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Na escolha do local de construção e instalação de um ranário, deverão ser observado alguns fatores:

Água :

A quantidade, qualidade e condição são indispensáveis para o êxito da criação de rãs. Deve-se observar os seguintes aspectos:

- Qualidades físico-químicas da água: o pH deve encontrar-se entre 6,5 e 8, sendo o ideal 7,O; Oxigênio dissolvido de 6 a 8 mg por litro de água; Teor de cálcio próximo a 20 mg por litro; Temperatura ideal entre 25ºC e 30ºC. Evitar água excessivamente turva, com excesso da matéria orgânica e alimento em suspensão, ou salobra.

- Nascentes: deve dar-se preferência a este tipo de fonte de água, ainda mais se estiver situada na propriedade, pois assim tem-se total controle sobre a qualidade da mesma. O ideal é que esteja localizada num nível mais alto que a do ranário, pois desta forma a distribuição da água dar-se-á por gravidade.

- Córregos: deve-se evitar a utilização de água de córregos, principalmente quando não se conhece a atividade desenvolvida ao longo do curso de água, devido o risco da contaminação por agrotóxicos, esgoto doméstico ou qualquer outro agente poluente.

- Poços:  É outra opção que pode ser utilizada, entretanto deve-se ficar atento com relação ao teor de oxigênio dissolvido na água, pois águas de subsolo geralmente são pobres em oxigênio. Nesse caso ainda há o inconveniente, a não ser que se tenha um poço artesiano, da água ter que ser bombeada, resultando num aumento do custo de produção.

- Vazão disponível: essa medida deverá ser feita de preferência durante o inverno, na época das secas.

Clima:

Inicialmente é preciso esclarecer que as rãs são animais pecilotérmicos (de sangue frio), isto significa que a atividade metabólica delas está diretamente relacionada com a temperatura ambiente. Sob baixas temperaturas tornam-se letárgicas (pouco ativas) e sob altas temperaturas (35ºC) são muito ativas, alimentam-se bastante e crescem rapidamente.

Portanto, o clima da região onde o ranário  será implantado, deverá preferencialmente apresentar temperaturas com média das máximas em torno de 30ºC ou mais, e média das mínimas não inferior a 15ºC.

Cabe aqui salientar que com a utilização das modernas técnicas de climatização, através do uso de estufas agrícolas, consegue-se amenizar significativamente o efeito negativo das baixas temperaturas e acelerar o desenvolvimento destes animais.

Relevo:

De preferência devera ser plano ou levemente inclinado.

Insolação:

Evitar áreas sombreadas, com excesso de vegetação muito alta nas proximidades, assim como fundos de vales cuja orientação esteja no sentido norte-sul, pois haverá muita sombra no período da manhã e da tarde e, conseqüentemente, temperaturas mais baixas, principalmente no inverno.

Acesso:

O local deverá ter bom acesso a fim da facilitar as atividades gerais do ranário, bem como o escoamento da produção.

Centro Consumidor:

Sempre que possível procurar locais que estejam relativamente próximos ao centro consumidor para diminuir os custos de transporte.

Local tranqüilo:

As rãs são animais ariscos, que se assustam com facilidade, portanto deve-se evitar a construção do ranário em local onde haja muita movimentação de pessoas ou veículos.

Construção do ranário:

- Rede hidráulica: a distribuição de água deve ser individual para cada tanque. Os tubos deverão ser de PVC (não usar tubos de ferro galvanizado, cobre ou chumbo, que podem liberar elementos tóxicos aos girinos). Evitar excesso de curvas na rede hidráulica a fim de diminuir as perdas de carga e as chances de ocorrer entupimento. O diâmetro dos tubos de entrada de água nos tanques deverá ser de 3/4 a 1 polegada e dos tubos de saída de 3 a 4 polegadas.

- Alvenaria: as partes de alvenaria, principalmente o piso dos tanques de engorda devem ser bem acabados. Rugosidades, cantos vivos e bordos cortantes devem ser evitados, pois podem causar ferimentos nos animais, assim com deve-se evitar também piso excessivamente áspero, o pode provocar ferimentos nos animais. 

- O fundo dos tanques e piscinas deve ter uma inclinação de 1% a 2% em direção a saída de água para facilitar o escoamento de água e a limpeza dos mesmos.

Subdivisão do ranário

O ranário é composto por diferentes setores com estruturas físicas específicas descritas a seguir:

- Setor de Reprodução: formado por duas áreas, uma destinada a alimentação dos animais, constituída por uma piscina retangular com uma ilha no centro e, ao redor da piscina, na área seca, são distribuídos os abrigos. A outra área é formada por um conjunto de pequenos tanques (1,00 X 1,00 X 0,20 m), denominados tanques de postura ou desova. Os tanques de postura podem estar distribuídos ao redor da piscina ou apenas de um lado, mas a distância entre eles deve ser de 2 a 3 metros.

Tanto a piscina como os tanques de postura devem ser de alvenaria. Não existe nenhuma barreira física entre as duas áreas, sendo que os animais podem transitar livremente entre elas. Na época da reprodução os machos deslocam-se naturalmente para os tanques de postura, começam a coaxar atraindo as fêmeas; ocorre então o acasalamento e a desova. Este setor, assim como os demais, é coberto de tela (sombrite 50%), para evitar a entrada de predadores e também o excesso de radiação solar.

- Setor de eclosão ou Desenvolvimento Embrionário: Formado por um conjunto de tanques de alvenaria, geralmente com dimensões de 1,00 X 1,00 x 0,20 m , construídos no interior de uma estufa, cuja função é manter a temperatura estável, evitando variações bruscas que são prejudiciais nesta fase do desenvolvimento. As desovas recolhidas nos tanques de postura (Reprodução) são transferidas para os tanques de eclosão, nos quais ocorrerá todo o desenvolvimento embrionário, isto é, do ovo até a fase de girino.

- Setor de girinagem: Este setor é composto por um conjunto de tanques de crescimento e metamorfose e de tanques de estocagem.

- Tanques de crescimento e metamorfose: são tanques de alvenaria com profundidade que pode variar de 0,30 a 0,50 m, geralmente de formato retangular e dimensões variáveis (p. ex. 2,00 X 4,OO ou 2,50 X 10,00 m), dotados de uma canaleta lateral onde são coletados os imagos. Nesses tanques, como o próprio nome indica, ocorre o crescimento dos girinos e todo o processo de metamorfose.

- Tanques de Estocagem: São tanques de pequenas dimensões (geralmente caixas d'água de fibrocimento de 750 ou 1000 litros) onde, através de manejos específicos, consegue-se retardar o desenvolvimento dos girinos e desta forma regular o fluxo de produção do ranário.

Uma opção para baratear o investimento inicial na construção do ranário é a utilização de tanques-rede. Neste caso pode-se aproveitar açudes ou tanques naturais existentes na propriedade e neles instalar os tanques-rede, que são estruturas semelhantes a um cesto, confeccionados com tela de nylon - tipo mosquiteiro, com estruturas de ferro, PVC ou bambu.

Quando se utilizam esses tanques é preciso ficar atento à limpeza das telas, pois com o passar do tempo forma-se uma camada de algas filamentosas (limo) que poderá obstruir as malhas da tela, dificultando a renovação da água, tornando o ambiente impróprio ao desenvolvimento dos girinos.

- Setor de Pré- Engorda (Seleção Fenotípica): São tanques que apresentam uma piscina, abrigos e cochos, para os quais são transferidas as recém-matamorfoseadas e onde, através de um manejo específico, se faz uma seleção dos animais que passarão para os tanques de engorda.

- Setor de Engorda: O setor de engorda é composto por tanques que podem ser de diferentes tipos, entretanto todos possuem es seguintes estruturas em comum:

- Piscina: destinada ao atendimento das necessidades fisiológicas diárias das rãs, como regulação térmica, hidratação do corpo e evacuação.
- Abrigo: estrutura que pode ser de madeira, concreto ou fibrocimento, que funciona como refúgio para os animais, proporcionando-lhes maior segurança e tranqüilidade e conseqüentemente, diminuir o atraso causado pela entrada dos tratadores por ocasião do fornecimento do alimento ou limpeza dos tanques.
- Cochos: recipiente onde é colocado o alimento das rãs.

Os modelos de tanques de engorda mais comumente usados são os seguintes:

- Tanque-Ilha: é o modelo mais antigo e surgiu no final da década de 1970, resultante do empirismo dos ranicultores. Com o passar dos anos passou por certos aperfeiçoamentos. Sob a ponto de vista estrutural pode-se dizer que o modelo tanque-ilha, está ultrapassado.

- Confinamento: este modelo foi desenvolvido na Universidade Federal de Uberlândia, é caracterizado pelas suas pequenas dimensões (geralmente 10 m²) e por ser construído totalmente em alvenaria.

- Anfigranja: o que caracteriza este modelo, desenvolvido na Universidade Federal de Viçosa, é a disposição linear de piscina, abrigos e cochos permitindo uma distribuição mais uniforme dos animais no interior do tanque. Os tanques (de alvenaria), são construídos no interior de galpões, semelhantes aqueles utilizados nas granjas de engorda de frangos.

- Gaiola: desenvolvido em meados da década de 80 pelo Instituto de Pesca de São Paulo, para ser utilizado em pesquisas de engorda de rãs. Este modelo, com certas modificações, acabou sendo adotado por alguns criadores, entretanto devido a dificuldades de manejo, principalmente no que diz respeito à distribuição de alimento, seu uso, para fins comerciais, ainda não é recomendado.

- Ranário climatizado, desenvolvido pelo Instituto de Pesca/SP, vem despertando muito interesse entre os criadores e todos aqueles que pretendem iniciar-se na atividade. Trata-se de um sistema de produção onde todos os setores (desde a reprodução até a engorda) são construídos no interior de estufas agrícolas. As instalações que compõem os diferentes setores apresentam várias melhorias estruturais que permitem, através de um manejo específico, uma produção praticamente constante ao longo do ano.

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