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Época de Plantação

A cebola, para produzir bem, durante seu crescimento prefere temperaturas amenas e, por ocasião da formação dos bulbos, temperatura mais elevada. Chuvas bem distribuídas, durante toda a fase de desenvolvimento, e um período seco, depois que os bulbos já estão formados.

Essa é a razão de a cultura, no início, ter-se concentrado na zona sul do Estado, onde chove mais no inverno e menos no verão, como no Rio Grande do Sul.

Além disso, na primavera e no verão, no Estado gaúcho, os dias são longos e quentes, formando um conjunto de fatores favoráveis à boa formação dos bulbos.

Pelo exposto, fácil é deduzir que a cebola só pode ser cultivada, economicamente, em São Paulo, num período restrito, que vai de março a meados de outubro.

As semeações de fevereiro, época chuvosa e muito quente, são perigosas, sendo comum à perda das sementes, pelo excesso de umidade, ou a inutilização das plantinhas, logo após o nascimento, pela manifestação de moléstias.

As plantas originárias da semeação desse mês apresentam hastes muito grossas, que não tombam com o amadurecimento do bulbo, dificultando, assim, não só a colheita como, também, a operação de restiamento. Há, ainda, duas outras desvantagens: os bulbos mostram-se recobertos por películas muito espessas, que lhes dão um mau aspecto externo, e as plantas ficam com acentuada tendência de emitir pendão floral, comprometendo o aspecto interno dos bulbos.

A experimentação tem demonstrado que, tanto no Planalto Paulista como em regiões mais altas, a produção decresce nas semeações de abril, sendo muito reduzida em maio.

Semeando tarde, a planta se desenvolve pouco, apresentando bulbos pequenos, além dos chamados charutos - cebolas compridas, como o alho-porro. Quanto mais tarde a cebola for semeada, mais curto será o ciclo. Com a semeação em princípios de março, a planta terá desenvolvimento normal, evitando-se o perigo das chuvas de verão, porque a colheita será nos dias da primavera.

Se a fase de máximo desenvolvimento dos bulbos coincidir com forte calor e chuvas demoradas, o prejuízo é certo, pois a planta entrará, desde logo, no segundo ciclo, emitindo folhas e raízes novas. Dessa forma, as cebolas não amadurecem porque, para tanto, são indispensáveis a morte das raízes, e o murchamento da parte aérea.

Se forçarmos a colheita, prejudicaremos a qualidade do produto, pela falta de uma cura perfeita, com perda das características das cebolas amadurecidas em condições normais: cor brilhante e aspecto quebradiço das películas exteriores. Nesse caso, todavia, a fim de evitar danos totais, é aconselhável apressar a colheita, mesmo com a queda do valor comercial do produto, que deve ser de consumo imediato.

Como as plantas colhidas assim possuem hastes muito grossas, o trabalho de restiamento é facilitado com o destalo: corte longitudinal das hastes, com um canivete, e retirada da parte central. Com um pau roliço, dá-se uma pancada na haste, colocada sobre um tronco de madeira: as folhas centrais se destacam com facilidade, dando bons resultados.

São recursos de emergência, empregados por muitos cultivadores, visando evitar prejuízo maior. Colhem bulbos ainda verdes, para chegar mais cedo ao mercado, no intuito de alcançar preços mais altos para o produto.

Canteiro de Semeação

A escolha do local e o preparo dos canteiros de semeação são essenciais: nesse ponto, qualquer negligência aparentemente sem importância poderá concorrer para malogro do empreendimento, logo no início dos trabalhos da cultura. O canteiro de semeação precisa situar-se o mais próximo possível do local escolhido para a plantação definitiva, e não distante de fonte de água, para facilitar as irrigações. O lugar deve ser pouco íngreme, bem batido de sol e longe de árvores frondosas. Evitar as terras encharcadas, ou mesmo úmidas, para fugir à manifestação da mela, moléstia comum em canteiros mal cuidados. No seu preparo, toda precaução é pouca, visto que ele irá receber sementes pequenas e delicadas.

O terreno escolhido será todo revirado a enxadão e destorroado à enxada, para, em seguida, serem construídos os canteiros, seguindo as linhas de nível do terreno. Se a área for grande, haverá vantagem no emprego do arado e da grade.

Quando o terreno apresentar certa declividade, é conveniente a construção de uma valeta na parte superior da série de canteiros, no intuito de evitar as enxurradas.

Os canteiros muito largos têm a desvantagem de obrigar o operário a demasiado esforço para atingir-lhes o centro, sem pisá-los. O ideal é 1,20 m, com a largura útil de um metro, sobrando 10 cm de cada lado, para os bordos.
Convém que sejam pouco mais altos do que o terreno, para evitar enxurradas e facilitar o escoamento do excesso de umidade, não além de 10 cm, porém, nos terrenos comuns; caso contrário, ficaria sujeitos a ressecamento. Só é recomendável maior altura, nos terrenos úmidos ou em época chuvosa, quando convém incliná-los, ligeiramente, para evitar empoçamento de água da chuva.

O comprimento do canteiro pode variar muito; os muito longos, contudo, dificultam a passagem de uma série para outra. Um bom comprimento é 10m. A direção deve ser sempre perpendicular ao declive do terreno.

Os canteiros serão separados por caminhos de 50 cm de largura. A separação de duas séries de canteiros precisa ter a largura mínima de um metro, para facilitar a passagem de pessoas e de veículos pequenos.

Preparada a terra, espalham-se, por metro quadrado de canteiro e pela superfície, 15 quilos de esterco de curral fino e bem curtido, 150 gramas de superfosfato simples e 30 gramas de cloreto de potássio, incorporando-os à terra por meio de uma enxada. Com um ancinho, nivela-se perfeitamente a superfície.

Os canteiros devem ter a superfície horizontal com o objetivo de impedir o escoamento rápido da água de chuva ou de irrigação do canteiro, irrigando-o fortemente, a seguir.

Não semear logo depois do preparo do canteiro, a fim de dar tempo a que a terra se assente e os adubos fiquem bem incorporados a ela. Decorridos oito dias efetuam-se a semeação, quando se deve tratar as sementes com um desinfetante.

Um método prático para realizar esse tratamento consiste em colocar um pouco de desinfetante junto com as sementes em um saco de papel, agitando fortemente e peneirando sobre um papel: o excesso de desinfetante é guardado.

Semeação

Semear o mais uniforme possível, em pequenos sulcos transversais ao comprimento dos canteiros, com 1 a 1,5cm de profundidade e distanciados de 10 cm. É conveniente misturar um pouco de areia às sementes, para auxiliar a semeadura. Sendo a areia clara e as sementes pretas, o operário sabe, com precisão, onde elas caem. Se for bastante prático, pode dispensar a areia.

Cada metro quadrado de canteiro levará mais de cinco gramas de sementes, evitando-se, assim, que as mudas nasçam amontoadas e raquíticas.
As vantagens que a semeação em linha apresenta, sobre o sistema a lanço, também recomendável, são estas: germinação mais uniforme, insolação mais perfeita e arejamento mais adequado, possibilitando, ainda, as capinas e escarificações, o que seria quase impossível no sistema a lanço. Haverá, em conseqüência, produção de mudas mais fortes, com menor perigo de manifestação de pragas e moléstias.

Um sistema prático para a semeação consiste em colocar, sobre o canteiro de semeação, um marcador de linhas confeccionado da seguinte maneira: tomam-se três tábuas de 1,50m de comprimento, unidas por sarrafos do lado de cima, no sentido transversal ao comprimento delas. Na parte das tábuas que irá assentar sobre os canteiros, serão colocados, distantes entre si de 10 cm, sarrafinhos de seção trapezoidal, com estas dimensões: base maior (que será colocada junto às tábuas) = 2 cm; base menor (que formará o sulco de semeação em profundidade) = 0,5cm, e altura (que dará a profundidade do sulco) = 1cm. O marcador é colocado na cabeceira de um dos canteiros e calcado com o peso de um homem. Para facilitar-lhe o manejo, pode-se colocar, em sua parte superior, duas alças, uma de cada lado no sentido do comprimento das tábuas.

Ficarão, portanto, demarcadas, quinze linhas para semeação, distantes entre si de 10 cm. A seguir, o marcador é mudado para frente, e outras linhas ficarão demarcadas. Assim, a operação de marcação das linhas torna-se simples, perfeita e rápida.

As sementes são, então, cobertas, com terra do próprio canteiro, e a superfície deste, com uma leve camada de capim seco sem sementes ou palha de arroz.

Irrigar, de manhã e à tarde, até alguns dias após a germinação, e, daí em diante, só à tarde.

Retirar a cobertura, de uma só vez, a qualquer hora, se o dia estiver nublado, ou à tarde, se houver sol, logo que a germinação tenha início, o que se dará entre 5 e 7 dias após a semeação.

Não abusar das irrigações nas vésperas da transplantação, convindo mesmo suspendê-la dias antes, para que as plantinhas se acostumem à vida que terão no campo. Entretanto, deve-se irrigar copiosamente, pouco antes do arrancamento das mudas, visando facilitá-lo.

Se, por quaisquer circunstâncias, as mudas não apresentarem um aspecto muito satisfatório, haverá vantagem no emprego de uma solução nutritiva, que poderá ser obtida com a dissolução de um grama de Salitre do Chile e um grama de Superfosfato, por litro de água. Irrigam-se os canteiros com cinco litros por metro quadrado dessa solução, e, em seguida, com água, a fim de lavar bem as folhas.

Um grama de sementes de cebola possui cerca de trezentas sementes. Para plantar um hectare, são necessários 900g de sementes, com 80% de germinação. Não será demais, no entanto, o emprego de um quilo de sementes por hectare, a fim de possibilitar boa seleção das mudas, por ocasião do transplante.

Em condições normais, elas estarão prontas para serem transplantadas de 40 até 80 dias depois da semeação. Antes dos 40 dias, terão hastes muito finas, não suportando a transplantação. Depois dos 80, já um tanto engrossado, em início de formação de bulbos, sofrerá maior choque com o transplante, o que acarretará queda de produção por área.

As mudas de 40 dias somente poderão ser empregadas nas pequenas culturas, onde os cuidados dispensados às plantas podem ser maiores, pois com essa idade, as hastes são muito finas, não passando em geral, de 3mm, sendo, também, reduzido o número de raízes, que não vão além de dez.
Dos 50 aos 80 dias, as mudas poderão ser utilizadas nas culturas extensivas, pelo fato de serem mais fortes e mais desenvolvidas, facilitando o manuseio.

A idade das mudas, dentro dos limites citados, não tem grande influência na produção. À medida que vão sendo plantadas com mais idades, as colheitas vão se tornando mais tardias, o que tem grande importância econômica - as cebolas enviadas mais cedo ao mercado alcançam sempre preços melhores.

É fácil compreender que nem todas as mudas da mesma idade apresentam hastes com diâmetro igual. São consideradas mudas de primeira as de hastes com diâmetro superior a 5mm; de segunda, entre 4 e 5mm; e, de terceira, entre 3 e 4mm. São tidas como refugo aquelas cujas hastes apresenta menor diâmetro.

Por ocasião do plantio, não se devem cortar as pontas das folhas e nem as raízes, deixando-as, como é costume, com 3 a 5 cm, apenas.

Tal operação, além do consumo de mão-de-obra, prejudica a produção.
As mudas arrancadas dos canteiros não oferecem dificuldades de plantio, mesmo com raízes não cortadas.

Transplantação

A passagem das mudas de cebola, dos canteiros de semeação para o lugar definitivo, constitui ponto de suma importância na sua cultura.

O lavrador não deve ter pressa na transplantação das mudas, porém esperar, calmamente, uma boa chuva, já que a operação deve ser efetuada com terra úmida, no intuito de evitar falhas. Como se disse, a experimentação tem demonstrado que a produção de bulbos mantém-se praticamente a mesma, quando são empregadas mudas de 50 até 80 dias de idade. De modo geral, entre cinqüenta e sessenta dias, elas atingem o melhor tamanho para transplante.

Os canteiros de semeadura devem ser copiosamente irrigados por ocasião do arrancamento das mudas, o que muito facilitará o trabalho.

São três os métodos na transplantação das mudas:
- sulcos abertos e cobertos à enxada;
- sulcos abertos com sulcador e cobertos à enxada;
- sulcos abertos e cobertos com sulcador.

Em qualquer dos casos, os sulcos não devem ter mais de 6 cm de profundidade, para que as mudas não fiquem muito enterradas.

No primeiro método, um operário vai abrindo o sulco, enquanto outro vai colocando as mudas, em distância e posição certas, o que se consegue com  algumas horas de prática. Ao mesmo tempo em que um operário abre um sulco, outro vai atirando terra no sulco aberto ao lado, já com as mudas.

No sistema misto, um operário abre os sulcos com o sulcador, outros distribuem as mudas nos sulcos abertos, as quais são enterradas por outra turma, à enxada. Convém, que o sulcador não se distancie muito dos plantadores, para a terra não secar. É esse o método mais usado entre nós. Em geral, 8 homens plantam um alqueire de linhas durante o dia, necessitando, cada homem, de dois distribuidores de mudas.

No último sistema, tanto o trabalho de abertura dos sulcos como o de cobertura das mudas colocadas no seu interior, são feitos com o emprego de sulcador. Para tanto, o sulcador abre um sulco onde são dispostas as mudas; na volta, o sulcador atira terra nos sulcos, já com as mudas. O novo sulco aberto não é usado. Efetua-se novo sulcamento, cobrindo-se ao mesmo tempo o anterior, não utilizado; nova distribuição de mudas no último sulco, e assim sucessivamente.

Como é fácil compreender, as mudas não ficam em posição vertical, como se verifica ao serem plantadas à mão, e sim inclinadas, porém, dentro de poucos dias, erguem-se.

Espaçamento

Em geral, é de 40cm a distância das linhas de plantação, quando as capinas e escarificações são feitas à enxada. Essa distância é elevada para 50cm quando os tratos culturais são efetuados com o uso do Planet.

Quanto ao espaçamento dentro da linha, pode variar de 10 a 30 cm. Experiências têm mostrado que a produção para uma mesma área aumenta com a diminuição de espaçamento. Por outro lado, o tamanho do bulbo também é atingido, de forma marcante, pela distância de plantação: menor distância, bulbo menor.

Além de as plantações demasiadamente apertadas darem origem a bulbos reduzidos, de baixo valor comercial, ainda apresentam a desvantagem de dificultar a capina entre as plantas e facilitar a disseminação do fungo causador da moléstia conhecida por queima das folhas, que se caracteriza pelo secamento das extremidades das folhas das plantas. Com um espaçamento médio de 15 a 20cm, a produção será satisfatória e, os bulbos, de bom tamanho, alcançam preço compensador no mercado.

Multiplicação por bulbinhos

Em São Paulo, já é comum o aparecimento, em maio, junho e julho, de réstias de cebola recém-colhida, embora a época normal da colheita seja setembro-outubro. São bulbos resultantes da plantação de bulbinhos colhidos no ano anterior.

O interesse dos lavradores por esse método de plantio de cebola vem aumentado de ano para ano, concorrendo, conseqüentemente, para diminuir a necessidade de o mercado paulista importar bulbos, no período de entressafra de outras regiões.

Dentre as variedades que se prestam para a formação de bulbinhos, destacam-se Baia Bojuda e Periforme. Entretanto, algumas linhagens dessas variedades produzem bulbinhos que, na formação dos bulbos, dão grande porcentagem de charutos, produtos sem valor comercial.

Para conseguir bulbos fora de época, é necessário cuidar primeiramente da obtenção de bulbinhos.

Tal semeação é realizada em canteiros comuns, de 1,20 m de largura, convenientemente adubados e em sulcos transversais distanciados de 15 cm.

Dependendo do poder germinativo das sementes, usa-se de 0,3 a 0,6 grama por metro de sulco. Existem máquinas manuais que, bem reguladas, efetuam o serviço de semeação com rapidez e segurança. No caso de empregá-las, o sulco de semeação será no sentido do comprimento do canteiro.

A melhor época de semeação é a que vai de princípios de junho a meados de julho, com a colheita dos bulbinhos em outubro-novembro, quando as chuvas, menos freqüentes, permitem sua cura perfeita. Uma vez colhidos e submetidos cura ao sol, mas protegidos pelas folhas e depois em galpões arejados, armazenam-se em depósitos bem ventilados até a época do plantio.

Para o armazenamento, colocam-se os bulbinhos em estrados ou tabuleiros, que são empilhados uns sobre os outros. A camada de bulbinhos em cada tabuleiro não deve exceder de 6 a 8 cm, para obter maior aeração e evitar o seu apodrecimento.

Bulbinhos com diâmetro transversal entre 15 e 25mm são os melhores; entretanto, podem-se empregá-los com menor diâmetro, pois estes apodrecem menos no período de armazenamento, porém, apresentam mais falhas no campo de plantação e dão origem a bulbos de tamanho um tanto reduzido. Os de maior diâmetro, ou seja, acima de 35 mm, são comerciáveis, têm peso mais elevado, pelo que não se recomenda seu plantio, e apresentam o inconveniente de originar bulbos perfilhados e defeituosos.

Os bulbinhos que forem apodrecendo durante o armazenamento deverão ser eliminados. Na véspera da plantação, corta-se a haste rente ao bulbinho.

A distância de plantio é igual à adotada rio sistema de mudas originárias de sementes: 40x15 cm, e os tratos culturais também são os mesmos, subindo de importância, porém, nesse caso, as irrigações periódicas.

A melhor época de plantação de bulbinhos coincide com aquela recomendada na semeação de cebola para cultura normal: fins de fevereiro e meados de março. O ciclo será muito curto, as plantas terão bom tombamento e o produto obtido, boa apresentação.

Para ser plantado, não é necessário que o bulbinho esteja com início de brotação. O plantio de março será colhido em junho, quando o produto alcança ótimo preço no mercado. Além de produzirem bulbos, os bulbinhos também se prestam para conserva.

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