Da escolha de um terreno apropriado depende, em grande parte, o êxito de uma cultura.
Para a cultura de cebola ser viável, é preciso que o solo escolhido seja bastante profundo, um tanto solto, suficientemente fértil e rico em matéria orgânica.
Um terreno francamente arenoso seria impróprio, porque resiste pouco às secas e conserva pouco os adubos aplicados.
Os solos argilosos também devem ser evitados: são duros, difíceis de serem trabalhados, e sua superfície endurece e racha depois das chuvas e das irrigações, se não forem escarificados a tempo. Em suma, as plantas não podem enraizar-se com desembaraço, e o resultado é a formação de bulbos pequenos, deformados, aumentando o número dos charutos.
Técnicos americanos há que condenem os solos ácidos para a cultura da cebola. Todavia, ela prospera bem, entre nós, em solos relativamente ácidos, e, no Rio Grande do Sul, toda a cultura é feita em solos com pH entre 5,5 e 6,0. Não sendo exageradamente ácido, o solo pode ser utilizado para o plantio da cebola.
Preparo do Solo
Escolhido o terreno, passa-se a cuidar do seu preparo para receber a cultura.
Logo que seja possível, após as chuvas de verão, já se começa a trabalhar o terreno. Tal preparo consiste em arar e gradear a terra. Trinta dias depois, nova aração e gradeação, convindo, dessa ver, aprofundar um pouco mais a lavra, pois, ao contrário do que se pensa, a cebola explora o terreno não só superficialmente, como, também, em profundidade. A maioria das raízes se localiza de 40 a 50 cm de profundidade, regular porção delas de 70 a 80 cm e, algumas, de 90 a 100 cm.
Convém notar que as raízes não descem, de inicio, perpendicularmente, mas caminham cerca de 10 cm, paralelamente à superfície, e a 5cm de profundidade, para depois baixarem às camadas mais profundas. Por essa razão é que as capinas devem ser superficiais e cuidadosas, a fim de evitar que as raízes sejam cortadas.
Como as raízes de cebola exploram o terreno em sua profundidade, seria de esperar que, quanto mais profundas fossem as lavras e as adubações, maior seria a produção. A experimentação, todavia, provou não ser verdadeiro tal raciocínio. Experiências levadas a efeito no IAC-SP, mostraram que, em terras profundas, não há vantagem em aprofundar as lavras, porquanto a produção não se altera. Em terras rasas, as lavras, além de certo limite, tornam-se prejudiciais, por misturar o solo com o subsolo. Assim, não são aconselháveis arações profundas, bastando uma lavra de 15 cm, mais ou menos.
A época de preparo do terreno tem grande influência, sobre a cultura. Não é demais insistir em recomendar que a primeira aração seja feita no término da estação das águas, isto é, em fins de fevereiro. Dessa forma, a retenção das águas já contidas no solo será maior, devido ao revolvimento da parte superior; haverá, ainda, pelo fato de a terra estar bem solta, um maior aproveitamento por infiltração, das chuvas que caírem daí em diante. Ademais, como a primeira aração é a mais penosa, nessa ocasião, devido à umidade do solo, o trabalho será facilitado.
Entre a última aração e o transplante das mudas, deve haver, no mínimo, um intervalo de 15 dias.
Se a transplantação se der logo depois de uma lavra mais ou menos profunda, pode-se esperar grande número de falhas, pelo fato de as mudas caírem em camada de terra com baixo teor de umidade, devido à evaporação provocada com o revolvimento da terra. Mesmo depois de vingarem, as mudas não poderão dar bons bulbos, por causa do meio impróprio que lhes foi proporcionado nos primeiros dias de vida no campo, e tornam-se raquíticas.
Se a cultura não vai ser irrigada, é o bastante esse preparo. Quando muito, pode-se utilizar um pranchão para aplainar mais ou menos o terreno. Se vai ser irrigada por infiltração, e as linhas de plantação forem longas, o trabalho de aplainamento deve ser perfeito, para evitar o empoçamento de água.
Adubação
A adubação pode ser levada a efeito por dois diferentes métodos:
- nos sulcos de plantação;
- em sulcos laterais distanciados de 15 cm dos sulcos de plantação.
No primeiro, os adubos são aplicados nos próprios sulcos, por ocasião do transplante das mudas, e, a seguir, bem misturados com a terra.
No segundo, só praticável quando a plantação é inteiramente feita a arado, colocam-se os adubos nos sulcos que não levam mudas. Dos dois, o mais recomendável é aquele em que os adubos são aplicados, nos sulcos de plantação, uma vez que sejam bem misturados com a terra.
Calculo da adubação e calagem para a cultura da cebola
A adubação e calagem da cebola, assim como de todas as culturas, deve ser feita com base na análise do solo.
- Calagem: Aplicar calcário, de preferência dolomítico, até alcançar valor de V=70 %. A quantidade de calcário a aplicar é dada pela fórmula:
| N.C. = | T(V2 - V1) | x f |
|
100 |
O V2 para cebola é de 70%
Adubação mineral
No plantio:
| P resina mg/cm3 |
K trocável meq/100cm3 | ||
| 0 - 0,15 | 0,15 - 0,60 | > 60 | |
|
N - P2O5 - K2O - kg/ha | |||
| 00 - 15 | 10 - 250 - 120 | 10 - 250 - 100 | 10 - 250 - 80 |
| 15 - 40 | 10 - 150 - 120 | 10 - 150 - 100 | 10 - 150 - 80 |
| > 40 | 10 - 100 - 120 | 10 - 100 - 100 | 10 - 100 - 80 |
Adubação orgânica
Incorporar restos de cultura; aplicar palhas, cascas, estercos, tortas; 20 t/ha de esterco de curral bem curtido ou 5 t/ha de esterco de galinha ou 2 t/ha de torta de mamona. Os estercos e tortas devem ser aplicados 8 a 10 dias antes do plantio.