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Adubação

Um dos problemas difíceis na cultura do arroz é o da adubação. Quando se trata de arroz irrigado, se a adubação é bem orientada, se a cultura é bem conduzida, a possibilidade de sucesso é grande. Em países de culturas adiantadas, como o Japão e Estados Unidos, as respostas do cereal às adubações são extraordinárias, pagando com regalados juros as despesas havidas. Entre nós, infelizmente, por motivos vários, o mesmo não acontece, mesmo em se tratando de cultura irrigada. Na cultura de arroz de sequeiro, então, a adubação quase chega a ser temeridade. Como é cultura que vive em função das chuvas, e como essas são imprevisíveis, os resultados de adubação também são imprevisíveis. Contudo, uma adubação incorreta poderá levar a plantação a um fracasso total.

De modo geral, para as terras do Estado de São Paulo, o Instituto Agronômico de Campinas-lAC  recomenda as seguintes dosagens, por hectare, para terras pobres em elementos minerais, isto é, terras já usadas, mas ainda com alguma matéria orgânica disponível:
N= 20 a 30 kg/ha; P2O5= 20 a 80kg/ha e K2O = 20 a 50 kg/ha.

É sempre aconselhável a análise da terra. Uma receita de adubação à base dos resultados da análise, sempre é melhor e mais econômica. As terras mais ricas em matéria orgânica dispensam quase sempre, as adubações nitrogenadas. Nas terras arenosas do Estado, pelas informações obtidas de experimentos, adubação nitrogenada tem reagido bem, assim como a fosfatada. Nas experiências do IAC, depois das formas orgânicas, os adubos nitrogenados que mais reagiram foram o sulfato de amônio e o nitrocálcio, Nas terras roxas e mistas, por sua vez, os adubos fosfatados e potássicos têm reagido convenientemente. Quaisquer adubos que possuam esses elementos servem (superfosfato, fosforita, farinha de ossos, sulfato de potássio e outros), dependendo da disponibilidade e do preço. Nas terras cansadas, uma adubação de torta ou de adubação verde, sempre funciona bem, substituindo a matéria orgânica exaurida.

O arroz tem um sistema radicular muito superficial. Por causa disso, a adubação, para poder ser aproveitada, deverá ser rasa. Como os adubos podem prejudicar as sementes, deve-se evitar o contato de uns com os outros. As semeadeiras/adubadeiras modernas possuem dispositivo que permite colocar o adubo de 5 a 10 cm ao lado e abaixo das sementes. Esses cuidados beneficiam a germinação das sementes.

A adubação nitrogenada deve ser parcelada em duas vezes. Uma terça parte no plantio. O resto 40 dias depois, em cobertura. Nessa altura, conforme o comportamento das plantas, a adubação em cobertura poderá ser dispensada.

A carência de outros elementos, tais como o cálcio, o manganês, o boro, o magnésio, e outros, pode ocorrer. Nesse caso, a correção deverá ser feita sob recomendação de especialista, para evitar perda de tempo e dinheiro. As plantas que exibem sintomas, tais como aspecto clorótico de folhas e hastes, nanismo, crescimento deficiente de raízes, deformações, falta de perfilhamento, manchas brancas nas folhas, com emergência difícil, coloração anormal da planta, constrição de folhas ou colmos, e muitos outros sintomas anormais indicam às pessoas avisadas de que há carência de qualquer daqueles elementos. Nesse caso, há que se tomar às providências necessárias, consultando o Engenheiro Agrônomo.

Calagem

A melhor faixa de pH do terreno para a cultura é entre 5,7 a 6,2 na escala. Nessa faixa, produzem-se as melhores colheitas. Contudo, a planta tolera acidez alta, produzindo colheitas em pH baixos, mas naturalmente com menor produção.

A calagem é prática controvertida em cultura de arroz. Para a cultura irrigada, em havendo acidez nociva, parece que produz efeito. Em cultura de sequeiro, se houver, também parece que funciona como nas terras de alguns cerrados. Tudo indica isso, mas há necessidade de mais experimentos conclusivos. Quando se faz a calagem, porém, deve-se acompanhá-la de uma adubação completa, principalmente com o elemento potássico, para que de resultado.

Não se tendo certeza da reação, é problemática a feitura das despesas com calagem, salvo nos casos de terras muito compactas, que atrapalham as arações e gradagens. Neste caso, a calagem melhora as condições físicas do solo, facilitando posteriormente o preparo. É difícil recomendar a quantidade de calcário. A análise da terra fará isso mais facilmente. Acreditamos, todavia que de 1 a 2 toneladas por hectare não oneram demais o bolso do lavrador e poderão dar bons resultados, tanto no caso da acidez nociva, como no caso de terras muito compactas.

Espaçamento

Na cultura de sequeiro, o espaçamento usado obedece a dois pontos principais: melhor aproveitamento do terreno e facilidade de trato da cultura durante o ciclo vegetativo da planta.

Sendo o espaçamento um a função das condições físico-químicas do solo, da variedade usada e do clima, é lógico que não deve ser igual para todas situações. Varia, podendo-se esquematizar o seu emprego assim:

Espaçamento

Variedade comum

Variedade precoce

entre linhas

60 cm

50 cm

nas linhas 

linhas cheias     

linhas cheias

No caso da cultura irrigada, conforme a riqueza do terreno, o espaçamento varia de 30 a 40 cm, às vezes mais, se a terra for muito rica. Há países como a Itália, porém, que preferem espaçamentos menores, cultura de transplante, de 25 cm ou menos. Isso, no entender deles, evita o excessivo perfilhamento, tido como prejudicial, com aproveitamento maior naturalmente dos colmos principais e primários, os mais produtivos.

No Rio Grande do Sul e em outros lugares, como os Estados Unidos da América do Norte, a semeação de várzeas é feita preferencialmente a lança, por  meios manuais ou mecânicos. Nos Estados Unidos, em algumas áreas, usam-se aviões para a semeação.

Capinas

No arroz de sequeiro, a umidade é fator limitante. Depende dela o sucesso da cultura. Não tolera, por isso, concorrência com mato que lhe rouba o líquido precioso. É preciso que as ervas daninhas sejam combatidas com decisão, na época certa, para evitar concorrências. A natureza, muito sabiamente dotou as ervas más de fortes meios de defesa para sobreviverem: possante sistema radicular, agressividade e muita avidez de água e alimentos. Na luta, as plantas daninhas quase sempre saem vencedoras. Por esse motivo, é imprescindível que o mato não apareça no arrozal. É preciso ser combatido na brotação, destruindo-se a sementeira.

O instrumento de carpa no caso do arroz, em virtude deste sistema radicular bastante superficial, deverá ser apenas para escarificar o terreno, sem se aprofundar ou levantar terra, ocorrências que prejudicariam a planta. A escarificação bem feita ainda ajuda a reter a umidade do solo. Dois instrumentos são recomendados aos lavradores: a gradinha de dentes de carpir e a carpideira de enxadinhas, tipo planet. No caso do arroz irrigado, é viável em algumas lavouras, o uso de herbicidas, comprovadamente, eficientes pelos institutos oficiais e existentes no mercado.

Nas plantações maiores, são usadas outras máquinas carpideiras, de maior rendimento de trabalho, que possam, como as outras, escarificar o terreno sem prejuízo para as raízes das plantas de arroz.

Doenças

De modo geral, os fatores abaixo relacionados favorecem o aparecimento e a propagação das doenças fúngicas, comum ao arroz.

- Elevada umidade do ar (90%), acompanhada de temperaturas que variam de 22 a 29ºC;
- Baixa luminosidade, combinado com períodos de alta umidade;
- Baixo grau de umidade do solo que provoca a diminuição do conteúdo de sílica das células epidérmicas. E baixa temperatura do solo que altera o metabolismo da planta, enfraquecendo-a;
- Ventos fortes que provocam o enxugamento excessivo do solo e da planta, e machucaduras dos tecidos, tornando-as portas abertas às infecções;
- Solos compactos que impossibilitam a aeração adequada das raízes e solos muito porosos que dificultam a retenção de umidade e nutrientes;
- Solos fracos e erodidos que predispõem as plantas a doenças;
- Acidez elevada do solo que dificulta a nutrição das plantas;
- Idade da planta, em seus períodos críticos, tais como início de desenvolvimento, época de emborrachamento e de emissão das panículas, quando há enfraquecimento natural;
- Presença, perto da lavoura, de plantas hospedeiras e restos de cultura contaminados que são meios de novas infecções;
- Práticas culturais inadequadas que levam as plantas ao enfraquecimento, à alteração do seu metabolismo, ao excessivo desenvolvimento, à diminuição do conteúdo de sílica das células epidérmicas, tornando-as predispostas a doenças.

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