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Cacau


Cultivo

Em cacauais adultos, suficientemente sombreados, com o solo recoberto pela camada de matéria orgânica proveniente da derrubada de mata, os cultivos se resumem em duas ou três capinas anuais. Outra prática consiste na incorporação anual da matéria orgânica e dos restos de colheita em valas de 50cm de largura por igual profundidade, abertas em ruas alternadas. Deste modo, ao mesmo tempo em que se pratica uma adubação orgânica, visando a melhoria das propriedades físicas do terreno, também se destroem focos de pragas e moléstias, constituídos pelos frutos não aproveitados e pelas cascas provenientes de extração das amêndoas.

A adubação e o controle às pragas e moléstias são práticas imprescindíveis à cultura do cacaueiro. As adubações só poderão ser convenientemente aconselhadas depois de uma consciente análise do solo. Contudo, em relação às moléstias, medidas preventivas como o aumento de arejamento no caso de excesso de sombra, a proteção das feridas e lesões das plantas, a eliminação de árvores gravemente atacadas, a supressão de plantas hospedeiras, podem e devem ser observadas.

Poda

Na cultura do cacau a poda deve ser restrita a um mínimo necessário para a boa formação da árvore e um perfeito arejamento da cultura. Dois são os tipos de poda recomendados: o de formação e o de manutenção. Pelo primeiro procura-se provocar o desenvolvimento de apenas 3 ou 4 galhos na coroa. Os ramos ladrões que, porventura, apareçam no tronco, abaixo da coroa,  deve ser eliminados, a não ser que o ramo inicial apresente algum defeito; neste caso é preferível deixar que se desenvolva um segundo ramo que será aproveitado na formação da planta.

A poda de manutenção consiste na eliminação de galhos secos e enfermos ou ainda de ramos cuja folhagem não receba adequadamente a luz solar.
Os cortes provenientes da poda devem ser firmes, sem dilaceramento e no nível da base do ramo. Recomenda-se ainda a sua proteção com tintas ou fungicidas em pasta, para evitar a incidência de moléstia na parte secionada.

Sombreamento

A prática tem demonstrado que o sombreamento do cacau é uma necessidade, não só pelo fato de se tratar de uma planta umbrófila, como por concorrer para uma maior longevidade da cultura e uma produção econômica mais regular. Todas as vezes que se tem tentado sua cultura a pleno sol, os resultados têm sido desfavoráveis, a não ser em casos especiais de tipo de solo ou de cultivos e adubações orgânicas que preencham, em parte, algumas das finalidades do sombreamento.

O sombreamento pode ser conseguido pela conservação parcial do bosque ou, no caso da derrubada total da mata e no caso de terreno já cultivado, pelo plantio de árvores de sombra. O primeiro processo não é muito recomendável a não ser em casos especiais, como carência de braços, por exemplo. É que proporciona um sombreamento muito heterogêneo, dificulta o alinhamento da cultura, além de outras vantagens. 

Como vantagens são citadas principalmente, as duas seguintes:
a) maior economia na instalação do cacaual;
b) e melhor conservação do solo florestal.

Dois são os tipos de sombreamento empregados quando da instalação de um cacaual em terreno recém-desbravado ou já cultivado: o sombreamento provisório, feito com plantas de crescimento rápido, visando uma proteção imediata, e o sombreamento permanente, feito geralmente com essências de crescimento lento.

Como sombreamento provisório podemos recorrer a algumas leguminosas, dos gêneros Crotalaria, Tephrosia, Canavalia e Calopogonium ou, então, as plantas úteis como a bananeira, a taioba e o inhame japonês. Como árvore de sombra permanente podem ser mencionadas: o "kapok" (Ceiba pentandra Gaertn). da família Bombaceae; a Aleurites molucana (L) Willd. e a A. Montana (Lour.) Wilson, da família Euphorbiaceae; o genipapeiro (Genipa americana L) da família Rubiaceae e as leguminosas Erythrina velutina Willd., E. Litosperma Bl ex Mig. E. indica Lam., Cássia javanica L., C. grandis L., Parkia pendula Benth. (juerana), Albizzia lebbec Benth, Ptercolobium edwalii, e outras.

A instalação do sombreamento provisório ou permanente pode ser feita pela semeadura direta ou por meio de mudas preparadas em viveiros, sendo este último preferível por razões óbvias. As árvores de sombra são plantadas no mesmo alinhamento do cacau; desse modo as entrelinhas, após o desaparecimento do sombreamento provisório, ficarão livres para os trabalhos de vigilância, combate às pragas e moléstias, adubação e colheita.

Adubação

A cultura do cacau entre nós tem sido conduzida em terrenos de mata e desse modo a adubação não constitui um problema fundamental como na maioria das culturas. Todavia, levando-se em consideração que os solos tropicais são, do ponto de vista químico, geralmente pobres e que a matéria orgânica, principal reguladora de suas qualidades físicas, químicas e biológicas, é de decomposição relativamente rápida, é natural a tendência de as lavouras entrarem, mais cedo ou mais tarde, em regime de produção deficitária. Daí a necessidade das adubações para a restituição da matéria orgânica destruída e dos elementos químicos subtraídos pela erosão, pelas lavagens e pelo esgotamento produzido pelas colheitas.

Desse modo, enquanto experiências locais de adubação não determinarem as dosagens econômicas dos adubos minerais fosfatados, potássicos, nitrogenados, cálcicos e magnesianos, o lavrador deverá procurar conservar a matéria orgânica do solo e mesmo fazer aplicações sob as formas de esterco, composto, tortas ou adubos verdes.

Adubação e calagem

Realizar as adubações e calagens com base na análise de solo.

Calagem: aplicar calcário dolomítico até alcançar índices de saturação de bases de 50% (V=50%);

Adubação de plantio: com antecedência de 60 dias ao plantio incorporar, por cova, 2 kg de esterco de galinha ou torta de mamona, 1 kg de calcário dolomítico, 100g de P205 e 30g de K20.

Adubação de formação: Para formação, durante os três primeiros anos aplicar, em cobertura ao redor das plantas as seguintes quantidades de nutrientes, N - P205 - K20, em gramas por cova:
- Primeiro ano:   30 - 10 - 60
- Segundo ano:  60 - 20 - 90
- Terceiro ano:   90 - 30 - 20

Adubação de produção: aplicar, de acordo com a análise de solo, realizada de dois em dois ou três em três anos, as seguintes quantidades de nutrientes:

P resina
mg/cm3 

K trocável - meq/100cm3

0-0,15 

> 0,15 

N - P2O5 - K2O 

0 - 15  120 - 40 - 120 120 - 40 - 60
> 15 120 - 20 - 120 120 - 20 - 60

Parcelar a adubação, aplicando em três vezes, em cobertura, nos meses de outubro - dezembro - março. Em caso de deficiência de zinco, aplicar 30g de sulfato de zinco juntamente com os outros nutrientes.

Pragas e moléstias

A cultura do cacau é perseguida por um número relativamente grande de pragas e moléstias. Dentre as moléstias, a de maior importância econômica é a podridão do fruto causada pelo fungo Phytophthora palmivora Butler e cujo controle pode ser feito pela destruição dos frutos atacados e através de pulverização indicada por técnico.

Entre as pragas, as que maiores prejuízos ocasionam são alguns ortópteros, trips, coccídeos e coleópteros que atacam as folhas e brotos novos. Merece destaque também alguns lepidópteros cujas larvas praticam galerias nos frutos.

No viveiro, sempre que houver suspeita ou confirmação de nematóides, fazer a fumigação do solo com brometo de metila.

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