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Café


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Histórico

A literatura especializada menciona várias lendas sobre as origens do uso da bebida. Não só na Etiópia, berço do excelente Coffea arabica, os seus habitantes descobriram os efeitos estimulantes de cocções de folhas dos cafeeiros, da polpa, dos frutos, e mais tarde, dos grãos torrados, mas também em outras partes da África, ao que parece, de preferência, no ex-Congo Belga, os habitantes já se valiam do cafeeiro, neste caso, de outras espécies de Coffea para preparo de infusões muito antes da ocupação destas regiões pelos europeus.

Primeiras culturas

Quanto às primeiras culturas de café, há dúvida se estas se instalaram na própria Etiópia ou no vizinho lemen (Arábia), para onde o café foi levado pelos árabes, no início do século XVII ou, talvez, mesmo antes. Foi neste último país que os holandeses obtiveram sementes do Coffee arabica, introduzindo-as já em de Java, onde foram estabelecidas as primeiras culturas extensivas desta  Rubiácea.

Em 1706, um cafeeiro daquela espécie foi levado ao Jardim Botânico de Amsterdã, na Guiana Holandesa em 1714. O mesmo cafeeiro forneceu sementes ao Jardim Botânico de Paris, o qual, poucos anos mais tarde, à ilha de Martinica que, por sua vez, se tornou importante centro de distribuição de sementes à Venezuela, Colômbia, toda a América Central e várias regiões das Antilhas. Ao que se sabe, de Suriname o café foi levado à Caiena em 1718 e de lá introduzido em 1727 em Belém do Pará por Mello Palheta.

Pouco depois de sua introdução na Indonésia, o café atingiu o Ceilão e a Índia para, mais tarde, também invadir vários outros países asiáticos: Burma, Malaia, Tailândia, Indochina, China, Formosa, Filipinas etc. Nas Américas, alcançou mais tarde o México.

Para alcançar as Américas, fez, pois, o cafeeiro Arábico uma longa viagem. O fato histórico de que toda população primitiva desta espécie (var. Típica), cultivada nas Américas, teve por origem possivelmente um único cafeeiro, explica a relativa uniformidade das primitivas lavouras de café.

É interessante notar que na África, berço das principais espécies econômicas de Coffea, pouco interesse houve no cultivo do café até pouco antes da primeira guerra mundial só depois de 1918 é que se iniciou ali a expansão cafeeira, estimulada pelos respectivos governos metropolitanos, muito depois, portanto, do desenvolvimento cafeeiro no Sudeste da Ásia e nas Américas.

Quanto ao consumo do café, este se propagou lentamente pela Europa depois pelas América, hoje, a lslândia, os Países Escandinavos e a Finlândia são os países de maior consumo per capita, sendo os Estados Unidos da América são os maiores importadores de café do mundo. É interessante ainda notar que consumo de café é insignificante em vários países produtores da África.

É de se salientar também que o café constitui a cultura tropical permanente mais difundida na faixa tropical, que mais riquezas criou e que ainda vem contribuindo, decisivamente, para elevar o nível social de suas populações rurais, principalmente, nos países em desenvolvimento na África.

Distribuição Geográfica da cultura

O café é cultivado em toda faixa tropical e se adaptou às mais variadas condições ecológicas. Planta-se o cafeeiro em altitudes de poucos metros acima do nível do mar até além de 2.000 m (Iemen e Equador), no diversos tipos de solos, sob as mais variadas condições climáticas, e, ainda seguindo os mais diversos métodos de plantio e de cultivo.

A espécie coffea arabica se encontra em 85% dos países cafeicultores, exclusiva ou juntamente com uma ou duas outras espécies, sendo o Continente Americano a sua região principal de cultivo.

Quanto à espécie Coffea canephora (Robusta), a sua introdução em cultura se deve exclusivamente ao fato de ser altamente resistente à ferrugem das folhas. Foi primeiramente cultivada em Java, pelos holandeses, em substituição a Coffea arabica sendo hoje encontrada em todos os continentes produtores, predominando na Ásia e África, sendo que neste último predomina em quase 80% do total plantado.

O café Libérica é de expressão muito menor do que as duas espécies atrás mencionadas. É cultivada com exclusividade na Guiana Inglesa, sendo ainda encontrada em 17 outros países, nos quais também existem outras espécies, principalmente na Libéria, Malaia e São Tomé.

Importância Econômica

O café é ali produzido tanto pelos europeus como pelos africanos, tanto em grandes como em pequenas propriedades, com grande predominância destas Últimas. Constitui meio de vida para milhões de africanos, seja como fonte complementar de renda ou como a principal ou mesmo única fonte de recursos. Exerce, pois, importante função social.

América do Norte e Central: Como acontece em muitos países latino-americanos, o café constitui um fator essencial na economia de 5 dos 6 países da América Central, sendo que ultimamente, sua importância econômica tem aumentado no México. O grau de deste produto é, em alguns casos, tão acentuado que um verdadeiro colapso se registraria no dia em que o café viesse a desaparecer.

México: Apesar de o café constituir cultura antiga nesse país, sua grande expansão data apenas de 1949/50. As zonas produtoras localizam-se principalmente nos Estados de Vera Cruz, Chispes e Oaxaca, estendendo-se ultimamente também ao de Puebla.

El Salvador: Esta é a menor das Repúblicas centro-americanas e a que possui a maior densidade demográfica (110 hab/km2). Em conseqüência, a mão de obra é abundante e relativamente barata.
O café, produzido em cerca de 112.000ha, constitui 90% do total das exportações, o que indica a extraordinária dependência de El Salvador deste produto.

Costa Rica: Hoje a cultura cafeeira ocupa nesta República urna área dá cerca de 58.000 ha, concentrados, de preferência na famosa "Meseta Central" situada acima de 1.000m no centro do país. Cerca de 46% do valor de todas as exportações é representado pelo café. Sem dúvida a cafeicultura de Costa Rica, é, pois, uma das mais avançadas das Américas. Constitui um exemplo que muitos outros países cafeicultores querem seguir.

Antilhas: Existem nas Antilhas 8 regiões produtoras de café (Cuba, Jamaica, Haiti, República Dominicana, Porto Rico, Guadalupe, Martinica e Trindade). Conquanto hoje apresentam importância relativamente pequena para o mercado mundial. Foram algumas destas regiões, juntamente com o norte da América do Sul, as primeiras a expandir o café no início do século XVIII. Dois fatores principais, entretanto, determinaram, mais tarde, um rápido declínio da produção cafeeira: a ocorrência freqüente de ciclones que chegaram a destruir dezenas de milhões de cafeeiros, e a abolição da escravatura.

América do Sul: Sem dúvida alguma, foi nesta parte do continente americano que se verificou, no passado, a mais extraordinária expansão cafeeira, não igualada em outra região do mundo. Basta dizer que em 1933/34 ela contribuía com quase 80% da produção global. Condições ecológicas favoráveis predominantes nas vizinhanças do Trópico de Capricórnio no Brasil e nas fraldas dos Andes na Colômbia, Peru, Equador e Venezuela, permitiram o estabelecimento da cafeicultura nestas áreas, nas quais centenas de milhares de hectares de florestas virgens foram substituídas por cafezal. O desenvolvimento cafeeiro mais espetacular verificou-se certamente no Brasil, que em 1959/60 chegou a alcançar a produção elevada de 44 milhões de sacas.

Também na maioria destes países constitui o café a pedra angular da sua economia. Serviu ainda de base para o seu desenvolvimento industrial e, curioso é notá-lo, também para a introdução de outras culturas. Abriu vastas áreas virgens, semeou cidades e também, em alguns casos, promoveu o estabelecimento de correntes imigratórias. Foi o café importante fator de civilização, pela implantação de comunidades florescentes em áreas antes totalmente incultas.

Por outro lado, o café também tem contribuído nesta parte do continente para a ocorrência de grandes crises, causadas pelas superproduções. Mas mesmo estas não deixaram de ter seus efeitos benéficos, estimulando novas iniciativas inclusive, no próprio setor da agricultura.

Venezuela: Ao fim do século XIX chegou este país a constituir-se no segundo produtor de café do mundo, com uma produção de cerca de 750.000 sacas. Hoje em dia o valor de sua exportação cafeeira apenas representa 2%do tode suas exportações. Os seus cafezais localizam, de preferência na Zona Andina, limítrofe com a Colômbia. Predominam ali, métodos rotineiros de produção.

Colômbia: Este pais é o segundo em produção total e o primeiro na exportação de cafés suaves. A cultura estabeleceu-se, de preferência, nas encostas Cordilheira. Central e Ocidental, nas regiões de Caldas, Antióquia, Tolima, Huila e Narino. Hoje esta cultura encontra-se também na Cordilheira Oriental. A altitude dos cafezais varia entre 1.000 e 1.900m.

Guianas: O café nas três Guianas é cultivado perto da costa, em terrenos de aluvião, em geral em camalhões para facilitar a drenagem. Em virtude da impropriedade do clima para o Arábica predomina ali o cultivo do Libérica (Surinam e Guiana lnglesa) e também um pouco de Robusta.

Equador: O café é cultivado tanto na zona baixa da costa como também nas encostas das montanhas, em altitudes variáveis. No vale do Cubayá, à pequena distância de Quito e, portanto, da linha do Equador, existem também pequenos pomares de café a 2.300m de altitude, constituindo provavelmente as mais altas plantações de café do mundo. Conquanto 98% do seu café pertença a espécie Arábica, o Robusta também tem sido plantado nas Zonas baixas da costa. Entretanto, a fim de evitar a contaminação do Arábica, que ali produz tipos de boa bebida, com esta espécie, o Governo proibiu a instalação de novas plantações de Robusta.

Perú: As zonas cafeeiras estendem-se ao longo dos vales da Cordilheira dos Andes, desde a divisa com o Equador até as margens do rio Tambopata, perto da Bolivia. A partir de 1950, com a alta dos preços do café, manifestou-se neste país um grande interesse na expansão da área cafeeira.

Bolivia: Os cafezais localizam-se nos Yungas ao nordeste de La Paz, em Beni no estremo norte, bem como nas zonas de Chepare (Cochabamba) e Santa Cruz. A erosão e os métodos primitivos de cultivo fazem com que a produtividade ali seja muito baixa.

Paraguai: Este pai já vinha cultivando café em pequena escala, principalmente na região Caacupé-Altos, quando se verificou a abertura de uma nova zona perto de Puerto Juan Caballero, em frente à cidade brasileira de Ponta Porã. Trata-se de uma extensa área de boa topografia, coberta de mata virgem, localizada um pouco ao norte do Trópico de Capricórnio. O clima não é ali dos mais favoráveis para o café, porque é sujeito a fortes ventos frios do sul e a geadas. Sem dúvida a América Latim possui imensas zonas com excelentes condições ecológicas favoráveis a uma produção intensiva do bom café Arábica. Delimitar as melhores dentre estas e nelas concentrar todos os esforços para aumentar a eficiência econômica da produção constitui o principal problema que todos os seus países cafeeiros enfrentam.

Brasil: Em nosso país cultivamos a espécie Coffea Arabica, esta que apresenta diversas variedades, algumas de valor econômico e outras de interesse para a pesquisa genética.

Variedades:

  1. Típica: é a variedades primitiva dos cafezais brasileiros, vinda da Guiana Holandesa, e por não ser produtiva não vem sendo cultivada no Brasil.
  2. Amarelo de Botucatu: originou-se por mutação em Botucatu-SP, a partir do Típica devido a semelhança, do qual se difere pela cor amarela do exocarpo do fruto. Não houve expansão do seu cultivo.
  3. Sumatra: foi importado por São Paulo da ilha de Sumatra em 1896, porém devido a baixa produtividade, desinteressou aos produtores.
  4. Maragogipe: pelas características deve ter originado a partir do Típica, sendo pouco produtivo também.
  5. Bourbon Vermelho: foi importado por Luiz Pereira Barreto, por volta de 1860 na cidade de Rezende-RJ, sendo que em 1875 foi levado para a região de Cravinhos-SP, tornado-se popular e daí para todo o país, pois sua produtividade é boa.
  6. Bourbon Amarelo: surgiu como produto da recombinação de cruzamento natural entre o Amarelo de Botucatu e o Bourbon Vermelho. Começou a ser notado em fins do século passado provavelmente na região de Jaú. Trata-se de um cultivar mais produtivo do que o Bourbon Vermelho. Ainda é procurado pelos lavradores por ter maturação mais precoce do que a do "Mundo Novo". Assemelha-se ao Bourbon Vermelho, porém atinge altura maior, é mais vigoroso e os frutos tem o exocarpo amarelo.
  7. Caturra Vermelho e Caturra Amarelo: as duas formas de Caturra parecem ser oriundas de Minas Gerais, embora sejam mais conhecidas no Estado do Espírito Santo. Foram recebidas em Campinas em 1937, época em que começavam a ser estudadas. As primeiras produções são boas, porém as plantas não apresentam vigor vegetativo satisfatório. O Caturra, como o nome indica, tem porte pequeno, folhas grandes, internódios muito curtos e muitas flores por axila foliar. O Caturra Amarelo revelou-se pouco mais produtivo do que o Caturra Vermelho. As linhagens LC 476 do amarelo e LC 477 do vermelho foram distribuídas a várias regiões cafeeiras de São Paulo e do Brasil, porém já não são preferidas para plantio.
  8. Mundo Novo: o café Mundo Novo provavelmente representa uma recombinação resultante de hibridação natural entre o Sumatra e o Bourbon Vermelho. Estudos sobre este café foram iniciados na Seção de Genética do Instituto Agronômico, em 1943 e, desde as primeiras observações, notou-se que se tratava de café muito rústico e de elevada produtividade, embora encerrasse vários defeitos, como plantas improdutivas e plantas com excesso de frutos chôchos, os quais foram posteriormente eliminados com a seleção. Tem porte do Sumatra, as folhas se assemelham às do Bourbon Vermelho e a ramificação secundária é intensa. O seu nome provém do município paulista onde foi primeiramente observado. Várias linhagens foram selecionadas e outras vem sendo ainda objeto de minuciosos estudos. Numerosas hibridações artificiais são anualmente realizadas em Campinas, tendo-se em vista recombinar suas características vantajosas em relação a outros cultivares selecionados.
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