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Semeadura

O milho, no Estado de São Paulo, pode ser semeado desde setembro até novembro, conforme as condições de umidade do solo. A época mais recomendada, conforme experiências realizadas, é o mês de outubro.

Não se deve antecipar e nem atrasar muito a época de semeadura, tomando-se como referência o mês de outubro. Pode-se observar, na prática, que há uma queda progressiva de produção, principalmente quando a época de semeadura é retardada para os meses de novembro e dezembro. Esses dados são válidos para a Região  Sul do Brasil, de Minas até o Rio Grande do Sul. Para o norte do país o milho é semeado nos meses de março a abril. Para o Estado de São Paulo, a semeadura sendo realizada em outubro, o florescimento ocorrerá em dezembro-janeiro que normalmente é uma época do ano bastante chuvosa. Sabe-se que durante o período de florescimento, que ocorre entre 75 e 80 dias após a semeadura, é a fase em que as plantas de milho mais necessitam de calor e umidade no solo. Portanto a semeadura de outubro é a que mais convém e a que oferece mais segurança no sentido do solo possuir umidade suficiente, no período de maior necessidade das plantas.

Um dos pontos básicos para o sucesso econômico de uma cultura de milho é a aquisição, por parte dos agricultores, de sementes de "boa qualidade".

Se há um ponto em que o lavrador não deve procurar economizar é na aquisição de boas sementes, pois de nada adiantará gastos elevados com um bom preparo de solo, adubação, cultivos, etc. se o material semeado não tiver condições de lhe proporcionar uma cultura altamente produtiva. Do gasto total, desde o preparo de solo até a colheita, a aquisição de boas sementes não ultrapassa, via de regra, 4 a 5% desses gastos.

Quando os técnicos insistem, junto aos lavradores, no sentido de empregar sementes selecionadas de híbridos ou variedades, há razões diversas para justificar essa insistência:

- a produção é maior, cerca de 25 a 30% mais que as variedades antigamente cultivadas ou qualquer outra semente sem origem determinada, ou seja, sementes retiradas do próprio paiol do lavrador;
- os híbridos possuem maior resistência às condições desfavoráveis, principalmente falta de chuvas; possuem sistema radicular mais vigoroso, possibilitando maior exploração do solo na absorção de nutrientes, maior resistência ao acamamento, doenças, etc;
- possuem grande uniformidade tanto no que se refere ao tamanho das plantas como a altura de inserção das espigas, o  que vem facilitar a colheita, principalmente mecanizada;
- os híbridos permitem a obtenção de grãos uniformes, tanto na cor como na consistência, apresentando-se comercialmente mais vantajosos;
- atualmente, com o sistema de crédito agrícola orientado, adotado por parte da rede bancária, tanto oficial como particular, há exigências no sentido de que o lavrador, para obter financiamento de sua atura, use semente selecionada.

Calagem e Adubação

Conforme os resultados da análise da terra enviada pelo lavrador, juntamente com outras informações sobre a gleba onde será cultivado o milho o Técnico recomendará a adubação mais adequada e aplicação de corretivos se for necessário.

Calagem: A erosão, o cultivo intensivo, o clima e a própria origem do sol podem ser os responsáveis pela menor ou maior acidez de um solo. A acidez de um solo é expressa por um índice denominado pH (potencial hidrogeniônico). A escala de pH varia de 0 a 14, sendo que 07 é o valor neutro.
Quando numa análise aparece pH menor que 07 dizemos que o terreno é ácido, pH maior que 07 é alcalino. As plantas de modo geral requerem um solo que não possua acidez elevada, ou seja, o índice pH deve girar entre 06 e 07.

Existem plantas que toleram um solo apresentando pH mais baixo, portanto, mais ácido, outras já exigem solos com pH mais elevado, até mesmo acima de 07.

O milho desenvolve-se bem em solos cujo índice pH esteja compreendido entre 5,5 e 7,5. Existe outro tipo de acidez determinada por altos teores de Alumínio trocável no solo denominada acidez nociva ou tóxica, esta de grande importância, sendo causa de baixas produtividades, em muitas culturas de milho. O alumínio quando aparece livre no solo acima de certos limites, é um elemento tóxico às plantas.

Essas formas de acidez quando ocorrem em um solo, procura-se neutralizá-las através da calagem que nada mais é que a aplicação de materiais contendo cálcio e capazes de diminuir ou mesmo eliminar essa acidez. Esses materiais contendo Cálcio são denominados genericamente de corretivos sendo o principal o Pó Calcário e dentre os tipos de Calcário, o Dolomítico é o mais empregado, pois contém cerca de 25 a 30% de CaO e 13 a 20% de MgO, sendo o magnésio um elemento importante na nutrição vegetal.

Para a cultura do milho, dados experimentais demonstram que para uma exploração econômica o pH não deve ser inferior a 5,0 e o teor de cálcio inferior a 2,0 e.mg/100ml de solo.

Com o pH acima de 5,4 a experimentação demonstrou que não há resposta a aplicação de calcário e entre os valores 5,0 e 5,4 a resposta e intermediária. Desses resultados deduz-se que as recomendações de calagem só devem ser feitas, depois de obtido, através da análise da terra o índice pH e o teor de Cálcio do solo. Quando houver necessidade de aplicar o calcário, mesmo que pelos resultados analíticos haja necessidade de quantidades razoáveis de corretivo, do ponto de vista prático é aconselhável não ultrapassar a quantia de 2 toneladas/ha por ano.

Quanto a época de aplicação, o calcário deve ser esparramado sobre o solo com bastante antecedência, no mínimo 60 dias antes da semeadura, e igualmente distribuído sobre o terreno. A pesquisa determina que o melhor resultado se obtém quando a dose recomendada é aplicada parceladamente, sendo a metade dessa dose aplicada ante da aração e a outra metade depois da aração, fazendo-se em seguida a incorporação pela gradagem.

A ação benéfica da calagem reflete-se às vezes, não pelo fato de se conseguir uma elevação do índice pH do solo, mas sim, pela eliminação do Al+++ trocável do solo (acidez nociva).

A calagem corretamente recomendada aumenta a eficiência da adubação mineral, tornando-a econômica, quando não o seria, levada a efeito sem a devida correção do solo. Por essa razão a aplicação isolada do calcário como corretivo é contra indicada.

A calagem quando praticada em excesso pode acarretar o desequilíbrio catiônico do solo, prejudicando a absorção pelas plantas do potássio e do magnésio. Pode também pela elevação a níveis superiores do pH, diminuir a disponibilidade de micro-nutrientes como o manganês, ferro, boro, cobre e zinco e reduzir a solubilidade do fósforo e provocar a perda de fertilizantes nitrogenados (Na amoniacal). Por essas razões e outras já apontadas a calagem é uma prática que deve ser orientada por Técnicos e o agricultor nunca deve processá-la sem uma consulta prévia com os técnicos.

Calculo de Calagem

- Abudação de Plantio: Em função dos teores de fósforo e potássio dados pela análise do solo.

- Adubação em cobertura: Aplicar 40 kg/ha de nitrogênio;

- Calagem: A quantidade de calcário deve ser calculada com base na análise de solo e de acordo com a fórmula:

N.C. = T(V2 - V1) x f

100


NC = necessidade de calcário em tom/ha;
T = capacidade de troca catiônica do solo ou a soma de k+Ca+Mg+H+H, em e.mg/100cm3de terra, dados pela análise do solo;
V2 = porcentagem de saturação de bases desejada, para milho usar 60%;
V1 = porcentagem de saturação de bases fornecidas pela análise do solo;
f = 100/ORTN; fator de correção considerando a qualidade do corretivo, sobretudo o grau de finura; pode-se usar f =1,5.

Adubação

As aplicações de fertilizantes juntamente com a colheita, são os dois fatores que atualmente mais oneram o custo de produção do milho. Por essa razão a adubação é uma prática que deve ser levada a efeito sob uma orientação segura.

A base para essa orientação é a análise química do solo e as demais informações sobre a gleba, contidas no questionário enviado ao laboratório, juntamente com a amostra de terra. Cada gleba de terra, conforme a análise, o tipo de solo e o seu uso atual, constitui-se num caso particular para recomendação de uma adubação racional, razão pela qual não se deve indicar uma fórmula geral.

A adubação da cultura de milho é feita normalmente em duas fases:
a adubação básica e a adubação nitrogenada em cobertura.

A adubação básica NPK é aplicada no sulco, via de regra, concomitantemente à operação de semeadura. Nessa ocasião aplica-se a dose total recomendadas de fósforo e potássio e apenas 1/4 a 1/3 da dose total de Nitrogênio.

Deve-se tomar cautela para que os fertilizantes fiquem fora de contato com as sementes, para que não haja perigo de prejudicar a germinação.

A posição ideal do fertilizante em relação às sementes no solo é que fique ao lado e pouco abaixo das mesmas.

A aplicação de Nitrogênio em cobertura deve ser processada aos 35 dias após a germinação e preferivelmente após um dos cultivos, para que o fertilizante não venha a beneficiar ervas daninhas existentes no terreno, em prejuízo das plantas de milho. Um outro ponto de referência para a aplicação do fertilizante nitrogenado em cobertura, é quando as plantas estejam a altura dos joelhos.

Tanto na aplicação da adubação básica como em cobertura o fertilizante deve ser distribuído mais homogeneamente possível e na dosagem correta. Para isso há necessidade de regular com exatidão as adubadeiras.

Esse equipamento quer seja de tração animal ou motora, só fica bem regulado quando o teste é feito em condições de trabalho, sobre a terra que vai ser trabalhada. Para isso o lavrador primeiramente faz uma regulagem grosseira, depois com o recipiente devidamente cheio de adubo, percorre uma determinada distância, 50m, por exemplo, no próprio terreno, como se estivesse realmente semeando e adubando, tendo o máximo cuidado de fechar a saída do adubo, próximo ao solo, com um saquinho plástico.

Percorrida essa distância previamente marcada, retira-se o saco plástico e pesa-se, verificando, posteriormente, se a quantia de adubo que caiu, confere com a quantia que deve ser distribuída por metro de sulco. Se cair demais ou de menos, por tentativa, deve repetir essa operação até que a quantia caída seja a recomendada. Esse trabalho feito em terreno firme, sobre piso ladrilhado ou girando a roda motora da adubadeira quando levantada, nunca dá a regulagem exata que se obtém quando se efetua essa tentativa sobre o próprio terreno e nas condições que se apresenta, condições essas reais de trabalho. O evidente que dá um pouco mais de trabalho, mas compensa.

É conveniente que de vez em quando a regulagem seja conferida, pois pode haver alteração principalmente com as mudanças do estado de umidade do solo, condições de preparo do mesmo e também por variações de umidade e estado de agregação do fertilizante.

Quantos aos resultados da adubação química em termos de aumento de produção, de modo geral há uma resposta positiva, mas é conveniente que o lavrador não despreze o aspecto econômico dessa prática, pois nem sempre a maior produção é a mais econômica, ou seja, a que dá mais lucro. As recomendações de adubação devem levar em consideração não só as exigências da planta e do solo, mas também o fator econômico dessa prática, e os resultados obtidos em condições de grandes culturas no Estado de São Paulo, comprovam que a adubação feita segundo as recomendações técnicas, via de regra, dão resultados econômicos altamente compensadores.

Finalmente outro aspecto importante sobre adubação e que tem grande significado no aumento de produção é relativo à matéria orgânica. É notadamente sabida a deficiência de matéria orgânica na grande maioria de nossos solos. Qualquer adição de matéria orgânica quer seja através da adubação verde, esterco de curral, de galinha, etc., obtém-se respostas altamente significativas.

Nota-se em geral, grande desperdício de tão valioso material nas nossas fazendas, razão pela qual faz-se um alerta aos lavradores que procurem racionalmente levar esse material aos campos de cultura, ao invés de perdê-lo por simples abandono.

Semeadura

A semeadura compreende diversas operações e normas técnicas que devem ser adotados pelos lavradores. Pode-se mesmo afirmar que a semeadura, feita corretamente, é uma das operações que maior implicação tem na produção a ser obtida. Mesmo que o solo seja muito bem preparado, conservado, fertilizado, produções medíocres serão obtidas se a semeadura não for feita corretamente. Espaçamento, quantidade de semente e modo de semear, são os três aspectos mais importantes da operação de semeadura e para os quais o lavrador deve voltar toda a sua atenção e procurar executá-los da melhor maneira possível, para que prejuízos futuros não ocorram.

A primeira operação a ser executada é o sulcamento ou riscação do terreno. Se a semeadura for executada por semeadeiras de tração com trator, de duas ou mais linhas, o sulcamento é feito simultaneamente com a operação de semeadura propriamente dita. Essas semeadeiras normalmente possuem os sulcadores adequados para essa operação. Quando se emprega a semeadeira de tração animal, há necessidade de executar a riscação ou sulcamento do terreno numa operação independente da semeadura. Com as semeadeiras de tração animal não é possível executar as duas operações simultaneamente, como nas de tração motora.

O sulco ou risco deve ter uma profundidade em torno de 15cm. e largura de 30cm, conforme o esquema abaixo.

Executado segundo essa recomendação, esse sulco apresenta vantagem, principalmente no que se refere à facilidade de cultivo para controle de ervas daninhas, que se desenvolvem junto com as plantas de milho, logo após a germinação.

Quando na gleba já estão locadas as linhas de nível, o sulcamento deve obedecer ao sentido das mesmas. Caso não haja essa marcação, será executado procurando a direção que "corte as águas".

A segunda operação é a semeadura propriamente dita e que envolve principalmente espaçamento, regulagem das semeadeiras e cobertura das sementes.

O espaçamento adotado deve ser o de 1metro entre os sulcos e as semeadeiras reguladas para deixar cair de 6 a 7 sementes por metro do sulco, quando se tem um semente com 90% para mais de germinação. As semeadeiras, tanto de tração animal como motora, possuem duas aletas colocadas posteriormente do local que deixa cair às sementes no solo, que devem ser bem reguladas para que a quantia de terra colocada sobre a semente seja uma camada uniforme, de 5 cm mais ou menos.

Essa recomendação relativa à quantidade de sementes por metro de sulco é dada no sentido de se obter, no final do ciclo da cultura, cinco plantas produtivas por metro, que é a população ideal de plantas por unidade de área, ou seja, 50.000 plantas por ha ou cerca de 120.000 plantas por alqueire paulista.

Resultados obtidos nos ensaios de espaçamento de milho, realizados pelo Instituto Agronômico de Campinas, mostraram os seguintes resultados:

Espaçamento
(em metro)

Produções obtidas em kg/ha

1 planta

2 plantas

0,20  4.690 4.060 
0,40 3.930 4.460
0,60 3.210 4.120
0,80 2.720 3.690
1,00 2.160  3.240

Pelo quadro acima, nota-se que o espaçamento de melhor resultado foi o de 20cm entre uma planta e outra. Como os sulcos são distanciados 1 metro entre si, a população das plantas será da ordem de 50.000 por hectare.

O espaçamento pode sofrer variações, pois a recomendação acima pode não ser a mais correta levando em consideração a fertilidade do solo, ou a quantidade de fertilizantes aplicados. Por essa razão, o lavrador que vem plantando milho ou outra cultura durante anos seguidos, portanto, conhecendo bem a capacidade de produção de seu solo, deverá ter o conhecimento do espaçamento que melhor produz em suas terras.

A recomendação de 6 a 7 sementes por metro de sulco, com o objetivo de se obter 50.000 plantas/ha, é a que proporciona melhor resultado, partindo do princípio de que o solo seja bastante fértil ou as adubações corretamente processadas.

Como se pode notar, a quantia de sementes que se recomenda, está um pouco acima do número de plantas que se pretende obter por metro de sulco. Essa recomendação é plenamente justificável porque dificilmente 100% das sementes germinarão e mesmo que germinem algumas plantas poderão sofrer danos mecânicos por ocasião dos cultivos, serem atacados por alguma praga, etc. Há assim uma garantia de se obter uma população razoável por unidade de área, sem o que infalivelmente não se obterá as melhores produções, mesmo que todas as operações e adubação sejam corretamente executadas.

Essas recomendações para a operação de semeadura partem do princípio de que o lavrador possua, pelo menos, uma semeadeira/adubadeira, de tração animal. A semeadura realizada manualmente, ou com equipamento mais rudimentar, deixa muito a desejar, e, só se justifica para áreas muito pequenas, que não compense ao lavrador possuir um animal, e uma semeadeira/adubadeira. É um equipamento relativamente barato e serve também para adubar e semear outras culturas, o que torna sua aquisição menos onerosa.

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