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Adubação orgânica

Sobre a adubação orgânica, aceitávamos, conceito tradicional de que ela deveria ser usada após completa decomposição. Os estudos realizados, todavia, mostraram que no caso do feijão a adubação orgânica será usada antes da sua completa decomposição. Só assim se tornará possível o aproveitamento total dos valores físicos da massa vegetal no que se refere à aeração, à redução na variação da temperatura do solo, à manutenção da umidade, etc.

Tal é a importância da massa vegetal (adubo orgânico) ainda não totalmente humificada para a nutrição da planta e, conseqüentemente, para o seu desenvolvimento e para a produção econômica da leguminosa que o problema da adubação deve ser tratado com mais profundidade.

No caso da massa vegetal (o mais comum), a matéria orgânica vai desde a planta recém-cortada até quando já se decompôs quase totalmente, ficou mineralizada ou transformada em húmus. Quando se incorpora multa quantidade de matéria orgânica ao solo, inicialmente há uma grande atividade microbiana para produzir gás carbônico em alto volume, ocorrendo momentaneamente uma redução da quantidade de nitrogênio cm forma de nitrato.

O segredo está, portanto, no uso, de massa vegetal volumosa, ainda com bastante efeito físico, e que esteja liberando paulatinamente nitrogênio. Tais condições são obtidas, na prática, com o uso de adubo verde na fase inicial de decomposição. Em experiência realizada, a massa de soja-perene foi incorporada aos canteiros, na base de 10 t/ha, dez meses antes da semeadura, e aguardando-se a sua completa decomposição. Em outros canteiros, às vésperas do plantio, incorporou-se aquele mesmo volume de soja-perene. O resultado da experiência mostrou que o adubo verde aumentou a produtividade em 25%.

Essas experiências explicam por que muitos lavradores não conseguem bons resultados quando plantam adubo verde (Crotalária, soja, feijão-de-porco, etc.) em outubro, cortam-no em fevereiro, esperam pela decomposição e semeiam o feijão em setembro e outubro. As experiências demonstram a vantagem do plantio do feijão em fins de fevereiro, vinte a trinta dias depois do corte das leguminosas.

Do ponto de vista prático do problema, achamos que, sempre que for possível, deve-se plantar adubo verde ou fazer o cultivo comercial de leguminosas antes da lavoura do feijão. Pode-se usar uma das seguintes formas:

- O feijão da seca sucede o plantio de adubação verde (Crotalária, soja comum, cow-pea) a ser incorporada ao solo em fins de janeiro. Com o uso de máquinas pesadas, como o rôlo-faca, pica-se a massa vegetal, que é misturada ao solo por um arado.

- Para o feijão das águas, efetua-se a incorporação de todos os restos vegetais de cultura comercial de soja-comum; Crotalária iuncea, Crotalária paulinea, guandu, tremoço, grão-de-bico, em agosto e setembro.

- Se na fazenda houver capineira de soja-perene ou pasto misto, pode-se arar parte dessa área e plantar feijão, que ocupará o terreno apenas durante três meses, findos os quais, a capineira ou o pasto misto se refaz.
 
- Na parte em que se cultivou o milho, após a sua dobra em fevereiro, pode-se plantar Dolichos lab-Iab 697 entre as linhas e deixar vegetar durante o inverno. Os restos de milho e de Dolichos são enterrados em agosto ou setembro, plantando-se feijão em fins de setembro a outubro.

- Na impossibilidade de empregar adubo verde ou leguminosas comerciais, o lavrador poderá escolher áreas abandonadas por dois ou três anos e anteriormente ocupadas por mato herbáceo ou pastos velhos. Neste caso, a aração deve ser feita um mês antes e o feijão receberá adubação de NPK. A rotação de culturas é uma prática aconselhável em todas as explorações agrícolas, sejam sob o ponto de vista sanitário, seja considerando o aspecto de nutrição da planta. No caso do feijão, entretanto, a escolha da cultura que precede seu plantio tem importância muito grande. Há alguns anos se recomendava plantar feijão depois da cultura de algodão, para aproveitar o efeito residual da adubação química pesada que esta cultura recebe. Na prática, no entanto, verificou-se que quando vem a seca, mesmo que ocorra uma ligeira estiagem, o benefício recebido em adubação química é totalmente anulado.

Recentes estudos vieram mostrar a importância da matéria orgânica e determinar quais as culturas a serem feitas antes do plantio do feijão. De preferência, devem ser culturas que deixem restos vegetais, como as de soja comum, de Crotalária júncea, de guandu, etc. Nas experiências realizadas, o tratamento que teve o plantio de soja-comum antes da cultura do feijão deu 25% a mais que a área-testemunha, deixada em repouso.

Um dos esquemas de rotação de culturas que sugerimos é o de soja x feijão x trigo, que podem ser exploradas em 24 meses sem complicação de trabalho no campo, já que entre urna cultura e outra pode haver um intervalo de dois a três meses para o preparo do solo.
Essa rotação terá a vantagem de se valer do uso da mesma combinada para colheita de todas elas, inclusive o feijão, que poderá ser colhido desde que seja utilizada, antes de entrar com a combinada, uma máquina cortadeira acoplada ao trator.

No Nordeste brasileiro se deve adotar a seguinte rotação com  alfafa x feijão, esquema que funciona muito bem no Vale da Califórnia e nas regiões áridas de Idaho, Colorado (EUA).

A prática da irrigação pode contribuir para corrigir fatores negativos do clima e elevar substancialmente o rendimento da cultura do feijão, aproveitando-se a experiência dos EUA acumulada durante dezenas de anos.

Considerando que os elementos causadores das moléstias de podridão bacteriana e antracnose são mais difíceis de ocorrer nas regiões secas e quentes do Nordeste brasileiro, deve-se pensar na realização de um trabalho integrado de todos os órgãos interessados, de Norte a Sul, na produção de sementes sadias de feijão.

A necessidade de água depende da intensidade da evapotranspiração da terra da região onde se faz a cultura. Algumas observações preliminares feitas pela Seção de Irrigação e de Leguminosas do IAC revelaram que nas condições do Estado de São Paulo, nas regiões de Monte Alegre do Sul e Ribeirão Preto, o consumo de água pelo feijoeiro foi respectivamente, de 2,5 a 3,5mrn/dia. É importante não deixar faltar água até a maturação das vagens, para o que se recomenda a irrigação a cada sete a nove dias de intervalo. Verificou-se também que a produção de sementes é afetada decisivamente se há falta de água durante as fases de florescimento e de maturação das vagens.

Preparo do solo: A prática de incorporação ao solo de massa vegetal não decomposta não proporciona, até certo ponto, o bom preparo do solo. Mas isto poderá ser contornado com o emprego de máquinas pesadas como rolo-faca, arados e grades puxados por trator. Esse trabalho extra é compensado pela redução dos riscos da cultura. Os volumosos restos vegetais recomendados são de fácil desintegração. Uma vez picados e incorporados ao solo com esmero e desde que as sementes de feijão possam entrar em contato íntimo com a terra, não haverá prejuízo de monta na germinação.

É importante que o solo fique arado e gradeado convenientemente para garantir melhor germinação das sementes, sem falhas, e também melhor desenvolvimento do sistema radicular. A qualquer custo, deve-se evitar as ervas daninhas, principalmente na fase inicial do ciclo, pois o feijoeiro é uma cultura muito sensível à concorrência do mato.

Sementes

Uma das causas dos constantes insucessos, em nosso meio, na cultura do feijão, é a ocorrência de moléstias transmitidas pelas sementes. As mais graves e freqüentes são o mosaico comum (moléstia cansada por vírus), a podridão bacteriana e a antracnose. Lavradores acostumados a usar sementes da própria lavoura, quase sempre infetada de moléstias, inconscientemente estão espalhando os patógenos de uma geração a outra e de uma localidade a outra.

É preciso que esses lavradores se convençam da vantagem do uso de sementes certificadas, isentas de agentes causadores de moléstias. Esse o melhor meio de se evitar a sua propagação e de se reduzir o prejuízo. Sementes certificadas são obtidas no campo sob inspeção, de especialistas no assunto, durante a fase de vegetação e inteiramente isentas de patógenos. A despesa maior que teriam com a aquisição de sementes certificadas é compensada com a garantia de plantas sadias, vigorosas e sem falhas.

Variedades: Variedades produtivas, resistentes às moléstias e às pragas, que se adaptam facilmente às condições adversas do solo e clima, são as mais indicadas para uma cultura em bases econômicas.

Desde que se consiga uma variedade geneticamente produtiva, relativamente tolerante às oscilações de temperaturas e às condições pluviométricas e também resistentes a algumas moléstias, pode-se assegurar, com o uso de outras técnicas culturais, um bom resultado no plantio do feijão. Seriam compensadoras as práticas, bastante recomendadas, aliás, do emprego de sementes sadias, de adubação fosfatada em solo pobre de fósforo, da eliminação do mato através do uso de herbicidas ou capinas manuais, se a variedade eleita possuísse capacidade potencial de produtividade. A variedade carioca, pelo resultado dos estudos de alguns anos realizados por D'Artagnan e outros em vários pontos do Estado de São Paulo, apresenta as características antes mencionadas, satisfazendo a todas as condições exigidas para um bom plantio.

Época de plantio

Por ser muito sensível ao meio ambiente e às condições climáticas, na cultura do feijão deve considerar muito a época do plantio, principalmente quando é feita sem irrigação. No Estado de São Paulo, exceto no Vale da Ribeira e no Vale do Paraíba, as épocas de plantio mais aconselhadas são os períodos que vão do fim de setembro ao início de outubro (feijão das águas) e fevereiro (feijão da seca). Nos dois vales, do Ribeira e do Paraíba, devido às condições peculiares que apresentam, o feijão é plantado apenas uma vez por ano, em março e em julho, respectivamente.

O escoamento das safras de feijão, como pode ser verificado, se faz de forma bem definida e em épocas bem determinadas, isto é, em dezembro e abril, na maioria das zonas produtoras. Outras safras que forem obtidas contribuirão, evidentemente, para suavizar a oscilação de preços que geralmente ocorre entre a safra tradicional do feijão das águas e as safras do feijão da seca. É preciso estimular a diversificação da época do plantio e, para tanto, deverá ser estudado o plantio em zonas litorâneas, nas regiões áridas do Nordeste brasileiro (sob regime de irrigação) e em alguns vales que apresentem condições específicas preferidas pelo feijoeiro, fora das épocas normais de plantio. Essa diversificação permitirá levar um produto ao mercado consumidor em condições bem melhores.

Espaçamento: O espaçamento e a quantidade de semente a ser utilizada depende da variedade, da fertilidade do solo e do tipo de cultura (irrigada ou não) a ser feita. Assim, para as condições normais de fertilidade do solo no Estado de São Paulo e para as variedades carioca, rosinha G-2 e bico-de-ouro, em cultura não irrigada, recomenda-se o espaçamento de 40 cm entre linhas e duas sementes a cada 20 cm, ao longo da linha.

Quando se pretende plantar utilizando máquinas, calcula-se o lançamento de doze a quatorze sementes por metro linear. Neste caso, o consumo é de cerca de 50kg de sementes por hectare. Para as terras mais férteis adota-se espaçamento um pouco maior e para a variedade de ciclo curto e porte pequeno, como o goiano-precoce, o espaçamento será de 40cm entre as linhas e o uso de duas sementes em cada 10cm, dentro das linhas.

O espaçamento nas culturas irrigadas deve ser em torno de 70cm entre as linhas e de 10cm dentro da linha, colocando-se uma semente apenas em cada cova. Nos demais Estados é recomendadas o espaçamento considerando-se as variedades utilizadas nas respectivas áreas de cultivo.

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