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Trigo


História do Trigo

 

          É remotíssima a origem do trigo. O homem cultiva o triticum vulgare, pelo menos, há seis mil anos, no início, triturando-o entre pedras rústicas, para aproveitar a farinha. Foram encontrados grãos de trigo nos jazigos de múmias do Egito, nas ruínas das habitações lacustres da Suíça e nos tijolos da pirâmide de Dashur, cuja construção data de mais de três mil anos antes de Cristo.

          A origem do precioso grão mistura-se com as lendas de quase todas as religiões: os egípcios atribuíam o seu aparecimento à deusa Isis; os fenícios a Dagon; os hindus a Brama; os árabes a São Miguel; os cristãos a Deus.

           O uso do pão branco, de massa fermentada, é atribuído, em primeiro lugar, aos egípcios, 20 a 30 séculos antes de Cristo. Com o passar dos tempos, aperfeiçoou-se a técnica de fabricação, controlando-se melhor a fermentação.

          Devido à seleção dos produtores e, mais recentemente, ao trabalho de pesquisas científicas, a cultura do trigo ampliou-se, ocupando áreas cada vez maiores e alcançando produtividade maior. Destacam-se como grandes produtores: China, Rússia, Estados Unidos, Índia, Canadá, França, Turquia, Austrália, Argentina e Reino Unido.

 

O TRIGO NO BRASL

          O trigo deve ter sido uma das primeiras culturas tentadas pelos portugueses no Brasil. A história do trigo no Brasil teve início em 1534, quando as naus de Martim Afonso de Sousa trouxeram as primeiras sementes de trigo para serem lançadas às terras da Capitania de São Vicente, de onde foi difundida por todas as capitanias, invadindo até a Ilha de Marajó, cujas plantações se tornaram , mais tarde, famosas.

          Os trigais brasileiros se anteciparam aos norte-americanos, argentinos e uruguaios, pois o Brasil foi o primeiro país americano a exportar trigo, graças às lavouras que teve em São Paulo, Rio Grande do Sul e outras regiões, antes do aparecimento da ferrugem.

          Em 1737, alguns colonos dos Açores chegaram ao Rio Grande do Sul e se dedicaram à triticultura. Em 1780 foi colhido no Rio Grande do Sul 61.111 alqueires de trigo ou 2.000 toneladas e em 1781 62.879 alqueires. Havia contrabando de trigo para Montevidéo, quando houve o incentivo do Governo em exportar trigo para Portugal. Assim, exportaram 12.878 alqueires em 1795 e 221.745, em 1816, produção essa que baixou a 80.440 em 1819 e a 20.623 em 1822.

          Entre 1840 e 1850, embora a ferrugem já estivesse arruinando os trigais brasileiros, cultivava-se trigo no município pernambucano de Bonito, a 480 m de altitude; em Viçosa, Alagoas; na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, entre outros. Eram culturas pioneiras que mostravam a possibilidade do Brasil produzir trigo não só nas regiões Sul e Leste, bem como no Nordeste e no Centro-Oeste, desde que se corrigisse a latitude com a altitude. Mas, por volta do primeiro quartel do século passado, e devido à ferrugem que se abateu sobre os trigais brasileiros, começou a decadência de nossa triticultura na sua primeira fase. Os imigrantes europeus sempre contribuíram para a difusão da cultura do trigo. Porém não havia a preocupação em introduzir variedades resistentes às diversas ferrugens e capazes de se aclimatarem no Brasil. Assim, aos anos de êxito seguiam-se os de fracasso.

          Em 1912, o Ministério da Agricultura criou o primeiro Campo Experimental de Trigo, no Rio Grande do Sul. Em 1918 dispôs-se a conceder prêmios em máquinas agrícolas aos sindicatos e cooperativas que cultivassem trigo no mesmo ano e no seguinte.

          Em 1919 foi fundada, simultaneamente com a Estação Experimental de Ponta Grossa, Paraná, a Estação Experimental de Alfredo Chaves, hoje Veranópolis, Rio Grande do Sul, onde trabalhou, entre aquele ano e 1924, o agrônomo tcheco Carlos Gayer, cujo mérito principal foi ter reunido as antigas variedades cultivadas na zona colonial, assim como ter iniciado uma obra de separação de formas. Várias dessas linhagens se destacaram e são conhecidas como linhas Alfredo Chaves, fazendo parte do "pedigree" de todas as variedades até hoje cultivadas no Brasil. Assim começou a pesquisa do trigo no Brasil.

          Em 1923, a convite do Ministério da Agricultura, veio ao Brasil Alberto Boerger, geneticista do Instituto Fitotécnico La Estanzuela, no Uruguai. Estudando o problema tritícola brasileiro, disse, o cientista, que a triticultura deveria ser fomentada com a criação de estações experimentais, com a distribuição sistemática de boas sementes e através da concessão de prêmios aos agricultores. Em 1924, foi contratado o geneticista sueco Iwar Beckman, que realizou as primeiras hibridações de trigo no Brasil, destacando-se a que ficou conhecida como "Fronteira" , resistente à ferrugem amarela, que dizimou os trigais do Rio Grande do Sul em 1929, sendo de melhor rendimento que outras variedades então disponíveis. Cruzando "Fronteira" com "Mentana", este trazido por Gayer da Itália, Beckman obteve o trigo "Frontana", que entra para a história como o primeiro resultado espetacular da pesquisa no Brasil.

          Deflagrada a Revolução de 1930 no País, uma das primeiras preocupações do Governo recém-instalado foi conceder incentivos financeiros à produção de trigo, visando ao aumento da produtividade. Porém o esforço governamental só veio a encontrar ressonância após a 2a. Guerra Mundial, com a adoção da política de substituição de importações.

          Em 1937, a Lei nº. 470 determinava a criação de cinco estações experimentais no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Goiás, além de 40 postos de multiplicação de sementes divididos em vários Estados. Infelizmente, os postos nunca foram instalados.

          O Decreto-Lei nº. 26, de 1937, criou o Serviço de Fiscalização do Comércio de Farinhas, com a finalidade de impulsionar a fabricação de pão misto, que teria 70% de trigo e 30% de sucedâneos, quase sempre farinha de raspa de mandioca. Também seriam usadas, na mistura, farinhas de arroz e milho, depois substituídas pela de raspa de mandioca. A mistura obrigatória incentivou a cultura da mandioca e a montagem de fábricas do novo tipo de farinha. Com isso, caiu a importação de trigo, passando de 1.037.169 toneladas de grão e de 42.978 toneladas de farinha, em 1938, a 857.878 toneladas de grão e 18.072 de farinha, em 1940. Esta redução também foi causada pelo aumento da safra brasileira de trigo.

          A tendência era para uma diminuição muito maior, pois estava aumentando a percentagem da mistura, até atingir os 30%. Contudo, alguns, preocupados com a perda do mercado brasileiro, atuaram de forma a derrubar o trabalho realizado. Em 1942, o Itamarati assinou, de forma unilateral, sem nenhuma vantagem brasileira, um convênio com a Argentina, proibindo o uso do pão misto no Brasil durante dez anos. Muitas fábricas fecharam e os prejuízos foram vultosos, tendo o preço do trigo subido imediatamente e a produção brasileira baixado para 100.000 toneladas anuais.

          Foi lento o ressurgir da triticultura brasileira. Aos poucos, a produção subiu novamente, mas ainda é muito inferior ao consumo. A falta de orientação definida e contínua para esse segmento da lavoura, tem produzido efeitos contraditórios, que se refletem na permanente oscilação da produção brasileira.

          A triticultura brasileira teve um marco importante, em 1962, com a criação do CTRIN, que, conjugado com o esforço da pesquisa, que fez surgir variedades resistentes à ferrugem, além do salto nas cotações internacionais da soja e o preço de incentivo do trigo, pelo Governo, após o Decreto-Lei nº. 210, de 1967, resultou no crescimento da produção nacional de 255 mil toneladas, para 1.146 mil toneladas em 1969.

          Uma análise de nossas safras mostra, em 1971, uma produção de cerca de 2 milhões de toneladas. Já no ano seguinte, uma série de fatores naturais interferiu na lavoura, frustrando a produção que caiu verticalmente, não chegando a atingir 700 mil toneladas. Em 1973 e 1974 novos bons resultados foram conseguidos, diante da conjugação de diversos fatores, destacando-se o aumento da área plantada e o incentivo oficial, expresso pelos preços remuneradores concedidos pelo Governo. Porém, o resultado mais expressivo viria a ocorrer em 1976, com 3.038 milhões de toneladas.

          A criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, em 1973, fez com que a pesquisa deixasse de ser matéria conduzida por heróis singulares e passasse a predominar anônimas equipes, capazes de examinar conjuntamente todos os aspectos da cultura. Por coincidência, também em 1973, começou a funcionar a pesquisa do trigo no IAPAR – Fundação Instituto Agronômico do Paraná, em Londrina.

          Em 1975, uma geada catastrófica dizimou as lavouras de trigo, pondo a perder, inclusive, gerações e gerações de cruzamento em campos experimentais e o próprio trigo semente. Apesar de resistências, foi autorizada a importação de materiais mexicanos.

          Em 1976, ano muito úmido, houve um grande surto de doenças fúngicas, que retirou das lavouras materiais mais antigos e promoveu nova importação de sementes mexicanas.

          Até 1990 não havia qualquer classificação das variedades recomendadas no Brasil, quanto à aptidão de suas farinhas para a panificação. O projeto de Mapeamento dos Trigos Brasileiros, patrocinado, no primeiro ano, pelos Grupos Santista e J.Macêdo e, nos seguintes pela própria ABITRIGO, possibilitou estabelecer esta classificação.

          A espetacular melhoria na competitividade do trigo nacional não esgotou o problema de qualidade, ainda há um longo caminho a ser trilhado no esforço de elevação da qualidade dos trigos brasileiros.

          Atualmente, em razão dos altos custos de armazenamento e conservação do produto, o Governo Federal sempre que necessita intervir na comercialização do trigo nacional, conforme as circunstâncias de mercado, para garantir os preços mínimos oficiais, promove a oferta de Prêmio para o Escoamento de Produto – PEP. Esse mecanismo permite à Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB, operacionalizar um programa de compra e venda simultânea de trigo, através da Política de Garantia de Preços Mínimos.

 

A HISTÓRIA DA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE
MOAGEM DE TRIGO

          O setor moageiro de trigo é bastante antigo no Brasil, sendo hoje integrado por um considerável número de grandes, médias e pequenas indústrias, com distribuição geográfica bastante dispersa pelo território brasileiro, abrangendo, praticamente, todos os Estados da Federação.

          O primeiro moinho a vapor foi instalado no Brasil em 1819, por Antônio Gustavo Bijuderg.

          O interesse capitalista pela industrialização do trigo no Brasil efetivamente, passou a ser sentida a partir do final do século passado, quando foi implantado no Brasil, o primeiro moinho, chamado MOINHO INGLÊS.

          Antes disso, para os centros urbanos, importava-se farinha da Inglaterra, Uruguai e Argentina. Importação essa que era feita em barricas de madeira.

          No dia 25 de Agosto de 1887 foi assinada, pela Princesa Isabel, a autorização para funcionamento do Moinho Fluminense, no Rio de Janeiro.

          Outros grupos internacionais do ramo, a partir do início desse século, implantaram no Brasil suas unidades moageiras, iniciando um processo de controle de mercado dos derivados do trigo. Esses industriais eram ligados a países exportadores de trigo e, com efeito, não tinham interesse no desenvolvimento da triticultura nacional.

          O imigrante italiano Aristides Germani, ao tentar implantar moinhos no Rio Grande do Sul e produzir trigo, por duas vezes, sofreu duros golpes quando importava, da Itália, máquinas para melhorar a tecnologia de seu moinho colonial, implantado na Cidade de Caxias do Sul. Registrou ainda dura concorrência das indústrias multinacionais, que já praticavam a hegemonia sob controle desse mercado no País.

          No país eram isentos de impostos alfandegários máquinas e equipamentos agrícolas importados, como maquinária para moagem de trigo, até a década de trinta. No entanto, nas duas oportunidades em que Aristides Germani importou máquinas para sua indústria, a União passava a taxar tais importações, para em seguida liberar a importação.

          No Governo de Getúlio Vargas, Governador do Estado do Rio Grande do Sul, no final da década de 20, foi iniciada uma reação em defesa da produção nacional do trigo, com o próprio Getúlio Vargas contratando técnicos e dando apoio aos moinhos de pequeno porte que apareciam pelo interior das regiões que produziam trigo.

          A partir da década de 1930, já com o Presidente Getúlio Vargas no Governo da República, com o desenvolvimento industrial e a formação dos centros urbanos, o consumo de trigo cresceu, tendo no Governo, a ação fiscalizadora dos moinhos. Então, foram instalados no País, moinhos nos Estados produtores de trigo.

          Em 1937, a Lei no. 470 determinava que os moinhos de trigo beneficiassem, pelo menos, 5% de produto nacional, sobre o total de trigo estrangeiro industrializado. O Decreto Lei no. 955, de 1938, estipulava a obrigatoriedade aos moinhos de industrializar todo o trigo nacional.

          Já, em 1944, com o Decreto no. 6.170, de 05/01/44, o Governo passou a disciplinar a distribuição de cotas de trigo para a industrialização, através do rateio de todo o volume de trigo destinado ao abastecimento, tendo como base a capacidade de moagem registrada pelos moinhos.

          Em 1949 com o Decreto no. 26.159 de 07/01/49, proibiu-se a importação de farinha, continuando os moinhos a importar diretamente o trigo em grão.

          A partir de 1951, valendo-se da insuficiente atuação do Governo e a falta de uma política oficial bem delineada e abrangente, para melhor definição das atividades do setor, tivemos exemplos de elementos inescrupulosos, onde foram registrados, então, fatos que se tornaram famosos na história econômica do País, como o contrabando, o "trigo papel", passeio do trigo" e a "nacionalização do trigo", gerando incalculáveis prejuízos para o Tesouro Nacional, além das constantes desestabilizações do mercado.

          Diante desses fatos, o Governo criou no Ministério das Relações Exteriores, a Comissão Consultiva do Trigo, com a finalidade de coordenar o abastecimento do mercado.

          Em 1952 deu-se a primeira aquisição do produto no exterior através da CACEX, ficando a compra do trigo nacional compulsória por parte dos moinhos, que mediante comprovante, recebiam um subsídio de quase 100%.

          Em 1954, o Decreto Lei no. 35.769, obrigava todos os moinhos instalados no País, a adquirirem o trigo de produção nacional em cotas proporcionais à sua capacidade industrial de moagem e armazenamento.

          As cotas do trigo importado eram distribuídas mediante comprovação da compra do produto nacional e proporcionalmente à capacidade de moagem. A compra do trigo nacional, pelos moinhos, era compulsória. Os moinhos somente recebiam cotas de trigo importado mediante a apresentação de comprovante de compra de determinada e proporcional quantidade de trigo nacional. As indústrias superdimensionaram suas instalações, objetivando a obtenção de maiores cotas, causando sérios desvirtuamentos ao parque moageiro. Houveram casos de moinhos que simulavam a compra de trigo nacional, ao qual o Governo concedia um subsídio de quase 100% em relação ao trigo importado. A nacionalização do trigo consistia no ato de apresentar, como se nacional fosse, o trigo importado, mediante adulteração de documentação e embalagem do produto. Como conseqüência, ocorria o chamado "passeio do trigo"; em que o produto estrangeiro, que vinha para abastecer o Sul do País, retornava para o Leste e Norte, rotulado como de produção nacional.

          Em 1957, na tentativa de colocar ordem na situação, a Portaria no. 519, de 03/04/57, do Ministro da Agricultura, definiu critério de aferição das capacidades de moagem.

          Em 1959, o Decreto no. 47.491, de 24/12/59, dividiu o País em quatro zonas para distribuição de trigo e ratificou o dispositivo do rateio em função da capacidade industrial do moinho e da quantidade de trigo atribuída a cada zona de consumo.

          Em 08/02/1962, o Decreto no. 600 proibiu a concessão de autorização para instalação de novas unidades ou aumento da capacidade das existentes. A Portaria no. 820, de 22/11/62, criou o monopólio das operações com trigo nacional, com o objetivo de moralizar o setor moageiro.

          Em 1967 o Governo resolveu interferir oficialmente na política do trigo, resultando daí, o Decreto-Lei no. 210, de 27/02/67, com a oficialização do monopólio estatal, que buscava sanear o parque moageiro nacional, então constituído de 489 moinhos, com capacidade registrada de moagem da ordem de 10 milhões de toneladas, mas que utilizava apenas 2,5 milhões de toneladas, registrando uma ociosidade de 75%.

          O País foi geograficamente dividido em 8 zonas de consumo e a cada semestre, o Governo fazia uma previsão das necessidades de trigo de cada zona, para melhor distribuição das cotas, em função da capacidade técnica apurada a cada unidade moageira, mediante prova física e posterior registro na SUNAB. Como havia mais capacidade industrial do que mercado, a Lei determinou a medição da capacidade de moagem de cada moinho. A análise feita em cada um dos quase 500 moinhos, resultou numa soma tão grande que o Governo resolveu "cortar" 40% e criou cotas para cada unidade relativa a 60% do que constatou.

          O número de moinhos reduziu, entre 1967 e 1990, de 420 para 178.

          O Governo fixou, também, os tipos de farinhas a serem produzidas e passou a estabelecer o preço de venda do trigo e dos produtos.

          Foi determinado que o Banco do Brasil – CTRIN – fosse o responsável pela distribuição do cereal e pela compra de trigo nacional e criou a Junta Deliberativa do Trigo, responsável pelas compras internacionais. O Governo comprou durante 23 anos o trigo doméstico e estrangeiro e o vendeu, em cotas semanais, aos moinhos.

          Com este processo, mantinha-se nos silos dos moinhos, um estoque regulador de sua propriedade, vendendo às empresas, a cada semana, a cota prevista. Os moinhos tinham a possibilidade de recusar cotas, caso a demanda efetiva fosse inferior à estimada e, em sentido contrário, podiam solicitar cotas extras, caso a procura real superasse a estimada, sendo atendidos na medida da conveniência governamental.

          Até 1972, não existia subsídios para o trigo. No Governo do Presidente Emílio Médici, em pleno "boom" da economia mundial e na euforia decorrente do "milagre brasileiro", empenhava-se a administração pública em baixar, sucessivamente, os índices inflacionários, tendo sido estabelecido para 1973 a meta de 12% ao ano. No final de 1972, entretanto, devido à frustração da safra russa de 72/73, que levou a um aumento da demanda internacional, as cotações do trigo dispararam verticalmente. Durante muitos anos elas vinham se mantendo estáveis. Paralelamente, sobreveio, em 1973, a chamada "primeira crise do petróleo", pressionando, entre outros custos, os dos fretes marítimos.

          A partir de 1973, empenhado em alcançar suas metas de redução da inflação, o Governo introduziu os subsídios ao consumo de farinhas, para evitar que altas internacionais de trigo, influíssem na inflação. Não era necessário a criação de um instrumento legal, pois o Decreto-Lei no. 210 possibilitava, automaticamente, a introdução do subsídio. Tal comportamento permaneceu no mercado brasileiro durante mais de 15 anos, trazendo deformações com conseqüências desastrosas, como por exemplo, o aspecto da qualidade de produto final – massas, biscoitos e pães – que ficou colocado à deriva, pois o importante era volume, devido aos preços baixos

          Em 1990, foi aprovada a Lei que acabou com o sistema de cotas de moagem e o monopólio da União na compra e venda de trigo, embora aprovada em novembro de 1990, apenas entrou em efetivo vigor no fim de 1991. Em 1991, o Governo ainda revendeu, por cotas, parte do estoque que possuía e, no mês de novembro, no dia 11, liberou os preços dos produtos e só então o mercado começou a presidir as decisões do setor, com a valorização do produto, tornando as indústrias de moagem donas de seu próprio negócio. Essa liberdade deu início a um novo mercado. Foi preciso uma modernização nas indústrias, planejamento e uma política comercial mais agressiva, pois corria-se o risco de ficar fora do mercado, que passou a ser competitivo.

          Existiam, em novembro de 1990, 178 moinhos "registrados", isto é, que recebiam cotas do Governo. Hoje o número de moinhos gira em torno de 200.

          A moagem de trigo no Brasil é uma das áreas em que nosso País é de Primeiro Mundo. Os moinhos, na sua maioria, sempre cuidaram de implementar sua qualidade industrial e não permitir que o imobilismo da legislação anterior impedisse seu desenvolvimento.

 

SINDICATOS / ASSOCIAÇÕES

          O movimento de criação de Sindicatos e Associações que lutassem pelos interesses da indústria brasileira de moagem de trigo teve início no dia 02 de maio de 1933, com a fundação do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Rio de Janeiro, mas esse somente foi reconhecido em 31 de julho de 1942.

          A Fundação do Sindicato da Indústria do Trigo no Rio Grande do Sul foi em 1939, mas só em 1942 houve o seu reconhecimento, que chegou a possuir 420 associados.

          Já o Sindicato de São Paulo foi reconhecido em 1941, com 7 industrias associadas.

          Na década de cinqüenta, observamos a fundação do Sindicato de Santa Catarina, em 08 de dezembro de 1952, com 36 associados, do Paraná, em 30 de setembro de 1953, com 45 associados e do Sindicato do Pará, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, em 11 de setembro de 1958.

          Em 1972, no dia 28 de junho, foi criada a Associação da Indústria do Trigo no Estado de Santa Catarina, sob a presidência do Senhor Udilo Antônio Coppi.

          No dia 23 de abril de 1974 foi instalada a Associação de Moinhos de Trigo do Norte e Nordeste do Brasil, com sede na Cidade do Recife - Pernambuco e tendo como Presidente o Senhor Gerardo Dias Macêdo.

          Em 1984, no dia 17 de março e no dia 22 do mesmo mês, foram instaladas a Associação dos Moageiros de Trigo do Paraná e Associação Riograndense da Indústria, respectivamente, tendo como Presidente, no Paraná, o Senhor Roland Guth e, no Rio Grande do Sul, o Senhor Walter Otto Bing.

          A Associação Riograndense encerrou suas atividades em 1996, sendo incorporada pelo Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Rio Grande do Sul.

          A Associação das Indústrias de Trigo nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Mato Grosso do Sul, com sede no Rio de Janeiro, iniciou suas atividades no dia 04 de maio de 1984, com o Senhor Ervin Kirschner como Presidente.

          A Associação Paulista da Indústria do Trigo foi instalada no dia 17 de janeiro de 1985, sob a presidência do Senhor João Martins Filho, tendo, hoje em dia, suas atividades incorporadas ao Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo.

          A Associação de Moinhos de Trigo no Ceará, iniciou suas atividades no dia 10 de março de 1986, com o Senhor Amarílio Proença de Macêdo, como Presidente.

          Com a finalidade de prestar serviços de assistência e de apoio à indústria brasileira do trigo, foi criado, no dia 29 de abril de 1986, o Escritório de Representação da Indústria do Trigo, em Brasília – DF.

          A Associação Brasileira da Indústria do Trigo – ABITRIGO, teve suas atividades iniciadas no dia 17 de junho de 1991, inicialmente com sede em Brasília e, atualmente, no Rio de Janeiro.

 

ACORDOS / CONVÊNIOS

          Através da assinatura de um Termo de Cooperação entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI – Departamento Regional do Ceará e o Sindicato da Indústria do Trigo nos Estados do Pará, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, com a intervenção do Moinho Fortaleza (Grupo J.Macêdo) e do Moinho Cearense (Grupo Jereissati), foi criado, em 25 de fevereiro de 1980, o Centro Regional de Treinamento em Moagem e Panificação – CERTREM. Esse Termo de Cooperação recebeu a adesão dos demais Sindicatos e Associações Regionais, bem como da ABITRIGO. O objetivo principal do CERTREM é de capacitar a mão de obra para as indústrias de trigo, panificação, confeitaria e massas alimentícias, através de cursos e/ou programas de formação, qualificação, aperfeiçoamento, suprimento e especialização.

          Em 1995, dia 28 de janeiro, foi assinado um Convênio entre a ABITRIGO e o CIGI – Canadian International Grains Institute, com o apoio da Canadian Wheat Board, com o objetivo de viabilizar o treinamento de profissionais brasileiros nas áreas de moagem e panificação. Esse treinamento ocorre uma vez por ano, sendo realizado em Winnipeg, Canadá, abrangendo, entre outras atividades, visita às áreas produtoras e portos.

          No dia 04 de outubro de 1995, a ABITRIGO assinou um Convênio com o SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – Departamento Regional do Estado do Rio de Janeiro, em conjunto com a Associação das Indústrias de Panificação do Estado do Rio de Janeiro e a Associação das Indústrias de Trigo nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Mato Grosso do Sul, para instalação, no SENAI-RJ, de uma "Agência de Panificação e Confeitaria", cujo objetivo é a formação, aperfeiçoamento e especialização de pessoal para panificação e confeitaria.

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