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Manejo reprodutivo

Biologia da rã-touro

A rã touro pertence à classe Amphíbia (do grego amphi=duas, bias=vida), cujo nome indica a maioria das espécies que vivem parcialmente na água doce e parcialmente na terra.

A rã-touro, como a maioria dos anfíbios, acasala-se na água, onde seus ovos são depositados e onde as larvas, denominadas girinos, vivem e crescem até se metamorfosearem em rãs jovens.

Somente os machos coaxam (embora as fêmeas também emitem sons) e o som do coaxar se assemelha ao mugido de um boi, daí a origem do nome rã-touro (em inglês bullfrog).

- Acasalamento: o macho entra na água e começa a coaxar atraindo a fêmea, abraçado-a pelas costas e fazendo com que ela elimine os óvulos enquanto ele descarrega o esperma. Ocorre assim a fecundação, externamente, na água. Os ovos apresentam coloração escura, formato esférico e são envolvidos por uma camada gelatinosa que em contato com a água aumenta de volume, sendo que o conjunto dos ovos - desova - adquire um aspecto de lençol gelatinoso flutuante.

Logo após a fertilização inicia-se o desenvolvimento embrionário, caracterizado por uma série de estágios cujo número pode variar conforme as diferentes tabelas elaboradas por diversos autores. No caso da tabela elaborada em 1960 pelo pesquisador K. L. Gosner, esse período abrange 25 estágios, da fecundação até o estágio de girino.

No estágio de girino, estes animais apresentam um crescimento extraordinário e em seguida inicia-se o processo de metamorfose, com o desenvolvimento dos membros posteriores seguidos dos anteriores e finalizando com a absorção da cauda, resultando naquilo que em ranicultura denominamos da imago ou rã recém metamorfoseada.

Nos estágios finais da metamorfose quando os girinos já apresentam os quatro membros, porém ainda possuem a cauda, a tendência deles é ficarem em locais mais rasos, onde possam se apoiar e permanecer com as narinas fora da água para respirar, pois e respiração que era branquial, passa a ser pulmonar.

As imagos são como miniaturas de rãs adultas, isto é, apresentam o mesmo aspecto que estas, sendo que o seu peso varia de 4 a 10 gramas. As rãs não possuem órgãos sexuais externos  que permitam a distinção entre machos e fêmeas, porém ao atingirem o estágio adulto apresentam dimorfismo sexual bem evidente, podendo o sexo ser distinguido através da observação das características apontadas no quadro abaixo:

Características Machos Fêmeas
Diâmetro da membrana Maior que o diâmetro Quase igual ao diâmetro
Timpânica do globo ocular do globo ocular
Coloração do papo Amarela Creme esbranquiçada
Coaxado nupcial Sim Não

A duração do período de ovo a imago (Ciclo: ovo-girino-imago-rã), em águas com temperatura média variando entre 25ºC a 28ºC, é de 2,5 a 3 meses.

A duração do período de imago até rã, com peso para abate (160 a 170 gramas), varia em função de vários fatores, principalmente temperatura e alimentação, podendo ser de 3,5 a 14,0 meses quando as rãs são criadas sob uma temperatura média de 30ºC a 35ºC e alimentadas com ração com teor protéico de 46% (ração para trutas).

O período natural de reprodução desta espécie, para as condições climáticas do Estado de São Paulo, estende-se do início de setembro até meados ou final de fevereiro. A quantidade de óvulos por postura varia de acordo com o peso e idade dos animais. Com cerca de um ano e peso de 150 a 200 gramas, a rã-touro já está apta a reprodução, podendo produzir de 3000 a 5000 óvulos. Na bibliografia especializada encontramos citações afirmando que a produção de óvulos pode chegar até 20000, com os animais pesando entre 400 a 650 gramas.

Reprodutores

- Densidade no setor de reprodução: 2,5 a 3 animais/m²;
- Proporção entre machos e fêmeas: 1 macho para 1 fêmea;
- Alimentação: ração peletizada misturada com larvas de moscas, na proporção de 80% de ração e 20% de larvas. A ração para trutas  é utilizada com bastante sucesso, e o teor protéico varia de 46% - na fase de crescimento a 48% -  na fase inicial.

Atenção: Evitar o manuseio dos animais na época da reprodução. Ao comprar reprodutores, escolher os animais que apresentem aspeto saudável, pele brilhante, ausência de machucados, deformações, etc. Deve-se dar preferência aos animais que apresentem pernas longas e uma boa conformação corpórea e seu peso deverá ser no mínimo de 200 a 250 gramas. Tomar cuidado com a procedência dos animais para evitar problemas de consangüinidade, que pode resultar no aparecimento de animais com deformações, queda de produção , etc..

Desovas

- Coleta: as desovas são coletadas nos tanques de postura com o auxílio de uma bacia. Basta afundar a bacia na água que a desova vem junto. Após a coleta os ovos são transferidos para os tanques de eclosão.

Atenção: O manuseio das desovas deve ser cuidadoso para evitar choques mecânicos. Ao colocar a desova no taque da eclosão deve-se despejá-la cuidadosamente sobre um quadro de sarrafos com fundo da tela de nylon - tipo mosquiteiro, que tem a função de manter os ovos na superfície da água.

Girinos

- Densidade nos tanques de crescimento e metamorfose: 1 girino por litro de água.
- Densidade nos tanques de estocagem: 20 a 25 girinos por litro de água.
- Alimentação: ração finamente moída - quanto menor o tamanho das partículas da ração, melhor será o seu aproveitamento pelos girinos -  é jogada à lanço sobre a superfície da água. Com relação à quantidade de alimento, deve-se fornecer uma porção diária correspondente a 10% do peso vivo dos animais, que deverá ser baixada a 5% quando do início da metamorfose. Essa porção diária não deverá ser fornecida de uma só vez, mas dividida em três ou quatro vezes.
- Recomendações: Ao se realizar uma contagem, separação por tamanho ou estágio de desenvolvimento ou qualquer tipo de manejo onde os girinos ficam temporariamente fora da água, deve-se manuseá-los cuidadosamente, pois sua pele é muito delicada. Deve-se evitar também fazer este tipo de serviço nas horas mais quentes do dia e, de preferência, fazê-lo na sombra.

Nos tanques de girinos é preciso ficar atento quanto à presença de predadores que podem causar sérios prejuízos ao criador. Existem varias espécies de predadores: insetos (baratas d'água, ninfas de libélula), peixes (traíra, muçum), aves (bem-te-vi, martim-pescador) e répteis (cobras). Para evitar a sua entrada nos tanques, deve-se cobri-los com tela de nylon e instalar filtros de areia nas entradas de água.

Imagos

- Densidade: nos tanques de pré-engorda ou seleção fenotípica, utiliza-se uma densidade de até 100 imagos/m².
- Alimentação: na fase inicial utilizar ração peletizada - pellets pequenos - para trutas, misturada com larvas de mosca, inicialmente na proporção de 50% de ração e 50% de larvas. Depois que os animais estiverem condicionados ao consumo de ração, deve-se baixar a quantidade de larvas para 20%. Com relação à quantidade de alimento a ser fornecida diariamente, recomenda-se que esta seja suficiente para que haja sempre uma pequena sobra no dia seguinte.
- Recomendações: Os imagos devem ser manuseados com cuidado e deve-se escolher as horas mais frescas da dia, trabalhando sempre na sombra. Ao se fazer uma triagem ou transporte de um tanque para outro, os baldes onde os animais serão colocados deverão ter pouca água, de tal forma que os imagos possam ficar apoiados no fundo do balde.

As rãs apresentam crescimento bastante heterogêneo, isto é, umas crescem mais que as outras, resultando numa desuniformidade do tamanho dos animais. O canibalismo, onde as menores são devoradas pelas maiores, é uma conseqüência direta dessa desuniformidade e, para evitá-lo, são realizadas triagens periódicas na quais os animais são separados por tamanho e reagrupados por tanque de tal maneira que cada tanque de engorda  abrigue lotes o mais homogêneo possível de animais.

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