhas de controle zootécnico (informatizadas ou não), fazemos o acompanhamento do manejo do animal sempre que necessário. Algumas vantagens do método podem ser citadas: facilidade de uso do sistema; marcação permanente sem o risco de perder o chip; fácil identificação em caso de roubo de um animal. O custo do uso deste método de marcação talvez viabilize apenas para animais reprodutores, mas, apesar de inicialmente ser caro (cerca de US$ 400.00 um leitor e cerca de US$ 10.00 um mícrochip), se encarado como custo fixo, a amortização anual é bastante baixa.

Outro método de marcação, e, certamente mais barato que o anteriormente citado, é a marcação com brinco de bovinos inserido na pele do pescoço, perto da base, o qual tem registrado um número que identifica o animal. Pode ser usado de duas cores diferentes, para distinção de machos e fêmeas. Dê preferência ao uso de brincos com tonalidade mais opaca, e não use o vermelho e nem o amarelo vivo. Uma grande vantagem deste método é o custo, e uma desvantagem é a chance de ficar mal colocado e cair posteriormente.

O uso de fitas adesivas coloridas nas pernas dos animais seria um método de marcação provisório, com a intenção de identificar um animal em terapia, por exemplo, ou convalescente, etc.

Fichas Zootécnicas

O uso de fichas de controle visam acompanhar o desenvolvimento dos avestruzes, além de registrar seu desenvolvimento ponderal e histórico veterinário. Existem vários modelos de fichas, as quais também podem ser criadas pelo fazendeiro, além de poder utilizar os recursos da informática e de possíveis programas de controle de planteis de avestruzes que podem ser desenvolvidos ou já existentes no mercado internacional. Segue um exemplo simples de ficha de controle individual:

Animais marcados com brinco. Observar detalhe na base do pescoço.

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